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"É um tabu arrepiante". Homens juntam-se para discutir a violência contra as mulheres
Sociedade 3 min. 22.11.2021
Orange Week

"É um tabu arrepiante". Homens juntam-se para discutir a violência contra as mulheres

O objetivo é sensibilizar mais homens para as causas do movimento feminista, que "está organizado, é mobilizador e tem um impacto na sociedade".
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"É um tabu arrepiante". Homens juntam-se para discutir a violência contra as mulheres

O objetivo é sensibilizar mais homens para as causas do movimento feminista, que "está organizado, é mobilizador e tem um impacto na sociedade".
Foto: Shutterstock
Sociedade 3 min. 22.11.2021
Orange Week

"É um tabu arrepiante". Homens juntam-se para discutir a violência contra as mulheres

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
No contexto da Orange Week ("Semana Laranja"), que assinala o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, a 25 de novembro, um grupo de homens da plataforma feminista JIF decidiu organizar a primeira reunião aberta para discutir a cultura patriarcal e a violência a partir de uma perspetiva masculina.

Charles Vincent, um dos organizadores do encontro, afirma que o assunto ainda é um tabu e salienta a importância da comunicação entre os homens na prevenção da violência contra as mulheres.

O evento, organizado pelo grupo "Homens Solidários" da JIF com o título "Cultura patriarcal e violência", é aberto só a homens e decorrerá na terça-feira, entre as 18h e as 20h, na Chambre des Salariés, na rue Pierre Hentges, na capital. 

Haverá, primeiro, um breve resumo de um estudo intitulado "Quando os rapazes se tornam rapazes", que conclui que os comportamentos tipicamente vistos como 'naturais' para os rapazes refletem uma adaptação às culturas que exigem rapazes emocionalmente estoicos, competitivos e agressivos para serem aceites como 'verdadeiros rapazes'. O grupo discutirá então os diferentes tipos de violência, antes de analisar as estatísticas sobre violência no Luxemburgo.

 Ainda falta a perspetiva masculina no debate  

A ideia de juntar um grupo só de homens para conversar sobre este tema "surgiu da necessidade de discutir a própria relação com a violência e a cultura patriarcal", explicou Charles Vincent. "É um assunto amplamente discutido entre os movimentos feministas, mas a perspetiva masculina ainda hoje falta no debate. No entanto, é uma parte essencial do avanço da situação social de violência". 

O organizador salienta ainda que é preciso "dar créditos" às mulheres da JIF, que "há já alguns anos estabelecem os pilares" da conversa e deram aos homens da plataforma "todas as ferramentas e recursos para organizar o evento".

Segundo o responsável da organização, o estudo que será apresentado no encontro pretende mostrar como a cultura patriarcal molda a comunicação ea  interação masculina desde tenra idade, esculpindo comportamentos violentos em homens em crescimento. 

Depois será feita a "diferenciação das violências mais condenáveis: feminicídios, danos físicos, micro agressões e verbalizações violentas, explicando também as violações sistémicas patriarcais como abusos económicos ou políticos".

No fim da apresentação, após um contributo sobre estatísticas, incluindo a falta de dados sobre violência e violência doméstica, os homens iniciarão uma conversa aberta.


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Cultura patriarcal "fomentada pelos homens"

Para Charles, a reunião tem redobrada importância porque o assunto ainda "é um tabu" entre os homens e isso é um "problema arrepiante". "Mesmo se nós próprios não perpetuarmos a violência, todos conhecemos homens violentos. Faltam-nos os contextos para verbalizar esta violência e confrontá-la entre as masculinidades, pelo que temos uma questão codificada por uma cultura patriarcal que não está a ser discutida pelos homens e que, em consequência, não pode ser resolvida", apontou, justificando que isso não se deve apenas ao "fracasso" na comunicação, mas também por ser uma "característica que é fomentada pelos homens".

  "Sentimo-nos mais violentos quando estamos juntos?"  

Por essa razão, uma parte da conversa irá centrar-se na comunicação entre os homens e na "masculinidade hegemónica", deixando no ar a pergunta: "Sentimo-nos mais violentos quando estamos juntos e como reagimos à violência ou como a abordamos?" 

O objetivo é sensibilizar mais homens para as causas do movimento feminista, que "está organizado, é mobilizador e tem um impacto na sociedade", disse Charles, abrindo a porta para uma das soluções: "Especificamente, no tema da violência contra as mulheres, a situação só pode avançar através de um questionamento e de uma transformação ativa dos perpetradores de violência, em grande parte os homens", acrescenta.

O organizador convida "todos os homens de todas as masculinidades" a participar na conversa, podendo inscrever-se através de um formulário online, e em novas ações no futuro, pois "todos são necessários". 

Após esta primeira reunião, o grupo "Homens Solidários" pretende fazer parte da organização JIF e não ser apenas "um grupo paralelo de homens aliados", participando no movimento até ao próximo grande encontro, a 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

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