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Efeitos do álcool mantêm-se durante seis semanas sem beber
Sociedade 2 min. 13.04.2019

Efeitos do álcool mantêm-se durante seis semanas sem beber

Efeitos do álcool mantêm-se durante seis semanas sem beber

Foto: DR
Sociedade 2 min. 13.04.2019

Efeitos do álcool mantêm-se durante seis semanas sem beber

O estudo que foi realizado por equipas de cientistas espanhóis e alemães de vários institutos, fizeram ressonâncias magnéticas a 91 pacientes internados num programa de desintoxicação, com uma idade média de 46 anos, comparando-as com exames idênticos de 36 homens, sem problemas de alcoolemia. Além dos humanos, o grupo de cientistas também realizou o estudo com ratos.

O consumo exagerado de álcool provoca efeitos nocivos no cérebro. E mesmo quando se para de beber – nem uma gota mais – os efeitos continuam ativos e a prejudicar o seu cérebro durante seis semanas.

Até agora os cientistas pensavam que o álcool era como o tabaco. Os efeitos nocivos no cérebro deixavam de ocorrer após um breve período de abstinência. No tabaco, tal acontece passados 20 minutos depois de se fumar um cigarro.

Afinal, com o álcool não é assim. O abuso de bebidas alcoólicas provoca estragos muito maiores a nível cerebral e muito mais longos. Uma investigação hispano-alemã, publicada na revista médica “JAMA Psychiatry”, vem provar que a deterioração cerebral que gera o abuso continuado de bebidas alcoólicas mantém-se durante seis semanas, mesmo que nesse período não se toca sequer numa gota de álcool. Durante as seis semanas “continuam a produzir-se alterações na matéria branca do cérebro”, realça o coordenador do estudo Santiago Canals, acrescentando que até aqui, “nada fazia acreditar que perante a abstinência do álcool, os danos cerebrais continuassem a acontecer”.

O estudo que foi realizado por equipas de cientistas espanhóis e alemães de vários institutos, fizeram ressonâncias magnéticas a 91 pacientes internados num programa de desintoxicação, com uma idade média de 46 anos, comparando-as com exames idênticos de 36 homens, sem problemas de alcoolemia. Além dos humanos, o grupo de cientistas também realizou o estudo com ratos.

“As pessoas alcoólicas, são em geral policonsumidoras. Também fumam, uma alta percentagem consome drogas e muitos têm doenças do foro psiquiátrico.  São fatores de confusão que nos dificultam estabelecer relações causais”, explicou Canals.

Contudo, graças a uma experiência realizada em ratos fêmeas, em que os cientistas geraram uma única dependência, a do álcool, o estudo concluiu que os danos observados no cérebro, durante as tais seis semanas eram exatamente iguais aos ocorridos nos outros estudos, ou seja, os danos eram provocados unicamente pelo álcool, concluíram os cientistas. O hemisfério direito e a área frontal do cérebro são as zonas onde ocorrem as alterações nocivas desta substância.

“Alguma toxicidade direta do álcool acaba, mas outros danos continuam”, avança Canals que sublinha que esta investigação pode abrir caminho para a elaboração de terapias para combater os efeitos mais perversos do álcool e as suas recaídas.

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