Escolha as suas informações

Em França, 11 milhões de pessoas confessam sentir solidão
Sociedade 2 min. 23.01.2023
Dia Mundial da Solidão

Em França, 11 milhões de pessoas confessam sentir solidão

Foto ilustrativa
Dia Mundial da Solidão

Em França, 11 milhões de pessoas confessam sentir solidão

Foto ilustrativa
Foto: Pixabay
Sociedade 2 min. 23.01.2023
Dia Mundial da Solidão

Em França, 11 milhões de pessoas confessam sentir solidão

Redação
Redação
Donas de casa, progenitores solteiros e pessoas com trabalhos pouco qualificados estão mais propensos a sentirem-se sozinhos. E as redes sociais podem não ajudar.

Cerca de 11 milhões de pessoas em França (20% sentem-se sós e 80% sofrem com isso) são afetadas pela solidão, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira. 

Mesmo uma "vida social preenchida" não os protege contra o sentimento de solidão, insistem os autores do relatório sobre "fragilidade relacional", publicado pela Fondation de France, a propósito do Dia Mundial da Solidão. 

Entre as pessoas que fazem parte de pelo menos duas "redes de sociabilidade", ou seja, convivem com familiares que não vivem sob o mesmo teto, amigos, vizinhos, colegas de trabalho ou uma associação, a taxa de solidão é de 17%. Alguns estão de facto "objetivamente rodeados mas sentem que a qualidade e natureza dos laços são insuficientes ou são mesmo uma fonte de sofrimento". 

O dinheiro influencia a solidão? Sim

Pobreza e solidão estão relacionadas. Quanto mais pobre se é, mais frágeis se tornam os laços sociais, segundo o estudo, que se baseia num inquérito a uma amostra de cerca de 3.400 pessoas e em entrevistas mais longas com pessoas apoiadas por associações.


Luxemburgo. Jovens sentem-se mais solitários e insatisfeitos com a vida
A maioria dos indicadores de bem-estar, analisados pelo Statec, aumentou em 2021, recuperando face a descidas no primeiro ano da pandemia (2020).

Quem fica em casa (sobretudo, mulheres) ou quem não tem qualificações, está também mais susceptível a sentire-se isolado, uma vez que "o trabalho doméstico a tempo inteiro acentua o sentimento de afastamento do mundo social" e "os empregos pouco qualificados (...) têm pouco valor acrescentado em termos de relações", pode ler-se no relatório. 

A solidão está também mais presente entre os progenitores solteiros (muitas vezes, mães), ou pessoas que vivem ou viveram em casas de assistência social ou na prisão, por exemplo. 

A importância de reconhecer a solidão 

O fenómeno pode ser agravado pelas dificuldades de certos grupos, como por exemplo os idosos, em dominar as ferramentas digitais.   

O "sobreconsumo" das redes sociais tem um efeito negativo na perceção da solidão: "Carole tem 282 amigos, 221 seguidores, 325 contatos profissionais, mas ninguém para a apoiar num momento difícil", resume a associação especializada Astrée, citada no relatório. 

No entanto, este é um assunto ainda longe de se tornar confortável para muita gente. "É difícil definir-se como estando sozinho", diz Elisabeth, 57 anos, divorciada, desempregada e participante no estudo. 

Como forma de os encorajar a "falar sobre isso e a pedir ajuda", é necessário "desestigmatizar" a solidão, falar sobre ela e perceber que está enraizada na sociedade. 

Os autores do estudo esperam conseguir encorajar as pessoas, nomeadamente os participantes, a promoverem uma "emancipação" e  "participação" ativa na própria vida. 


Com AFP*

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.