Escolha as suas informações

"Emergência climática" é a palavra do ano, segundo o dicionário de Oxford
Sociedade 3 min. 22.11.2019

"Emergência climática" é a palavra do ano, segundo o dicionário de Oxford

"Emergência climática" é a palavra do ano, segundo o dicionário de Oxford

Foto: Ronaldo Schemidt/AFP
Sociedade 3 min. 22.11.2019

"Emergência climática" é a palavra do ano, segundo o dicionário de Oxford

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A instituição inglesa refere que o uso da expressão cresceu 10,796%.

Emergência climática é a palavra do ano, segundo o dicionário de Oxford. De acordo com os dados recolhidos, a expressão foi 10,796% mais utilizada do que em anos anteriores e essa subida é bem clara num gráfico publicado. Esta instituição, que estabelece o cânone da língua inglesa, refere que a 'palavra do ano' é uma palavra ou expressão que através da sua utilização repetida reflete o estado de espírito e as preocupações do mundo em cada ano e tem "um potencial duradouro como conceito com relevância cultural".

O uso cada vez mais comum do termo captou a atenção dos linguistas, mas foi a evidência estatística que confirmou a predominância nas conversas e nas publicações ao longo dos últimos 11 meses. Segundo a análise quantitativa levada a cabo, "há uma rápida subida da expressão, de uma relativa obscuridade até se tornar uma das mais proeminentes - e mais debatidas - de 2019".

Emergência climática, segundo a definição oficial do dicionário de Oxford, é "a situação na qual é necessária ação urgente para reduzir ou travar as alterações climáticas de forma a evitar danos potencialmente irreversíveis". E a consciencialização cada vez maior sobre as questões climáticas e as múltiplas implicações das comunidades no mundo inteiro geraram uma "enorme discussão" sobre o que, sustenta a instituição, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, "chamou o assunto mais importante do nosso tempo".

O dicionário de Oxford refere ainda outros contributos para que a expressão se tivesse tornado numa das mais pronunciadas do ano atingindo o estatuto de relevância cultural. Um dos mais importantes foi a decisão do jornal inglês Guardian de em maio mudar o léxico que usa na cobertura de assuntos ambientais. Em vez de "alterações climáticas", esta publicação passou a usar "emergência climática", tendo sido seguido por outros meios de comunicação social.

A explicação do dicionário de Oxford, na sua página oficial, refere também o papel da publicação do relatório Aquecimento Global de 1,5ºC , no final de 2018, pelo IPCC (a agência da ONU sobre aquecimento global) e um artigo recente de 11.258 cientistas no qual os signatários dizem que a pesquisa científica mostra que "é claro e inequívoco que a Terra enfrenta uma emergência climática". Os dois relatórios foram amplamente divulgados pelos meios de comunicação de massas.

A expressão entrou ainda no universo político, com vários países, cidades e instituições a declararem o "estado de emergência climática", embora, segundo muitos ativistas e cientistas, sem que isso tivesse sido traduzido em ação concreta ou novas políticas.

Reflexo das preocupações crescentes com o estado do planeta, o relatório do dicionário de Oxford refere que muito embora a expressão "emergência climática" tenha ficado à frente do pelotão, outras da mesma família também se distinguiram entre as 10 mais usadas do ano. Foram elas: "ação climática"; "crise climática"; "negação climática"; "eco-ansiedade"; "ecocídeo"; "flight shame" (condenação social do transporte aéreo); "aquecimento global"; "net-zero" (zero emissões); "plant-based" (referente à alimentação com prevalência de vegetais) e "extinção".

"Tóxico" tinha sido a palavra escolhida pelo dicionário de Oxford em 2018, revelando uma outra ordem de preocupações.

Para este ano, o dicionário de Cambridge escolheu através de votação na página de Instagram, a palavra "upcycling" (reciclar dando uma utilização nobre) e o dicionário Collins, através de análise de dados, apontou a expressão "greve climática" como a mais relevante de 2019.

Nos últimos anos várias instituições passaram a escolher palavras do ano, como exercício de marketing ou de análise linguística, mas foi a American Dialect Society uma das pioneiras. Publica sem interrupção desde 1990 a sua escolha feita através de voto de linguistas filiados e refletindo sobretudo o universo de preocupações norte-americano. Em 2018 a palavra escolhida foi "tender-age shelter" (abrigos governamentais para menores filhos de migrantes ilegais) e em 2017 tinha sido "fake news". A escolha deste ano ainda não foi anunciada.