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Diretor executivo da CBS demite-se por casos de abusos sexuais

Diretor executivo da CBS demite-se por casos de abusos sexuais

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 10.09.2018

Diretor executivo da CBS demite-se por casos de abusos sexuais

Leslie Moonves fora acusado por seis mulheres no final de julho e, entretanto, depois de mais acusações, acabou mesmo por demitir-se.

Aos 68 anos, Leslie Moonves deixou de ser diretor executivo da CBS, depois de novas acusações de assédio sexual terem sido divulgadas por órgãos de comunicação norte-americanos. No final de julho, Moonves já fora alvo de acusações por parte de seis mulheres, num trabalho divulgado pela revista The New Yorker, situação que a CBS prometeu submeter a investigação.

Na altura, a revista contou casos de beijos e carícias não desejados durante reuniões com mulheres, sucedidos duas dezenas de anos antes. Um deles foi relatado pela atriz e argumentista Illeana Douglas, referindo que, numa fase de crise do seu relacionamento com o realizador Martin Scorsese, em 1996, Moonves, "então ainda diretor do departamento de entretenimento da CBS", a interrompeu durante uma reunião para lhe perguntar "se estava solteira". Douglas continuou a falar sobre o argumento que estava em discussão e Moonves tornou a interrompê-la, perguntando se poderia beijá-la "e dizendo que a situação ficaria só entre os dois". De imediato, beijou-a com violência e, quando Illeana Douglas tentou libertar-se, ameaçou-a. Mais tarde seria demitida.

Leslie Moonves reconheceu, em declarações transmitidas pela CBS, que terá feito avanços indesejáveis a várias mulheres há alguns anos. "Foram erros que lamento imenso, até porque sempre soube que não é não", disse. E procurou uma escapatória ao lembrar que promovera "a cultura do respeito e das oportunidades para todos os funcionários" na CBS, promovendo mulheres para postos de responsabilidade.

Moonves apoiou o movimento #MeToo após as denúncias contra Weinstein e, no passado mês de dezembro, colaborou na criação da Comissão para a Eliminação do Assédio Sexual e para o Avanço da Igualdade no Trabalho.

Mas a sua continuidade na empresa à qual chegou em 1995 e que levou ao topo das audiências complicou-se desde que o trabalho de investigação jornalística foi publicado na revista The New Yorker por Ronan Farrow, o mesmo jornalista que denunciou as práticas abusivas do produtor cinematográfico Harvey Weinstein, recebeu por isso o Prémio Pulitzer e é filho do casal Woody Allen-Mia Farrow. No passado mês de maio, outro artigo de Ronan Farrow levou à queda de Eric Schneiderman, então procurador-geral do Estado de Nova Iorque.


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