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déi Lénk quer que Luxemburgo reconheça emergência climática
Sociedade 5 min. 16.05.2019

déi Lénk quer que Luxemburgo reconheça emergência climática

déi Lénk quer que Luxemburgo reconheça emergência climática

Foto: Pierre Matgé
Sociedade 5 min. 16.05.2019

déi Lénk quer que Luxemburgo reconheça emergência climática

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
O Reino Unido tornou-se recentemente o primeiro Estado no mundo a adotar uma declaração de estado de emergência climática.

Os deputados do déi Lénk David Wagner e Marc Baum apresentaram esta quinta-feira uma resolução aos deputados luxemburgueses apelando para que o Luxemburgo reconheça o estado de emergência climática e que seja reforçada a luta contra os fenómenos provocados pelas alterações do clima. Os deputados propõe um conjunto de medidas e áreas de ação para os próximos tempos, incluindo duplicar os recursos financeiros na luta contra as alterações climáticas até 2020, estudar um conjunto de legislação que defenda o ambiente e criar condições para que a população e a sociedade civil sejam envolvidas neste combate civilizacional .

Recentemente, o Reino Unido tornou-se a primeira nação mundial a decretar o estado de emergência climática, algo que está a ter repercussões, como no caso luxemburguês. 

No documento enviado às redações, Wagner e Baum salientam que o Luxemburgo tem uma"pegada ecológica elevada", considerando, por isso, que o país tem uma "responsabilidade histórica" e a capacidade de tomar ações rápidas com vista "à descarbonização no consumo de energia". O Luxemburgo foi, inclusive, um dos 195 Estados que assinou e adotou os Acordos de Paris em 2016.

Estabelecidos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), regem medidas de redução de emissão de gases com efeitos de estufa a partir de 2020. O objetivo é o de conter o aquecimento global mantendo-o abaixo de 2 ºC, preferencialmente em 1,5 ºC.  Até agora, no país, pouco ou nada foi feito. Segundo a Global Footprint Network, a pegada ecológica do Luxemburgo é a segunda pior do mundo, a seguir ao Qatar.


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O segundo país mais rico do mundo entra hoje em bancarrota ecológica. Ainda só estamos em fevereiro, mas o Luxemburgo esgotou hoje os recursos que levarão um ano a renovar-se, segundo a Global Footprint Netwoork.

O déi Lénk pede à Câmara dos Deputados um conjunto de ações, em primeiro lugar, "o reconhecimento do estado de emergência climática no país a fim de alcançar, o quanto antes, a descarbonização completa do consumo de energia". 

O partido pede também que seja destinado às alterações climáticas o dobro dos recursos financeiros já em 2020. Esse investimento deve ser destinado, em grande parte, "à produção e armazenamento de energia renovável, bem como à eficácia e autossuficiência energética". Este esforço financeiro deverá ser acompanhado por "medidas legislativas ambiciosas a favor da proteção do clima", pode ler-se no documento.

Ao mesmo tempo, Wagner e Baum apelam a um  desenvolvimento mais rápido das redes de transporte públicos e de mobilidade no país, de forma conseguir diminuir a pegada ecológica. Por último, esperam que seja organizado um debate nacional sobre ações colectivas que dêem resposta ao estado de emergência climática, envolvendo instituições, sociedade civil e a população residente no Luxemburgo.

Em resposta ao apelo do déi Lenk, o deputado Henri Kox (Verdes, que constituem o atual governo) apresentou também hoje uma moção ao executivo luxemburguês, instando a uma maior ação dos governantes para fazer frente ao fenómeno. Entre as várias medidas, Henri Kox salienta metas mais ambiciosas de todos os setores no que respeita à pegada ecológica do Grão-Ducado, bem como um maior aproveitamento e eficácia das energias renováveis. 

"Extinction Rebellion" no Luxemburgo em breve

Depois do Reino Unido, o Luxemburgo é um dos primeiros países a colocar a questão da urgência climática na agenda política. Os deputados britânicos aprovaram em abril uma declaração de estado de emergência climática apresentada por Jeremy Corbyn, líder dos Trabalhistas. Apesar disto, o documento não tem efeitos vinculativos. O que contraria uma das reivindicações dos "Extinction Rebellion" (XR), organização ativista que nasceu há seis meses em Inglaterra, e cujo papel foi fulcral para a adoção desta declaração. 

Os XR já contam com dezenas de grupos associados no mundo inteiro, e em breve terão também o apoio do Luxemburgo. Em declarações ao Contacto, o ator e ativista Brice Montagne admitiu estar envolvido na criação de um "Extinction Rebellion" no Luxemburgo. "Já pedimos educadamente durante demasiado tempo", explicou. 

"Declarar a emergência climática e ambiental é um requisito essencial para pôr em prática todas as políticas com vista à transição energética", defendeu o activista do Rise for Climate. No entanto, avisa que enquanto não forem postas em prática medidas concretas, os grupos de ativistas pelo clima "continuarão a fazer pressão".    

Recorde-se que Brice Montagne pôs a nu a ignorância dos deputados luxemburgueses sobre mudanças climáticas em fevereiro passado. O caso aconteceu durante a discussão da petição anti-plástico na Câmara dos Deputados, a 6 de fevereiro. O ativista aproveitou a tribuna para testar o conhecimento dos deputados em relação às questões ambientais. Na altura, Brice Montagne aproveitou a tribuna para testar o conhecimento dos deputados em relação às questões ambientais. E ao facto de visivelmente os eleitos luxemburgueses não terem lido o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre a Evolução do Clima (GIEC, na sigla em francês, IPCC, em inglês), que revelou dados alarmantes sobre o aquecimento global e as alterações climáticas. 

Já Guilherme Serôdio, fundador do movimento XR na Bélgica, referiu recentemente que a "declaração de um estado de emergência climática é só uma das reivindicações dos XR". Sem as outras - a constituição de uma assembleia de cidadãos e um programa de transição económica e ecológica -, a declaração de estado de emergência será "vazia de conteúdo", assegurou. "Nem me parece que os políticos percebam muito bem o que esta declaração quer dizer", lamentou. 

Catarina Osório e Telma Miguel

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