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Emissões de CO2 caíram 17% no pico do confinamento
Sociedade 2 min. 19.05.2020

Emissões de CO2 caíram 17% no pico do confinamento

Emissões de CO2 caíram 17% no pico do confinamento

Uwe Anspach/dpa
Sociedade 2 min. 19.05.2020

Emissões de CO2 caíram 17% no pico do confinamento

Os especialistas falam num episódio temporário que só terá verdadeiro impacto com medidas estruturais que impeçam a "velha normalidade".

No pico do confinamento da pandemia, as emissões diárias globais de dióxido de carbono caíram 17%, segundo um estudo de uma equipa internacional de cientistas que avisa que, caso não haja qualquer indicação para manter os níveis de consumo e produção em baixa, as emissões poluentes podem voltar a subir. 

Liderados por Corinne Le Quéré, da Universidade de East Anglia no Reino Unido, os investigadores fizeram uma estimativa para medir o impacto do confinamento em seis setores de atividade, nomeadamente indústria, transportes, edifícios públicos, comércio, residências, energia e aviação em 69 países. 

O número não é um acaso já que são estes 69 países os responsáveis por 97% das emissões globais de CO2. Concluíram que em abril  os níveis de emissão caíram "para níveis que só foram vistos em 2006". De resto, o valor a redução de 17% foi observada a 7 desse mesmo mês. Só as quebras significativas na aviação representam uma diminuição de 10%. O trânsito, com a circulação de automóveis e transportes públicos reduzida a mínimos, representa uma fatia de 43% num bolo que os cientistas acreditam que deve dar pistas para o futuro. 

As maiores mudanças aconteceram na China – o país onde a covid-19 primeiro se manifestou e onde as medidas de confinamento começaram mais cedo –, com uma diminuição de 242 milhões de toneladas de CO2, nos Estados Unidos (menos 207 milhões de toneladas), na Europa (menos 123 milhões de toneladas) e na Índia (menos 98 milhões de toneladas).

Sentido de Oportunidade

Para um regresso à normalidade mais ecológico e sustentável, os investigadores traçaram alguns cenários. Na medida em que diminui a circulação de automóvel, o teletrabalho é visto como uma arma do futuro. Reduzir a emissão global de gases de estufa também passa por privilegiar a bicicleta em vez do automóvel e até a caminhada em vez do transportes público que, de qualquer das formas, é sempre melhor opção à quantidade de poluição que pode ser gerada numa fila de trânsito à entrada ou à saída do Luxemburgo, em hora de ponta. 

"Existem oportunidades para se fazerem mudanças reais e duradouras e sermos mais resilientes a crises futuras, implementando pacotes de estímulos económicos que também ajudem a alcançar as metas climáticas, especialmente ao nível da mobilidade, que representa metade da queda de emissões durante o confinamento", defende a investigadora que liderou o estudo publicado esta terça-feira na na revista Nature Climate Change. 

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