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Os jovens desfavorecidos "sofreram muito mais com a pandemia do que os outros"
Sociedade 4 min. 24.06.2021
Entrevista com ministro da Educação

Os jovens desfavorecidos "sofreram muito mais com a pandemia do que os outros"

Entrevista com ministro da Educação

Os jovens desfavorecidos "sofreram muito mais com a pandemia do que os outros"

Foto: Chris Karaba
Sociedade 4 min. 24.06.2021
Entrevista com ministro da Educação

Os jovens desfavorecidos "sofreram muito mais com a pandemia do que os outros"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A adoção de medidas específicas para compensar as desigualdades socioeconómicas dos alunos são uma das prioridades anunciadas pelo Ministro da Educação, Claude Meisch, nesta entrevista exclusiva. O apoio aos alunos e aos pais necessitados e a atenção especial aos jovens afetados pela pandemia serão os eixos principais dos planos para o próximo ano letivo.

Sob a liderança do Ministério da Educação estão atualmente a decorrer vários estudos a nível nacional sobre as consequências da pandemia no bem-estar dos jovens, entre os quais, o "Relatório Nacional da Juventude 2020" ("Jugendbericht") cujos resultados foram agora divulgados. Isto para além de outros como o "Relatório Nacional sobre a situação das crianças no Luxemburgo: Focus no bem-estar" ou ainda o estudo "YAC-Young People e Covid-Kids". A realização destas diversas investigações está ligada à maior preocupação com a saúde mental das crianças e jovens do Ministério da Educação?

O bem-estar e a saúde mental são, de facto, uma grande preocupação da política educacional, e não apenas no contexto da crise da covid-19. Por um lado, é importante ter um instrumento para avaliar regularmente o bem-estar e a saúde a fim de acompanhar a evolução, como faz o "Jugendbericht", de cinco em cinco anos. Por outro lado, é também importante analisar mais especificamente o impacto da crise da saúde nos jovens, o que fazemos através de outros estudos e inquéritos.

Os resultados destes estudos de âmbito nacional, podem efetivamente, constituir um instrumento importante na adaptação do apoio psicológico e escolar para o próximo ano letivo?

Os resultados dos estudos são elementos importantes para orientar o sistema de apoio e as medidas a implementar para ajudar e acompanhar os jovens que dele necessitam. São de facto, indispensáveis porque se baseiam em factos, nos sentimentos reais dos alunos e não em intuições. Por esta razão, os estudos e inquéritos são ferramentas muito valiosas. Mostram-nos, por exemplo, que o bem-estar subjetivo e a satisfação de vida são considerados globalmente elevados pelos jovens no Luxemburgo, mas que, ao mesmo tempo, o número de jovens que sofrem de perturbações psicossomáticas e a prevalência de perturbações mentais diagnosticadas aumentaram nos últimos anos, tanto a nível internacional, como no Luxemburgo. Além disso, os jovens com desvantagens socioeconómicas experimentam mais dificuldades na escola e na sua transição para a vida profissional. Eles sofreram muito mais com as consequências da pandemia do que outros. Estas observações devem levar-nos a tomar medidas específicas para compensar estas desigualdades.

Numa resposta parlamentar recente, o sr. Ministro declarou que atenção no meio escolar será intensificada para detetar sinais de alerta nos alunos que necessitem de apoio psicológico. Este apoio será reforçado através do trabalho conjunto e multidisciplinar de professores, psicólogos e outros especialistas do meio escolar? Haverá novas medidas para sensibilizar e prevenir problemas de saúde mental dos estudantes no próximo ano letivo?

O bem-estar e a saúde mental dos jovens continuarão a ser o foco dos esforços da política educacional. Com base nas conclusões do Relatório Nacional da Juventude 2020, foi iniciado um amplo processo de reflexão com as organizações de juventude, o Governo e a Câmara dos Deputados para definir as medidas que serão incluídas num plano de ação nacional para a política de juventude. Por conseguinte, é ainda demasiado cedo para dizer exatamente quais serão as novas medidas, mas já sabemos que serão baseadas em dois eixos principais: apoio aos jovens e apoio às famílias. Este relatório da Juventude revelou efetivamente que a família, em particular o apoio prestado pelos pais, contribui de maneira significativa para o bem-estar dos jovens.


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O Relatório Nacional e o estudo Covid-Kids revelaram que os alunos de meios socialmente desfavorecidos são os mais vulneráveis e com maior risco de desenvolver problemas de saúde mental. Como podem as escolas ajudá-los e envolver os pais na prevenção ou no tratamento?

As medidas para reduzir o impacto da situação socioeconómica no bem-estar e saúde das crianças e jovens serão também discutidas no contexto do desenvolvimento do plano de ação nacional para a Política de Juventude. Entre outras medidas, planeamos regionalizar o Office Nacional de L’ Enfance para uma maior aproximação às famílias que podem beneficiar das suas medidas, além de repensar a escola em relação aos pais, colocar em rede os vários atores no apoio às famílias, entre outras iniciativas.

Pessoalmente, como define o impacto da pandemia nas crianças e jovens no Luxemburgo? Que mensagem gostaria de transmitir aos pais neste final do ano letivo?

Apraz-me registar que, em geral, os jovens no Luxemburgo classificam positivamente o seu bem-estar e saúde e que se consideram competentes para gerir as suas vidas. Gostaria de agradecer a todos, alunos e pais, bem como professores, pelos enormes esforços que têm feito para acompanhar os jovens durante esta crise. Juntos, conseguimos assegurar um número máximo de aulas presenciais; isto é essencial para os jovens porque a escola, para além da aprendizagem, permite-lhes manter os contactos sociais que são tão importantes para o seu bem-estar. Gostaria também de agradecer aos pais o importante apoio que deram aos seus filhos durante estes longos meses e que, como o Relatório Nacional da Juventude confirma, tem contribuído grandemente para o bem-estar dos jovens. No entanto, não podemos perder de vista os jovens que não estão bem ou que foram mais afetados pela crise sanitária e não deixaremos de lhes dar uma atenção especial.

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