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Editorial. "Se acha que a educação é cara experimente a ignorância"
Editorial Sociedade 3 min. 16.09.2020

Editorial. "Se acha que a educação é cara experimente a ignorância"

Editorial. "Se acha que a educação é cara experimente a ignorância"

Foto: AFP
Editorial Sociedade 3 min. 16.09.2020

Editorial. "Se acha que a educação é cara experimente a ignorância"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A frase de um antigo reitor da Universidade de Harvard, Derek Bok, torna-se mais verdadeira cada dia que passa.

Mais de 1,6 mil milhões de alunos estiveram afastados da escola durante o confinamento. Estima-se que, no futuro, estes estudantes irão perder cerca de 3% do seu rendimento médio anual estimado, quando entrarem no mercado de trabalho. 

E a falta que a escola faz. Que o digam milhões de pais e alunos obrigados a ficar em casa durante mais de dez semanas. Um afastamento que teve demasiados custos e que ninguém quer voltar a viver.

Pais à beira de um ataque de nervos. Estudantes desesperados por voltarem a rever os seus colegas. Jovens com o quotidiano virado do avesso por falta de rotinas. O cenário que se repetiu em milhões de casas, em todo o mundo, acaba esta semana com o, tão esperado, regresso às aulas. Se dúvidas havia, este "lockdown" dos estabelecimentos de ensino voltou a lembrar-nos da importância estruturadora da escola.

Numa entrevista exclusiva ao Contacto, que publicamos esta semana, Claude Meisch, ministro da Educação, revela que os estudantes perderam muito mais do que imaginamos com este encerramento das escolas.

Por isso tudo foi feito nos estabelecimentos de ensino para que se garanta "o máximo de educação e o mínimo de vírus". A palavra de ordem é manter as escolas abertas. Porque o custo de encerrar os estabelecimentos de ensino é demasiado elevado. Impor a quarentena numa escola "só em casos excecionais", revela o ministro. Mas caso seja necessário fazê-lo o sistema está preparado para transmitir as aulas em direto para casa dos alunos, permitindo aos estudantes fazer perguntas e pedir explicações ao professor 'live'. 

Uma escola mais inclusiva

Para combater o insucesso escolar dos alunos de origem portuguesa, o ministro da Educação revelou que no próximo ano letivo será lançada uma escola europeia pública na cidade do Luxemburgo. E mais se deverão seguir. Os portugueses já são a maioria dos estudantes estrangeiros nas escolas públicas luxemburguesas. Este modelo das escolas europeias, pode ser a resposta que faltava por garantir um processo de ensino-aprendizagem que mais se adapta a alunos com diferentes nacionalidades, permitindo-lhes escolher como primeira língua a sua língua materna. Um modelo mais inclusivo que respeita as diferenças culturais e que vai permitir aumentar a percentagem de portugueses que chegam longe no sistema educativo luxemburguês.

Um progresso que terá um efeito multiplicador ao permitir uma progressão social e cultural da comunidade lusófona no Luxemburgo.


Luxemburgo é um dos países com maior risco de perder estudantes estrangeiros devido à covid-19
Relatório da OCDE conclui que o Grão-Ducado é um dos estados mais expostos ao impacto que as mudanças da pandemia podem trazer à internacionalização do ensino superior.

Porque os números não mentem. Chegar mais longe no sistema educativo significa salários mais altos quando se entra no mercado de trabalho. O estudo internacional da OCDE "Olhares sobre a Educação 2020", que acaba de ser publicado, revela que a população ativa com um grau académico recebe, em média, mais 46% que os trabalhadores sem formação superior no Grão-Ducado.

Números confirmados pelo estudo do Statec, organismo de estatísticas do Luxemburgo, que revela que quem trabalha no setor financeiro ganha , em média por ano, quase cem mil euros brutos, o dobro dos trabalhadores dos setores de bares, restaurantes, hotéis e cafés.

Na edição deste semana trazemos tudo o que precisa de saber neste regresso à escola. Publicamos também uma reportagem sobre as primeiras horas de alunos e pais neste reencontro com os professores.

Vergonha!

Descobrir casos de escravatura no Luxemburgo, sobre as ordens de um patrão português, que contratava ao engano em anúncios publicados na imprensa portuguesa é a história que faz a manchete da nossa edição desta semana. Uma investigação exclusiva do jornalista Ricardo J. Rodrigues que só pode gerar indignação. Uma população fragilizada que não sabe mais para onde se virar. O desespero leva-os a cair em armadilhas desumanas como esta. Denunciamos o caso na esperança que não volte a acontecer.

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O deputado Paulo Pisco