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EDITORIAL: Simplificar a integração
Corinne Cahen, ministra da Família e Integração, entrega certificado de participação de curso cívico a um imigrante.

EDITORIAL: Simplificar a integração

Foto: Anouk Antony
Corinne Cahen, ministra da Família e Integração, entrega certificado de participação de curso cívico a um imigrante.
Editorial Sociedade 2 min. 10.01.2018

EDITORIAL: Simplificar a integração

Uma política de acolhimento e integração da diversidade é aquela em que ninguém fica para trás por qualquer tipo de diferenciação.

Por Paulo Jorge Pereira - A situação económica do Luxemburgo, seja vista no quadro dos países da União Europeia, seja num plano isolado, apresenta uma panorâmica geral de cariz muito positivo e os índices de crescimento anual aí estão para ilustrar essa realidade. Mas nem tudo é fácil: por exemplo, o relatório da OCDE de junho do ano passado aponta diversas áreas em que é desejável introduzir alterações para melhorar o desempenho do tecido económico luxemburguês.

A ideia de que o crescimento económico será tanto melhor quanto mais inclusivo se mostrar conduz à recomendação de que haja mais esforços políticos, sobretudo no âmbito do mercado laboral, com o objetivo de simplificar a integração dos estrangeiros. O documento lembra números elucidativos: 85% dos cerca de 290 mil expatriados chegam de países da União, sendo portugueses, franceses ou italianos a maior fatia. Entre os perto de 20 mil que chegam todos os anos, um quinto, excluindo quem procura asilo, tem origem fora da Europa (chineses, americanos e cabo-verdianos). Uma população com tão vincada diversidade deve ver contemplada, na prática e cada vez mais, medidas da respetiva integração na sociedade.

A expressão-chave é esta: simplificar a integração. E, se a OCDE recomenda que isso seja feito em especial através do mercado de trabalho, não deixa de lembrar como continua a ser necessário um caminho também – e talvez como medida mais aprofundada e urgente – na área da educação. Até porque os resultados desse investimento político estão, em parte, espelhados no desempenho de cada aluno. Uma política de acolhimento e integração da diversidade é aquela em que ninguém fica para trás por qualquer tipo de diferenciação. Não há bons e maus estudantes em função dos países de origem – há estudantes que precisam de ser compreendidos e enquadrados numa fase crucial das suas vidas. Entender isto é construir sociedades mais justas, equilibradas e solidárias.

Assinar protocolos e acordos faz parte das atribuições de cada Governo. Porém, é preciso que os documentos assinados não sejam letra morta e se traduzam em mais do que a simples vontade de mudar. A vontade concretiza-se, sai dos gabinetes, ultrapassa papéis, ganha cor, cheiro e dimensão na realidade. E os primeiros a agradecer que não fique tudo na mesma para que alguma coisa mude são os cidadãos.

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