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Empresas com mulheres na chefia têm melhores resultados. Mas Luxemburgo deixa muito a desejar
Sociedade 4 min. 24.05.2019

Empresas com mulheres na chefia têm melhores resultados. Mas Luxemburgo deixa muito a desejar

Empresas com mulheres na chefia têm melhores resultados. Mas Luxemburgo deixa muito a desejar

Foto: Pixabay
Sociedade 4 min. 24.05.2019

Empresas com mulheres na chefia têm melhores resultados. Mas Luxemburgo deixa muito a desejar

O Luxemburgo é dos países da Europa e Ásia Central onde há menos mulheres a ocupar cargos de chefia nas empresas.

Mais lucro, maior sucesso e maior captação de talento. São estas as maiores vantagens das empresas abertas à diversidade de género e que têm mulheres em cargos de liderança. São conclusões de um estudo feito à escala mundial através da análise de inquéritos realizados a quase 13 mil empresas de 70 países, onde se incluem Luxemburgo e Portugal. Mas, no que toca particularmente ao Luxemburgo, o país revela não ser muito 'generoso' com as mulheres. 

No estudo "Women in Business and Management: the business case for change", apresentado recentemente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) referente aos países da Europa e Ásia Central revela que  o Luxemburgo é dos países da Europa e Ásia Central onde há menos mulheres a ocupar cargos de chefia nas empresas. Atrás do Grão-Ducado só a Turquia, indicam os dados da OIT que prova também que as empresas que apostam na diversidade de género em cargos de topo obtêm lucros maiores.

Mais de 57% das empresas participantes referem que a "diversidade de género contribui para melhorar o seu rendimento empresarial". Mais: "60,2% das empresas registou melhorias e uma subida dos lucros entre 5 e 20%, sendo que a maioria revela ganhos entre 10 e 15%". 

"Esperávamos ver uma correlação positiva entre a diversidade de género e o sucesso nas empresas, mas estes resultados são surpreendentes", admitiu mesmo Deborah France-Massin, diretora da agência para as Atividades dos Empregadores da OIT responsável pelo estudo apresentado em Genebra, na Suíça. 

O estudo concluiu também que a diversidade de género atrai talento. Quase 57% das empresas inquiridas admitiram ser mais fácil atrair e reter pessoas talentosas. Mais de 54% fizeram progressos em termos de criatividade e inovação. "As empresas devem olhar para o equilíbrio de género como uma questão de fundo, não apenas como uma questão de recursos humanos", vincou a responsável da OIT.

Outro fator que surpreendente que salta à vista é o de que existe "uma correlação positiva entre o aumento da taxa de participação das mulheres e o crescimento do PIB a nível nacional". A equipa da OIT chegou a este resultado através da análise de dados de 186 países entre 1991 e 2017.

Os benefícios da presença feminina em cargos de liderança começam a ser notados quando as mulheres ocupam 30% desses cargos, indica o relatório. Mas, só 60% das empresas inquiridas admitiu não cumprir esta meta.


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Luxemburgo, o segundo país com menos mulheres na liderança

No grupo dos 47 países da Europa e Ásia Central analisados, o Luxemburgo surge em penúltimo lugar quanto à percentagem de mulheres a ocupar cargos de direção nas empresas. Em 2017 não chegam sequer aos 20%. Atrás do Luxemburgo, na última posição, está só a Turquia.

Os lugares cimeiros pertencem à Bielorrússia (mais de 45%), Letónia e República da Moldávia (pouco mais de 40%), respetivamente. Portugal situa-se em 20º lugar, com cerca de 35%. A ministra luxemburguesa do Interior e da Igualdade, Taina Bofferding, está ciente desta discrepância entre homens e mulheres nas chefias do Grão-Ducado, tendo traçado objetivos relativos às quotas da participação feminina na liderança das empresas estatais ou com participação estatal. 

"O Governo introduziu a quota no sentido de que pelo menos 40% dos membros dos Conselhos de Administração têm de ser mulheres nas empresas e instituições em que o Estado é acionista. É um instrumento eficaz. Pensamos que este exemplo mostra que esta mistura produz resultados e que a paridade deve ser o objetivo a que se deve chegar. É uma forma de sensibilizar o conjunto das empresas", disse Taina em entrevista ao Contacto em março passado

A ministra, uma das cinco mulheres entre os 17 homens que constituem o Governo do Grão-Ducado, revelou na altura que o seu ministério tem uma série de programas "de ação positiva" abertos às empresas públicas e privadas tendo em vista uma "maior paridade e também a igualdade salarial entre homens e mulheres". 

As razões da desigualdade

Os estudos insistem: as mulheres nas chefias trazem sucesso às empresas, melhoram a economia dos países e trazem vantagens sociais. Mas elas ainda lutam contra um universo quase exclusivo de homens nos cargos de topo. Porquê?

Como demonstra o relatório da OIT, o diretor executivo de mais de 78% das empresas participantes no estudo é um homem. De um modo geral, esta posição só é ocupada por mulheres no caso de pequenas empresas. A cultura corporativa que exige disponibilidade imediata "em qualquer lugar, a qualquer hora" é um dos maiores entraves à liderança feminina, dadas as suas responsabilidades domésticas e familiares, vinca o relatório.

Um dado que o governo luxemburguês tem em conta. Uma das prioridades do ministério de Taina Bofferding para atingir a paridade de género no país é a de "criar condições para que seja cada vez mais possível que a vida privada e a pública coexistam melhor", declarou em março passado. 

Outro fator salientado pelo estudo da OIT é o chamado "teto de vidro", ou seja, a tendência para o número de mulheres ir diminuindo à medida que se sobe na hierarquia. E sentar-se no conselho de administração de uma empresa ainda é muito difícil para uma mulher. 

Paula Santos Ferreira


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