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Emissões de carbono podem ultrapassar valores registados antes da pandemia
Sociedade 3 min. 02.03.2021

Emissões de carbono podem ultrapassar valores registados antes da pandemia

Emissões de carbono podem ultrapassar valores registados antes da pandemia

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Sociedade 3 min. 02.03.2021

Emissões de carbono podem ultrapassar valores registados antes da pandemia

O alerta é dado pela Agência Internacional de Energia que anunciou que os valores das emissões têm estado a subir à medida que os países começam a desconfinar.

O mundo tem apenas alguns meses para impedir que as emissões de carbono da indústria energética ultrapassem os níveis pré-pandémicos já este ano, à medida que as economias começam a desconfinar, diz a Agência Internacional de Energia (AIE).

Os números mais recentes da instituição que acompanha esta indústria mostram que as emissões de combustíveis fósseis aumentaram de forma constante durante o segundo semestre do ano passado, à medida que as principais economias começaram a recuperar. Em dezembro de 2020, as emissões de carbono eram 2% mais elevadas do que no mesmo mês do ano anterior.

O regresso do aumento das emissões começou apenas meses após a covid-19 ter desencadeado a quebra mais profunda na produção de dióxido de carbono desde o final da segunda guerra mundial e ameaça frustrar as esperanças de que as emissões mundiais pudessem ter atingido o seu pico em 2019.

"Estamos a colocar em risco a oportunidade histórica de fazer de 2019 o pico definitivo das emissões globais", afirmou Fatih Birol, diretor executivo da AIE, ao The Guardian. "Se nos próximos meses os Governos não puserem em prática políticas corretas de energia limpa, podemos muito bem estar a regressar ao  negócio de produção intensiva de carbono de sempre. Isto contrasta fortemente com os ambiciosos compromissos assumidos por vários Governos".

A AIE foi um dos muitos grupos influentes a apelar aos governos globais para que implementassem planos de utilização de políticas energéticas verdes como estímulo económico na sequência da crise do coronavírus. No entanto, segundo The Guardian, apenas um pequeno número de grandes países começou a promover fundos de resgate para esforços de baixos índices de carbono, tais como energias renováveis, veículos elétricos e eficiência energética no ano passado.

O primeiro relatório da agência que refere as emissões mensais de carbono por região encontrou uma forte correlação entre os países que criaram pacotes de estímulo económico com um benefício ambiental líquido - tais como França, Espanha, Reino Unido e Alemanha.

Entretanto, os países que tinham feito as menores contribuições para as medidas de estímulo económico verde, como a China, a Índia, os Estados Unidos e o Brasil, registaram uma recuperação acentuada das emissões de carbono no segundo semestre do ano passado, quando as suas economias começaram a reabrir.

"Este é um sinal claro de que os governos não colocaram tantas políticas de energia verde nos seus pacotes de recuperação económica como deveriam ter colocado. Advertimos que se as políticas não fossem postas em prática, voltaríamos ao ponto em que estávamos antes da crise - que é o que está a acontecer hoje", alertou.

A China foi a primeira grande economia a emergir da pandemia e a levantar restrições e a única grande economia a crescer no ano passado, fazendo com que as suas emissões no último mês do ano subissem 7% acima dos níveis de dezembro de 2019. As emissões caíram 12% abaixo dos níveis de 2019 em fevereiro do ano passado, mas para o ano todo as emissões de carbono da China ficaram 0,8% acima de 2019.

Na Índia e no Brasil, as emissões mensais de carbono registadas em dezembro foram ambas 3% superiores às do final de 2019, um aumento acentuado em relação às restrições de confinamento em abril do ano passado, quando as emissões da Índia foram 41% inferiores às de 2019 e as do Brasil 23% inferiores às do mesmo ano.

A UE também atingiu um nível de emissões em abril passado de 22% abaixo dos níveis de 2019 e as emissões permaneceram 5% inferiores às do ano anterior em dezembro, em parte devido às contínuas restrições de viagens para ajudar a limitar a propagação da covid-19 e das suas variantes.

Birol insistiu que "não era demasiado tarde" para os governos evitarem que as emissões de carbono voltassem a atingir níveis mais elevados do que antes da pandemia do coronavírus, "mas está a tornar-se uma tarefa muito assustadora".

"Os governos de todos os países, e especialmente as grandes economias como os EUA, China, Índia, Europa e Japão, precisam de incluir políticas de energia limpa nos seus pacotes de recuperação económica", disse ele.

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