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De onde vem o dinheiro da família real britânica?
Sociedade 3 min. 15.01.2020 Do nosso arquivo online

De onde vem o dinheiro da família real britânica?

De onde vem o dinheiro da família real britânica?

AFP
Sociedade 3 min. 15.01.2020 Do nosso arquivo online

De onde vem o dinheiro da família real britânica?

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Os duques de Sussex afirmaram que querem ser "financeiramente independentes". A decisão de Meghan e Harry voltou a levantar questões sobre como funcionam as contas na monarquia do Reino Unido.

A família real tem uma fortuna avaliada em  360 milhões de libras (cerca de 400 milhões de euros). No entanto, este não é dinheiro conseguido a "trabalhar" como qualquer outra pessoa.  

De todos os membros da família real, apenas as princesas Beatriz e Eugénia, filhas do príncipe André e netas da rainha Isabel II, ocupam cargos que lhes "pagam as contas", Beatriz na área da arte e Eugénia no mundo empresarial. No entanto, ainda recebem algum dinheiro da Coroa. 

Harry e Meghan pretendem seguir o mesmo caminho e ter a liberdade para trabalhar, ao deixarem de ser "membros seniores" da família real e almejando a independência financeira. Mas isto significa abdicar de que rendimentos? 

Os restantes membros reais vivem de três fontes de rendimento: o Sovereign Grant (subvenção soberana); a Privy Purse (trata-se da renda privada da família); e os investimentos pessoais.

Sovereign Grant 

Este rendimento é dado pelo Governo. É o dinheiro que resulta dos lucros gerados por propriedades e quintas da Coroa britânica (Crown Estate). 

A maioria vai para os cofres do Governo, mas entre 15% e 25% destina-se à família real. Cobre custos de viagens e segurança, salários de funcionários e manutenção dos palácios. 

No ano fiscal de 2016-2017, a rainha recebeu perto de 50 milhões de euros deste fundo, ao qual acresceu uma quantia extraordinária para financiar a renovação do Palácio de Buckingham.

É administrado por um órgão independente e obrigado a prestar contas anualmente à Câmara dos Comuns.

É a rainha quem decide as alocações específicas. Os príncipes William e Harry recebem anualmente cerca de 6 milhões de euros desta parcela. Supõe-se que o duque de Sussex fique com mais de metade porque William, segundo na linha de sucessão, tem maior responsabilidade e recebe rendimentos de outras fontes. 

Privy Purse  

Rendimentos provenientes do Ducado de Lancaster. Inclui propriedades urbanas e rústicas, pertencentes à monarquia britânica desde 1265, e que geram receitas anuais de cerca de 23 milhões de euros. 

A rainha Isabel II destina este dinheiro para os membros da família que não estão incluídos na 'nómina', lista com os nomes na folha de pagamentos da família real. É aqui que estão Beatriz e Eugénia. 

Carlos, o príncipe de Gales, herdeiro direto do trono, administra o Ducado da Cornualha que são 550 quilómetros quadrados de terras agropecuárias, áreas urbanas, ilhas e fazendas que correspondem ao primeiro na linha de sucessão desde 1337 e garantem sua independência financeira. 

Dele surge também a maior parte dos recursos destinados aos duques de Cambridge e de Sussex. 

Os gastos de Meghan e Harry eram assegurados em cerca de 95% pelo pai de Harry. Em 2018, ano em que Meghan ingressou oficialmente na família real, o financiamento foi acima de 5,8 milhões de euros.

Investimentos pessoais 

O património privado da rainha inclui símbolos da iconografia monárquica, como o Castelo de Balmoral, na Escócia , e o Palácio de Sandringham, em Norfolk. Uma coleção de arte e outra de selos coleção de selos, herdada de seu avô George V.

As mais significativas serão as ações em empresas e iniciativas privadas de propriedade da Casa de Windsor, afastadas do escrutínio público e que têm proporcionado sobressaltos constantes à Coroa. Entre elas, sua recente aparição nos Papers of Paradise, uma investigação internacional que revelou que a rainha havia investido parte do seu património num fundo radicado no território offshore das Ilhas Caimão.




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