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Duas voluntárias apresentaram reações neurológicas a vacina da AstraZeneca
Sociedade 4 min. 22.09.2020

Duas voluntárias apresentaram reações neurológicas a vacina da AstraZeneca

Duas voluntárias apresentaram reações neurológicas a vacina da AstraZeneca

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 22.09.2020

Duas voluntárias apresentaram reações neurológicas a vacina da AstraZeneca

A farmacêutica está a desenvolver uma das vacinas contra a covid-19 e está a ser alvo de pressão pública, sendo acusada de revelar poucos detalhes sobres os casos.

 Duas voluntárias em ensaios clínicos da vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca desenvolveram uma doença neurológica grave. 

Os resultados dos testes à vacina, que está a ser desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, foram revelados no fim de semana, numa altura em que as empresas farmacêuticas e os países estão sob pressão para serem mais transparentes sobre como estão a testar fármacos que são vistos como a melhor hipótese de combate à pandemia.

Mas os especialistas alertam para esta pressão de tornar públicos protocolos científicos em fases de desenvolvimento. 


Covid-19. Ensaios de vacina Oxford suspensos após reação adversa num paciente
Os ensaios clínicos da vacina desenvolvida por Oxford e AstraZeneca foram suspensos na terça-feira à noite, devido a efeitos secundários inesperados.

"A libertação destes protocolos parece refletir alguma pressão pública para o fazer. Esta é uma situação sem precedentes, e a confiança do público é uma parte muito grande do sucesso desse empreendimento", afirmou ao jornal 'The New York Times' Natalie Dean, bioestatística e especialista em conceção de ensaios clínicos para vacinas, da Universidade da Florida.

Por outro lado, segundo o mesmo jornal, os peritos têm-se manifestado preocupados com os ensaios de vacinas da AstraZeneca, que tiveram início em abril no Reino Unido, devido à recusa da empresa em fornecer mais detalhes sobre as doenças neurológicas graves em duas participantes, ambas mulheres, que receberam a sua vacina experimental na Grã-Bretanha. 

Estes casos terão estado na suspensão dos ensaios duas vezes, a segunda vez no início deste mês. 

Michele Meixell, porta-voz da farmacêutica justifica as reticências em dar detalhes sobre essas interrupções e os efeitos nas duas voluntárias, com os procedimentos científicos correntes de não divulgar os protocolos dos ensaios clínicos publicamente, "devido à importância de manter a confidencialidade e integridade dos ensaios".

O que se sabe dos efeitos secundários nas duas voluntárias

Em julho, a AstraZeneca revelou alguns detalhes sobre os efeitos secundários da vacina nas duas voluntárias que desenvolveram reações adversas.

Num dos casos, a participante recebeu uma dose da vacina antes de desenvolver uma inflamação da medula espinal, conhecida como mielite transversa e que pode causar fraqueza nos braços e pernas, paralisia, dor e problemas intestinais e da bexiga.


Oxford retoma testes da sua vacina contra a covid-19
A universidade indicou que as provas da vacina, que é desenvolvida em conjunto com a farmacêutica AstraZeneca, serão retomados no Reino Unido após uma pausa no passado dia 06 de setembro.

"Um voluntário nos ensaios do ChAdOx1 nCoV-19 desenvolveu sintomas de mielite transversal (inflamação da medula espinal), não requereu tratamento médico e está a ser investigado, embora a causa seja incerta", refere a informação publicada na altura pela farmacêutica.

O caso provocou uma pausa nos ensaios da vacina da AstraZeneca para permitir uma análise de segurança por parte de peritos independentes. Uma porta-voz da empresa disse ao jornal, na semana passada, que foi associado à voluntária uma situação anteriormente não diagnosticada de esclerose múltipla, não relacionada com a vacina, e que o ensaio foi retomado pouco tempo depois.

Já no segundo caso de efeitos negativos da vacina, o de uma participante que reagiu após a segunda dose da vacina e que deu origem à interrupção dos ensaios no início de setembro, o diagnóstico não foi confirmado oficialmente pela empresa. No entanto, uma fonte, que pediu o anonimato, confirmou ao New York Times que a doença dessa participante tinha sido identificada como mielite transversa e que o ensaio foi interrompido a 6 de setembro, depois de ela ter adoecido. 


Países mais ricos já reservaram metade das futuras doses de vacinas
Um grupo de países ricos, que representam 13% da população mundial, já adquiriu metade das futuras doses de vacina contra a covid-19 em estudo, indicou um relatório da organização não-governamental (ONG) Oxfam.

Numa ficha de informação dos participantes no ensaio da AstraZeneca na Grã-Bretanha, datada de 11 de setembro e a que o jornal americano teve acesso, a farmacêutica juntou os dois casos, declarando que as doenças eram "improváveis de serem associadas à vacina ou que não havia provas suficientes para afirmar com certeza que estavam ou não relacionadas com a vacina", com base em revisões de segurança. 

Ao mesmo jornal, especialistas explicaram que apesar de ser rara, esse tipo de inflamação é grave e que encontrar um caso entre milhares de participantes no ensaio não deixa de ser um alerta. No pior dos cenários, vários casos confirmados dessa reação adversa poderão ser suficientes para travar completamente a proposta de vacina da AstraZeneca. 

Os ensaios foram retomados no dia 12 de setembro, no Reino Unido e também no Brasil, Índia e África do Sul, mas ainda estão suspensos nos EUA. 

Cerca de 18.000 pessoas em todo o mundo participaram nos ensaios da vacina da AstraZeneca. 

Recorde-se que a Comissão Europeia já assinou um contrato com esta farmacêutica, mas continua a discutir acordos semelhantes com outros fabricantes de vacinas, como a Johnson & Johnson, a CureVac, a Moderna e a BioNTech.


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