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Maus tratos nos lares Orpea. Ministra garante que Luxemburgo é mais rigoroso
Sociedade 4 min. 31.01.2022 Do nosso arquivo online
França

Maus tratos nos lares Orpea. Ministra garante que Luxemburgo é mais rigoroso

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Maus tratos nos lares Orpea. Ministra garante que Luxemburgo é mais rigoroso

Foto: AFP
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França

Maus tratos nos lares Orpea. Ministra garante que Luxemburgo é mais rigoroso

Paula FREITAS FERREIRA
Paula FREITAS FERREIRA
Falta de pessoal, racionamento de comida e idosos deitados durante horas no meio dos seus próprios excrementos - é tudo relatado no livro "Os Coveiros", da autoria do jornalista Victor Castanet, sobre os lares da cadeia em França. Grupo vai abrir unidade em Merl - em Portugal tem nove.

Poucos funcionários, comida insuficiente e idosos deitados durante horas no meio dos seus próprios excrementos - é tudo relatado no livro "Les Fossoyeurs" ("Os Coveiros"), publicado em meados da semana passada, da autoria do jornalista freelance Victor Castanet, e que descreve os graves abusos cometidos na cadeia de lares Orpea. 

De acordo com o Wort, o grupo pretende abrir uma unidade em Merl, no Luxemburgo, já em março, e foi oficialmente solicitada uma licença ao Ministério dos Assuntos da Família, a 18 de janeiro; um segundo lar será provavelmente aberto em Strassen, avança a edição alemã do jornal.

O livro "Les Fossoyeurs" ("Os Coveiros") autoria do jornalista francês Victor Castanet.
O livro "Les Fossoyeurs" ("Os Coveiros") autoria do jornalista francês Victor Castanet.
Foto: AFP

O escândalo, e a breve abertura de uma unidade do grupo no Grão-Ducado,  levou o deputado do CSV, Marc Spautz, a questionar a Ministra da Família, Corinne Cahen (DP), no debate desta segunda-feira, sobre a forma como a unidade irá funcionar.

"O fornecedor não pode ser recusado por causa da lei da UE. No entanto, temos condições legais rigorosas no Luxemburgo para gerir um lar de idosos. Agora, estamos curiosos para ver se todas as condições serão cumpridas, estas discussões estão em curso", disse Spautz, quando questionado, tendo afirmado que ficou satisfeito com as respostas que obteve da ministra. 

"Mesmo os atuais requisitos legais relativos, por exemplo, às instalações, higiene e pessoal, são muito mais exigentes e mais rigorosos do que em França", afirmou a ministra Corinne Cahen.

Orpea oferece lares de luxo. Mensalidade pode chegar aos 12 mil euros

"Trabalhamos muito próximos da companhia de seguros de cuidados prolongados, especialmente no controlo de qualidade", salientou. 

Segundo o Wort, a fiscalização dos lares de idosos no Grão-Gucado passa, por exemplo, por verificar se os séniores apresentam feridas ou escaras, sinais de quedas ou perda de peso excessiva - todos estes indícios de uma possível escassez de pessoal ou medidas de redução de custos. 

No Luxemburgo, os lares de idosos e asilos ainda não estão nas mãos de empresas tão grandes como a Orpea, que oferece também lares no segmento de luxo em França, com custos mensais que podem chegar aos 12.000 euros.

Desconhece-se ainda qual será a tabela de preços que irá ser praticada em Merl.

"Vimos os planos há um ano e meio e satisfazem os requisitos da lei. Agora estamos a olhar para tudo o resto", revela ainda Cahen. 

Com cerca de 350 lares em funcionamento, o grupo Orpea é o segundo maior operador de lares em França, mas apenas uma parte do seu volume de negócios anual de cerca de quatro mil milhões de euros é gerada no seu mercado doméstico: a empresa tem mais de 1.100 instalações de cuidados de saúde com 70.000 empregados em 23 países. Na Alemanha, o grupo é o quarto maior operador  do segmento, com 143 lares. 

Diretor-geral do grupo demitido. Empresa perde três mil milhões em Bolsa

Embora as acusações contidas no livro tenham sido inicialmente rejeitadas pela administração, o grupo anunciou mais tarde que vai encomendar a duas empresas a realização de uma avaliação independente. Fê-lo também após a queda acentuada do preço das ações na bolsa - o preço tinha caído para metade no decurso da última semana, o que levou a empresa a perder três mil milhões de euros. Foi então que o conselho de administração decidiu demitir o seu diretor-geral, o que aconteceu no domingo à noite.

Ao mesmo tempo, Philippe Charrier, o antigo chefe do conselho de administração, foi nomeado para o lugar com efeito imediato, com a tarefa de "assegurar que as melhores práticas sejam aplicadas em toda a empresa e que as alegações [do livro] sejam plenamente investigadas", cita o Wort. 

De acordo com o site Esquerda.net, a investigação do jornalista Victor Castanet revela ainda outras irregularidades, "quer em matéria de segurança e higiene, quer nos próprios contratos de trabalho e planos de turnos dos funcionários".

Segundo a publicação, essas questões eram resolvidas pouco antes da chegada das inspeções - que eram raras e das quais o grupo era informado com antecedência.

O ano passado, uma investigação mais global do consórcio de jornalistas Investigate Europe, sobre como algumas multinacionais estão a transformar os lares de idosos num negócio de milhões em detrimento de trabalhadores e utentes, também referia a Orpea. O artigo foi publicado em julho de 2021 no jornal Público, assinado pelo jornalista de investigação Paulo Pena, sob o título: "Lares de idosos, o novo negócio de milhões das multinacionais". 

Nove lares em Portugal. Universo de 700 utentes

O grupo Orpea tem nove lares em Portugal, a que correspondem 700 utentes. 

A investigação de Paulo Pena refere ainda que os residentes são “tratados como peças numa fábrica, sempre com pressa” e dá conta de trabalhadores pressionados ou que desistem porque não aguentam o trabalho. E revela os nomes de empresas como a Orpea e a Domus Vi que estão a comprar grupos nacionais mais pequenos. 

A investigação revela também que a Orpea está em franca expansão, tendo aumentado a capacidade em 65% nos últimos cinco anos, e está a criar mais 25.000 lugares, três mil deles em Portugal.






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