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Degraus sagrados de Jesus em Roma são reabertos após 300 anos

Degraus sagrados de Jesus em Roma são reabertos após 300 anos

Foto: DR
Sociedade 1 2 min. 19.04.2019

Degraus sagrados de Jesus em Roma são reabertos após 300 anos

Reza a tradição que serão os 28 degraus sagrados que Jesus Cristo subiu no seu caminho para a crucificação. A Escada Santa, em Roma, esteve fechada envolta numa estrutura de madeira durante três séculos e foi reaberta agora, com a pedra à vista, mas só até junho.

A Escada Santa de Roma, que alguns católicos acreditam ter sido galgada por Jesus em Jerusalém, foi exposta pela primeira vez em quase três séculos, depois de ficar protegida por uma armação de madeira, e restaurada.

Os 28 degraus de mármore ficarão expostos temporariamente para que peregrinos devotos possam subi-los de joelhos, em contato direto com a pedra, e voltarão a ser cobertos em junho.

De acordo com a tradição, a escadaria, conhecida como "Scala Sancta", foi parte do palácio de Pôncio Pilatos em Jerusalém e foi levada a Roma em 326 d.C. por Santa Helena, mãe do imperador romano Constantino, depois que ela se converteu ao cristianismo.

Foi esta a escada que, segundo a Igreja Católica, Jesus Cristo terá subido, no Palácio de Pôncio Pilatos, em Jerusalém, quando foi julgado por este governador e condenado à morte, crucificado. Os degraus terão sido levados para Roma, em 326 d.C. por Santa Helena, mãe do imperador romano Constantino, depois da sua conversão ao cristianismo.

Contudo, há quem seja cético quanto a esta versão, acreditando mais que se trate de uma lenda ou de uma réplica simbólica da escadaria do Palácio de Pilatos.

Já em Roma, a Escada Santa, situada perto da basílica de San Giovanni in Laterano, foi encerrada pelo Papa Inocêncio XIII, em 1723, para as proteger do desgaste causado pelos visitantes.

Até então, milhões de peregrinos visitavam subiam as escadas de mármore, com revestimento de madeira, e estas estavam a sofrer muitos danos. Os peregrinos tinham por tradição subi-las de joelhos, nas suas promessas, e o desgaste da madeira era bem visível, nalguns degraus a madeira tinha diminuído 15 centímetros.

“Os joelhos dos peregrinos estavam esculpidos na madeira dos degraus”, contou o padre Francesco Guerra, reitor do Santuário da Escada Santa, na conferência da abertura da Escada Santa, onde se encontra também a Capela dos Papas.

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Nas escadas, sob os vincos da madeira, os restauradores dos museus do Vaticano encontraram verdadeiras relíquias de há 300 anos, moedas, fotos, rosários e pequenas notas manuscritas com orações ali deixadas pelos peregrinos, rezas, promessas e pedidos sobre doenças, amores e outras situações. A cada degrau, as descobertas sucediam-se.

“Assim que removemos as tábuas do primeiro degrau e encontrámos a primeira cruz, pequenina, e percebemos que estas descobertas não deveriam ficar guardadas. O público deveria poder vê-las”, reconheceu, por seu turno, Paolo Violini, coordenador do restauro dos museus do Vaticano.

Depois de removida a madeira dos degraus, o que mais impressionou os restauradores foi a descoberta de três cruzes, em três degraus, cada uma marcando gotas de sangue, que Jesus terá deixado cair enquanto o corpo era levado até ao cimo das escadas, segundo reza a lenda. Uma cruz era feita de bronze e outras duas de prata.

Nas paredes e no teto, os frescos do século XVI encomendados pelo Papa Sisto V, também foram restaurados. Estas pinturas tiveram um longo trabalho de recuperação pois estavam negras devido ao fumo de milhões de velas acendidas pelos peregrinos nas visitas à Escada Santa.

Francesco Buranelli, diretor do Museu do Vaticano não tem dúvidas: “Estes são alguns dos mais importantes frescos em Roma, embora não fosse conhecidos. Com eles inaugura-se uma nova página na arte do século XVII”.

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