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CSV questiona governo sobre escândalo dos implantes médicos

CSV questiona governo sobre escândalo dos implantes médicos

Foto: Miguel Medina/AFP
Sociedade 2 min. 28.11.2018

CSV questiona governo sobre escândalo dos implantes médicos

Catarina OSÓRIO
O CSV questionou esta semana a ministra da Saúde luxemburguesa sobre as implicações da mega investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) sobre o uso indevido de implantes médicos que terão estado na origem de problemas de saúde em pacientes em todo o mundo.

Os deputados do Partido Cristão Social (CSV), o maior partido da oposição do Grão-Ducado, questionaram esta semana a ministra da Saúde, Lydia Mutsch, sobre um possível envolvimento do Luxemburgo nos "Implant Files". A grande investigação do ICIJ revelou esta semana que o uso indevido de implantes médicos que terão estado na origem de problemas de saúde em pacientes um pouco por todo o mundo. A investigação demonstra que só nos EUA cerca de 1.7 milhões de pessoas sofreram problemas de saúde devido à colocação de implantes, e mais de 83 mil morreram devido o uso destes dispositivos nos últimos dez anos.

Os deputados questionaram o executivo sobre casos de mortes ou incidentes devido a implantes no Grão-Ducado, bem como os números dos últimos dez anos. Ao mesmo tempo, querem saber se os estabelecimentos de saúde estão a ser informados sobre o sucedido, bem com sobre a empresa produtora dos implantes.

"Implant Files": um escândalo global

Na Europa, o caso tem contornos preocupantes. Só na Alemanha, estima-se que 14 mil pessoas tenham sofrido problemas de saúde, que em alguns casos chegaram à morte. Em França, os problemas relacionados com implantes aumentaram para o dobro nos últimos dez anos. Só no ano passado, registaram-se 83 mil complicações devido ao uso de implantes.

Os implantes médicos incluem próteses de ancas, bombas de insulina ou próteses coronárias, vaginais, que em alguns casos não foram testadas em pacientes antes de serem postos à venda. Os jornalistas descobriram também que o uso de alguns implantes mamários está associado a um tipo de cancro raro. A empresa norte-americana, Medtronic, uma das maiores fabricantes de implantes a nível mundial é uma das mais implicadas no escândalo.

A investigação jornalística revela informações preocupantes sobre o sistema de certificação destes dispositivos. A Food and Drug Administration (organismo norte-americano de controlo e supervisão de produtos) é acusada de ser mais restrita com a utilização destes produtos dentro do mercado norte-americano do que no resto do mundo. Ou seja, na prática, a organização é acusada de ser mais branda com a certificação de produtos para fora dos EUA, onde se inclui a Europa.

Desde 2017, os reguladores europeus têm incitado os estados-membros a encorajar os médicos a reportar casos de problemas relacionados com o uso de implantes. Mas na prática poucos o fazem, mesmo em França onde o corpo médico está obrigado a fazê-lo. Da mesma forma, o relatório do ICIJ denuncia a falta de coordenação e cooperação dos vários organismos nacionais de saúde da UE.

O Eudamed, um projeto para a criação de uma base de dados europeia, está previsto para 2020. O objetivo é o de identificar incidentes e investigações relacionadas com implantes médico. Os documentos consultados pelo ICIJ revelam que não há acordo entre os estados europeus sobre a informação a partilhar. Sobre esta questão, os membros do parlamento questionam também a ministra sobre a posição do Luxemburgo quanto a esta base de dados, bem como os termos do envolvimento no projeto europeu. A investigação internacional foi coordenada pelo ICIJ e incluiu jornais como o Guardian, BBC, Le Monde, e o Süddeutsche Zeitung.


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