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"É possível ocorrer uma segunda vaga da epidemia no verão"
Sociedade 4 min. 14.05.2020 Do nosso arquivo online

"É possível ocorrer uma segunda vaga da epidemia no verão"

"É possível ocorrer uma segunda vaga da epidemia no verão"

Foto: ScienceRelations
Sociedade 4 min. 14.05.2020 Do nosso arquivo online

"É possível ocorrer uma segunda vaga da epidemia no verão"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O investigador Paul Wilmes, da Universidade do Luxemburgo, explica porque o número de doentes infetados pode ser 10 vezes superior ao do oficial.

A grande maioria da população do Luxemburgo ainda não teve qualquer contacto com o novo coronavírus. Para já parece um bom sinal. Só que sem a exposição ao vírus não se ganha anticorpos, o que significa um maior risco de acontecer uma segunda vaga da pandemia no país, desta doença para a qual ainda não há vacina. E esta segunda vaga pode ocorrer já no verão como admite ao Contacto o investigador Paul Wilmes, porta-voz da ‘task force’ Covid-19, a vasta equipa que reúne cientistas do Luxemburgo que estão a estudar a pandemia.

Os primeiros resultados do estudo ‘CON-VINCE’ que visa avaliar a prevalência e as dinâmicas da propagação do SARS-coV-2 no Luxemburgo, desenvolvido por esta ‘task force’ salientaram esta fraca imunidade da população face a este vírus.

Testes serológicos realizados entre a amostra de indivíduos seguidos neste estudo, mais de 1.800, “revelaram que 1,9% deles (35) possuíam anticorpos em relação ao coronavírus”, declara o investigador Paul Wilmes. O que significa que estas pessoas devem ter estado em contacto com o vírus nas últimas semanas.

Se aplicarmos esta percentagem em relação à população do Luxemburgo, de cerca de 614 mil pessoas, isso significa que quase “12 mil pessoas terão estado em contacto com o SARS_coV-2”, estima este investigador da Universidade do Luxemburgo. Neste número estão incluídos doentes e assintomáticos.

Pode-se pensar que este número é elevado, mas não é em relação a uma imunidade coletiva. “São muito poucas pessoas, o que significa que a grande maioria da população não tem anticorpos contra a SARS-coV-2 e pode vir a ser infetada”, alerta Paul Wilmes recordando que “para travar a epidemia é necessário que entre 60% a 70% da população do país possua anticorpos contra o novo coronavírus”.

Perante estes dados o investigador não descarta a possibilidade do Grão-Ducado poder viver uma “segunda vaga da epidemia neste verão”.

O perigo dos assintomáticos

Para evitar este cenário e ainda sem vacina à vista, “há que realizar testes em grande escala entre a população para identificar quem está infetado e isolar estes doentes” para que não transmitam o vírus. Uma medida que considera indispensável nesta fase de desconfinamento.

E é aqui que entra outro resultado importante desta primeira fase do estudo ‘CON-Vince’: A percentagem de assintomáticos, ou seja, pessoas infetadas com o vírus não apresentam nenhum sintoma, ou muitos poucos sinais e que, por isso, não sabem que têm a doença. Um dos grandes perigos para a propagação da pandemia.

Os testes de despistagem (PCR) realizados aos participantes do ‘CON-VINCE para detetar a presença da SARS-CoV-2 revelaram que 0,3% da amostra (cinco participantes) testou positivo embora não tenha tido nenhum sintoma da doença, sendo por isso assintomático, ou apenas sinais muito ténues. Os investigadores estimam assim que 1.449 pessoas no Luxemburgo, não contando com os transfronteiriços, podem ter estado infetados, mas de forma assintomática, ou com muito fracos sintomas. Ou seja, nem deram pela doença, mantendo as suas rotinas. Com o desconfinamento, estes doentes assintomáticos podem propagar de forma mais ampla a infeção.

A identificação destes doentes assintomáticos é outra das prioridades na luta contra a pandemia, por isso, “a realização de testes em larga quantidade é tão importante”, realça Paul Wilmes.

O número de infetados pode ser 10 vezes superior

Este investigador declara mesmo que o número real de pessoas infetadas pode ser “10 vezes superior ao número oficial de infeções” no Grão-Ducado. Esta estimativa é feita com base num estudo realizado sobre a epidemia no distrito de Heinsberg, na Alemanha, onde surgiram os primeiros casos de covid-19 neste país, tornando-se o epicentro do surto, e o distrito mais afetado.

O governo do Luxemburgo consciente destes riscos pretende testar toda a população do país, realizando até 20 mil testes por dia. “Somos o país que mais testes realiza”, anunciou já a ministra Paulette Lenert.

Atualmente uma pessoa estando infetada quantas outras pode contagiar em tempo real? Pode contagiar uma pessoa, indica Paul Wilmes. O que é um sinal positivo pois houve uma fase do surto no Luxemburgo, em que uma pessoa doente podia contagiar até três indivíduos.

No final, Paul Wilmes deixa o alerta: “As regras do distanciamento social devem ser mantidas, as medidas de proteção devem ser respeitadas e o número máximo de pessoas deve ser testado”. Estas são as medidas mais eficazes para combater a epidemia, neste momento.

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