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Cuba vai vacinar crianças a partir dos dois anos contra a covid-19
Sociedade 3 min. 15.09.2021
Covid-19

Cuba vai vacinar crianças a partir dos dois anos contra a covid-19

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Cuba vai vacinar crianças a partir dos dois anos contra a covid-19

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 15.09.2021
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Cuba vai vacinar crianças a partir dos dois anos contra a covid-19

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O país é o primeiro a avançar com a vacina para crianças tão pequenas, mas já há outros que começaram a vacinar menores de seis anos. Na Europa, para já, a vacina está apenas aprovada para menores a partir dos 12 anos.

Cuba vai começar a vacinar as crianças a partir dos dois anos de idade contra covid-19, a partir desta semana. O país torna-se, assim, o primeiro do mundo a anunciar oficialmente que vai avançar com a vacinação de crianças tão pequenas. 

O Centro de Controlo Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos (CECMED) de Cuba aprovou, no início de setembro, a Autorização de Utilização de Emergência (AUE) da vacina cubana Soberana-2, uma das vacinas contra a covid-19, desenvolvidas na ilha, para a "população pediátrica entre os 2 e 18 anos de idade".


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O regulador farmacêutico cubano defende que decidiu avançar com a vacina a partir desta faixa etária, uma vez "que cumpre os requisitos em termos de qualidade, segurança e imunogenicidade para este grupo populacional", sustentando-se nos resultados dos ensaios clínicos realizados, que aplicaram duas doses da vacina na população pediátrica e juvenil, dos três aos 18 anos.

"Os resultados obtidos no estudo na população pediátrica foram superiores em todas as variáveis imunológicas em comparação com a população adulta de 19 a 80 anos e semelhantes em comparação com o subgrupo de jovens adultos de 19 a 29 anos. O perfil de segurança foi semelhante entre os grupos comparados. As crianças a partir dos 2 anos de idade são incluídas nesta aprovação, considerando as informações fornecidas pelo fabricante que justificam esta inclusão", refere o organismo no seu site oficial

Os dados dos ensaios não foram, no entanto, ainda publicados internacionalmente nas revistas da especialidade, nem revistos por pares e em junho, refere a edição desta terça-feira do jornal New York Times, Jarbas Barbosa, diretor assistente da Organização Pan-Americana da Saúde, uma divisão da Organização Mundial da Saúde, tinha pedido ao país para "publicar os dados de uma forma transparente". 

Ao mesmo jornal,  Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina de Baylor, no Texas, afirma que "há muitas coisas a favor, há uma necessidade, e eles estão a utilizar tecnologia estabelecida. Mas estou preocupado com o nível de supervisão regulamentar". 


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Os investigadores cubanos afirmam que já submeteram os artigos sobre os ensaios a revistas e à revisão de pares, e que estão à espera de publicação, sublinhando que as vacinas 'Soberana' utilizam uma tecnologia semelhante à já utilizada noutras vacinas contra outras doenças, em Cuba.

"Esta não é uma vacina de RNA, sem historial, a ser administrada a crianças", afirma, citado pela publicação americana, Vicente Vérez, o principal responsável pelo desenvolvimento das vacinas.

José Moya, representante da Organização Pan-Americana de Saúde em Cuba, garante ao mesmo jornal que os primeiros ensaios da vacina em crianças mostraram apenas efeitos secundários de rotina e "um elevado grau de segurança, que é o mais importante".

Cuba tem 56% da sua população vacinada com, pelo menos, uma dose e 37% com as duas doses, mas o objetivo é ter vacinada mais de 90% da população até dezembro.

Apesar de ser o país que, para já, vai mais longe na idade mínima da administração das vacinas anti-covid, a China e os Emirados Árabes Unidos estão já a avançar para a vacinação de crianças a partir dos três anos de idade, enquanto o Chile já começou a vacinar crianças a partir dos seis anos. Também Israel está desde julho a vacinar crianças a partir dos cinco anos, com doenças coronárias e respiratórias.

Na Europa e Estados Unidos da América a idade mínima aprovada é a partir dos 12 anos. No entanto, a farmacêutica BioNTech, que produziu a vacina da Pfizer, já submeteu a avaliação dos ensaios clínicos com crianças às autoridades americanas e europeias e vai pedir, no próximo mês de outubro, autorização para vacinar crianças entre os cinco e os 12 anos de idade contra a covid-19, estando a adaptar as doses do fármaco para esse efeito.




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