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Equipa de cientistas liderada por português testou eficácia de nova vacina contra malária
Sociedade 3 min. 21.05.2020

Equipa de cientistas liderada por português testou eficácia de nova vacina contra malária

Equipa de cientistas liderada por português testou eficácia de nova vacina contra malária

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Sociedade 3 min. 21.05.2020

Equipa de cientistas liderada por português testou eficácia de nova vacina contra malária

Os resultados deste projeto de investigação iniciado há 10 anos são animadores.

Há boas notícias na batalha contra a malária. Uma equipa internacional liderada pelo português Miguel Prudêncio, do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, testou o potencial de uma nova vacina contra a malária em 24 voluntários, com resultados que “abrem caminho a uma estratégia de vacinação eficaz”.

Há muito que cientistas em todo mundo tentam encontrar uma vacina eficaz contra os resistentes parasitas Plasmodium, transmitidos pela picada de mosquito, mas sem sucesso.  A dificuldade em encontrar resultados de sucesso deve-se à complexa biologia dos parasitas da malária, cujo ciclo de vida inclui várias etapas que ocorrem quer no mosquito, vetor da doença, quer no hospedeiro mamífero, incluindo um estágio obrigatório e assintomático de desenvolvimento no fígado humano. 

A malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por protozoários transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles.  Só em 2018, a malária foi a responsável pela morte de 400 mil pessoas.

O projeto de investigação que envolve investigadores holandeses do Radboud University Medical Center e do Erasmus MC, começou em 2010 e contou com um financiamento garantido pela Fundação Bill & Melinda Gates de mais de três milhões de euros, noticiou o Público. 

Os resultados do ensaio clínico de Fase 1/2a da potencial nova vacina contra a malária, denominada PbVac foram publicados, esta quarta-feira, na revista científica Science Translational Medicine.


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“Embora nenhum dos indivíduos vacinados ficasse totalmente protegido contra a doença, os resultados mostraram uma redução muito significativa de 95% na infeção hepática dos voluntários imunizados em relação aos indivíduos controlo, não imunizados. Este estudo abre caminho para desenvolvimentos adicionais da vacina PbVac e similares, no sentido do desenvolvimento de uma estratégia de vacinação eficaz contra a malária humana”, indica um comunicado do iMM citado pela agência Lusa.

Segundo os Miguel Prudêncio, o estudo “fornece a validação clínica de uma nova abordagem de vacinação contra a malária, e abre possibilidades para a sua otimização no sentido da criação de uma vacina eficaz contra a malária".

Parte das experiências, todas coordenadas pela equipa portuguesa, foram também realizadas em Espanha, nos Estados Unidos e na Holanda. 

“Mostrámos que a vacina era segura, que os voluntários toleraram bem as imunizações e não mostraram efeitos secundários relevantes”, lê-se . Mas os resultados também dão sinais promissores da eficácia desta estratégia que parece ter sido capaz de bloquear a invasão do parasita nas células hepáticas. 

O estudo, baseou-se na ideia inovadora de usar parasitas de roedores, chamado Plasmodium berghei, que não são patogénicos para os seres humanos, como base para uma nova vacina contra a malária. Assim, os parasitas de roedores foram geneticamente alterados para ficarem “mascarados” com uma proteína do seu homólogo que infeta humanos, o P. falciparum.

Após a validação pré-clínica da imunogenicidade e segurança do PbVac para uso humano, os investigadores avançaram para um ensaio clínico que envolveu 24 voluntários saudáveis, induzidos a várias picadas de mosquitos,para verificar a segurança e a eficácia protetora do PbVac na clínica.

Os resultados mostraram que o PbVac é seguro e bem tolerado, com uma diminuição muito significativa de 95% na infeção hepática por P. falciparum - o primeiro estágio da infeção por malária em humanos - em voluntários imunizados.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, em 2017, cerca de 219 milhões de pessoas foram infetadas com Malária em todo o mundo, 435.000 morreram e mais de 90% das vítimas são africanas.

Estima-se que em 2018 a doença tenha causado mais de 400 mil mortes, 380 mil em África e 270 mil de crianças menores de cinco anos.

O último relatório anual da OMS, divulgado em dezembro passado, revela que seis países africanos concentravam quase metade das infeções no mundo: Nigéria (25%), República Democrática do Congo (12%), Uganda (5%), Costa do Marfim, Níger e Moçambique (4% cada).

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