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Crianças têm de estar em "paz na escola" sem estes "medos todos" da covid
Sociedade 3 min. 15.01.2022
Pandemia

Crianças têm de estar em "paz na escola" sem estes "medos todos" da covid

Pandemia

Crianças têm de estar em "paz na escola" sem estes "medos todos" da covid

Sociedade 3 min. 15.01.2022
Pandemia

Crianças têm de estar em "paz na escola" sem estes "medos todos" da covid

Lusa
Lusa
Para o pedopsiquiatra Pedro Caldeira é muito importante libertar os mais pequenos dos receios dos contágios da covid-19 que os afeta. Há que aprender a conviver com o vírus, diz.

O pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva defendeu ser importante encontrar uma maneira de “libertar as crianças” e deixá-las em “paz na escola” sem os medos associados à pandemia de covid-19.

O diretor da Especialidade de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC) afirmou, em entrevista à agência Lusa, não ter dúvidas de que o ambiente de medo que se vive desencadeou quadros reativos de ansiedade e depressão.

“As pessoas vivendo em stress constante, não digo que seja a causa, mas contribui certamente para um aumento dos quadros de perturbações emocionais”, considerou.

Para o chefe de equipa da Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia, é preciso aprender a lidar com esta adversidade.

“Não vamos estar à espera de que isto vá desaparecer, que não existe. Vamos ter de lidar com isso e vamos ter que nos adaptar a isto e viver bem e procurar as coisas boas da vida mesmo que a covid ande por aí”, salientou.

Para Pedro Caldeira da Silva, a comunicação social tem “um papel fundamental de encontrar fatores de resiliência” e dar uma perspetiva de que a pandemia “não é uma ameaça terrível, que nunca mais acaba e vai estar sempre sobre nós, mas que é um facto da vida” com o qual se tem que lidar como os acidentes de automóvel ou doenças como a gripe, o cancro ou a malária.


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Medos "despropositados"

Relativamente aos estabelecimentos de ensino, defendeu ser “muito importante encontrar uma maneira de libertar as crianças, deixá-las em paz na escola e não andar com estas coisas dos contágios, estes medos todos”, o que, no seu entender, é “completamente despropositado”.

Por outro lado, as famílias têm de apresentar e filtrar esta realidade, porque, alertou, “quando as coisas se tornam incompreensíveis para os adultos, as crianças depois também têm dificuldade a lidar com isto”.

Aludindo aos efeitos da pandemia, afirmou que os confinamentos obrigaram a algumas adaptações das crianças: “No geral, estamos muito satisfeitos por isto ter ocorrido numa altura em que havia redes sociais, porque se não houvesse podíamos falar em verdadeiro isolamento”.

Segundo o pedopsiquiatra, as crianças entre os 3 e os 6 anos serão as que terão sofrido mais isolamento, porque “já tem apetência e competência para socializar, mas não têm ainda competências para usar as redes sociais”.

A importância dos pais

Sobre se esta situação pode provocar atrasos no desenvolvimento, desvalorizou: “É um exagero, não só recuperam como o que foi pedido foi que ficassem com os pais”.

“Isso seria partir do princípio de que as famílias são completamente incompetentes e que só a escola é que dá estimulação adequada, que é uma coisa que não acredito mesmo”, comentou.

Contudo, houve muitas crianças que ficaram sujeitas a pouca interação com os pais, porque estavam “muitas horas presos ao computador, agarrados ao ecrã”.

“Os pais estão ali muito próximos, mas muito pouco disponíveis e isto é uma situação paradoxal para as crianças e que pode provocar algum sofrimento (…) mas atrasos no desenvolvimento por causa disso, em crianças com potencial de base normal, custa-me um bocado a acreditar”, explicou.

“Em crianças vulneráveis talvez, agora não sei se mais do que do que se tivessem estado numa escola qualquer”, comentou.

Pedro Caldeira da Silva destacou ainda a “oportunidade única” que os pais tiveram durante o confinamento para “conhecer melhor os filhos”.

“Tiveram mais tempo com eles e foi uma oportunidade única de uma geração que depois foi estragada pela telescola e pelo teletrabalho”, disse o pedopsiquiatra, que há 33 anos acompanha crianças e bebés no Hospital D. Estefânia.

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