Escolha as suas informações

Tribunal condena Ikea francês por espiar trabalhadores
Sociedade 2 min. 15.06.2021
Direitos laborais

Tribunal condena Ikea francês por espiar trabalhadores

Direitos laborais

Tribunal condena Ikea francês por espiar trabalhadores

Foto: Guy Jallay
Sociedade 2 min. 15.06.2021
Direitos laborais

Tribunal condena Ikea francês por espiar trabalhadores

AFP
AFP
O Ikea francês foi multado em um milhão de euros por espionagem de centenas de empregados ao longo de vários anos.

O tribunal penal de Versalhes considerou a Ikea francesa culpada da "receção de dados pessoais por meios fraudulentos", cometidos entre 2009 e 2012, e condenou a empresa a pagar um milhão de euros. Ainda que o veredito tenha sido o esperado, a pena ficou aquém da expectativa do Ministério Público, que tinha pedido uma multa de dois milhões de euros bem como uma pena de prisão para um dos antigos diretores executivos da empresa, Jean-Louis Baillot. 

Baillot, que exerceu o cargo de CEO entre 1996 e 2002, negou ter ordenado a vigilância dos trabalhadores. Foi agora condenado a uma pena suspensa de dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 50 mil euros. "Baillot está em choque, estamos a considerar um recurso", disse o advogado do antigo diretor à AFP. Já o sucessor de Baillot, Stefan Vanoverbeke no comando da empresa foi absolvido, uma vez que o tribunal considerou a falta de "elementos materiais" para o incriminar. 

A multa foi recebida pelo ramo francês da empresa de mobiliário com relativo alívio, já que era esperado uma multa de até 3,75 milhões de euros. Os juízes não conseguiram provar contudo o crime de apropriação indevida de informações pessoais. "O tribunal tomou em consideração os esforços feitos pela Ikea France, incluindo "a reestruturação da sua governação" e "a criação de um comité de ética", disse o advogado da empresa à AFP. 

Quem espiou? 

O caso de espionagem aos trabalhadores estava a ser investigado desde 2012 e recaía na acusação de vigilância "em massa" através dos registos criminais, observação do estilo de vida ou avaliação do património dos trabalhadores, contando com os serviços de uma empresa de investigação privada, a Eirpace. 

Uma das figuras mais importantes no processo é Jean-François Paris, o antigo chege de segurança da filial francesa, de 2002 a 2012. Paris admitiu ter utilizado os serviços da Eirpace a quem enviou listas de pessoas "para serem testadas". Foi condenado a 18 meses de prisão suspensa e 10.000 euros de multa. 

Ex-membro do serviço de informações, o diretor da Eirpace foi acusado de ter utilizado o STIC (System for Processing Recorded Offences) através de agentes da polícia. NO tribunal explicou que tinha usado a "imaginação e engenhosidade" para encontrar legalmente estes dados. Foi-lhe aplicada uma pena suspensa de dois anos e uma multa de 20.000 euros.

Lição para o futuro

Durante o julgamento, o Ministério Público pediu ao tribunal que a sentença fosse uma "mensagem forte" enviada a "todas as empresas comerciais". Contactado pela AFP, o Grupo Ingka, queengloba cerca de 90% das lojas de franchising do Ikea em todo o mundo, reiterou levar "muito a sério a proteção dos dados dos empregados e dos clientes". "Vamos agora examinar em pormenor a decisão do tribunal e determinar se e onde são necessárias outras medidas", acrescentou.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.