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Editorial. Porque é que elas gerem melhor a luta contra a covid-19?
Editorial Sociedade 2 min. 09.09.2020

Editorial. Porque é que elas gerem melhor a luta contra a covid-19?

Editorial. Porque é que elas gerem melhor a luta contra a covid-19?

Fotos: Stefan Sauer/dpa-Zentralbild/dpa
Editorial Sociedade 2 min. 09.09.2020

Editorial. Porque é que elas gerem melhor a luta contra a covid-19?

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Os resultados na luta contra a covid-19 são "sistematicamente melhores nos países liderados por mulheres" revela um estudo divulgado pelo Fórum Económico Mundial. Uma lição para o mundo tem sido a estratégia da Comissão Europeia ao negociar em bloco o acesso às futuras vacinas contra o coronavírus.

O estudo passou quase despercebido, mas revela conclusões surpreendentes. Um relatório divulgado pelo Fórum Económico Mundial conclui que países liderados por mulheres tiveram, em média, metade das mortes resultantes da covid-19 que os estados liderados por homens. Para chegarem a esta conclusão os investigadores analisaram indicadores de cerca de 200 países.

O estudo revela que os resultados do combate à covid-19 "são sistematicamente melhores nos países liderados por mulheres". O relatório publicado pelo Centre for Economic Policy Research afirma que a diferença é real e "pode ser explicada pelas respostas políticas proativas, mais rápidas e coordenadas" adotadas pelas líderes femininas. A alemã Angela Merkel, a neozelandesa Jacinda Ardern, a dinamarquesa Mette Frederiksen, a taiwanesa Tsai Ing-wen e a finlandesa Sanna Marin são apontadas como exemplos de líderes políticas que têm gerido de forma mais eficaz o combate à covid-19.


Covid-19. Países liderados por mulheres têm melhores resultados na luta contra o coronavírus
Estudo divulgado pelo Fórum Económico Mundial revela que países liderados por mulheres têm, em média, metade das mortes dos estados liderados por homens.

Na edição impressa desta semana mostramos também como a Europa está a dar uma lição ao mundo de coordenação no processo para garantir o acesso às futuras vacinas contra a covid-19. "Ou todos seguros ou ninguém", é a palavra de ordem. A Comissão Europeia assumiu em nome dos 27 países a negociação com as farmacêuticas para a compra da vacina, como revelamos no destaque desta edição, assinado pela jornalista Telma Miguel. O que garante o acesso a grandes quantidades a preços mais competitivos. Este é um exemplo claro de "realizações concretas que criam uma solidariedade de facto", fatores que Robert Schuman, um dos fundadores do projeto europeu, considerava "essenciais" para a construção europeia. "A Europa não será construida de uma só vez, ou através de uma série de projetos: será construída através de realizações concretas que criem uma solidariedade de facto". Uma frase de Schuman que pode ser lida no monumento em sua homenagem erigido na cidade do Luxemburgo.

Já o processo das ajudas europeias à crise económica provocada pela pandemia deixa muito a desejar em matérias como a coordenação e coesão. A desproporção dos programas de apoio à recuperação económica, aprovados por cada país, poderá agravar ainda mais as desigualdades entre estados-membros, numa Europa que já funciona a várias velocidades. A Alemanha apontada como o motor da economia europeia avançou, por sua conta própria e risco com um programa de apoio à economia de até 750 mil milhões de euros, um valor equivalente ao fundo de recuperação europeu para todos os 27.

Paradoxalmente, a frugal Holanda, defensora acérrima do rigor das contas públicas, acaba de aprovar um pacote de 20 mil milhões de euros de apoio à sua economia.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia considerou que as "enormes" diferenças na ajuda que cada Estado-membro consegue destinar ao apoio da economia, mitigando os efeitos da covid-19, podem dificultar a recuperação e a convergência. "Na União Europeia só pode haver uma forte recuperação se todos recuperarmos juntos", acrescentou. O que, até agora, ainda está por fazer.

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