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EDITORIAL: Comunidade e responsabilidade
Editorial Sociedade 2 min. 17.01.2018

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Foto: Arquivo LW/CMC
Editorial Sociedade 2 min. 17.01.2018

EDITORIAL: Comunidade e responsabilidade

O caminho é o da memória e o do apoio, recordando as dificuldades sentidas à chegada e ajudando quem vem de novo.

Por Paulo Jorge Pereira - A atualização dos dados sobre o Luxemburgo que o portal oficial do Grão-Ducado publica em infografia de forma periódica confirma números já habituais: dos 590 mil habitantes, 16,4% são portugueses, representando esta percentagem a principal presença estrangeira no país, à frente de franceses (7,5%) e italianos (3,6%) num total de 170 nacionalidades.

É uma comunidade fundamental para o desenvolvimento económico luxemburguês e a sua influência tem sido reconhecida pelas autoridades. E não se trata de distinguir entre mais ou menos qualificados, mais ou menos jovens, com mais ou menos tempo de presença no Luxemburgo. Todos desempenham um papel com reflexos no dinamismo diário de um país que é exemplo no contexto da União Europeia pelas constantes elevadas taxas de crescimento.

O peso da comunidade portuguesa não é, contudo, apenas um motivo de orgulho para os seus representantes. Ser a maior presença estrangeira no Luxemburgo implica ter a noção da responsabilidade dessa participação diária repartida por dar e receber, incluir direitos e deveres, trabalhar e descansar como acontece em qualquer país do mundo.

E também envolve a necessidade de compreender quem está e quem chega – por exemplo, não é razoável que haja estrangeiros que se esqueçam da sua própria experiência e possam ser mais papistas do que o Papa perante quem está a chegar. A solução não está em mensagens mais ou menos diretas, apontadas por alguns dos próprios não-luxemburgueses residentes, no sentido de manter à distância ou repelir quem pondere a possibilidade de chegar ao território luxemburguês. O caminho é o da memória e o do apoio, recordando as dificuldades sentidas à chegada e ajudando quem vem de novo. É esta resposta, feita de solidariedade e de entreajuda, que faz de cada comunidade um exemplo categórico de constante incentivo.

Ainda segundo o portal oficial, a população atinge os 590 mil habitantes, quase metade são estrangeiros, trabalham cerca de 400 mil pessoas no país (73% do emprego total está nas mãos de residentes não-luxemburgueses) e 177 mil delas são transfronteiriços. A força dos estrangeiros está bem expresso na indicação indesmentível dos números, mas não se confina a esse reduto. Ela está em todos os quadrantes de uma sociedade que pulsa a cada dia sob a movimentação de gente lutadora, empenhada e aplicada.

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