Escolha as suas informações

Covid-19. Portugueses estão calmos mas já não dão apertos de mão na Alemanha
Sociedade 4 4 min. 01.03.2020

Covid-19. Portugueses estão calmos mas já não dão apertos de mão na Alemanha

Covid-19. Portugueses estão calmos mas já não dão apertos de mão na Alemanha

Oliver Berg/dpa
Sociedade 4 4 min. 01.03.2020

Covid-19. Portugueses estão calmos mas já não dão apertos de mão na Alemanha

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Um imigrante de Heinsberg, o distrito com mais casos de infeção naquele país, conta ao Contacto como a comunidade portuguesa está a reagir nesta cidade em quarentena.

Os cerca de 600 portugueses que residem em Heinsberg, distrito com mais casos de covid-19 na Alemanha “estão preocupados” com o aumento “de hora a hora, ou mesmo minuto a minuto” de pessoas infetada, conta ao Contacto Amílcar Vaz Teixeira.

“Estamos a seguir todas as medidas de prevenção. Moro por cima de um café português e agora quando os portugueses se encontram lá já não damos “um bacalhau”, um aperto de mão, para evitar possíveis contágio”, diz este português, de 56 anos, acrescentando que já andam sempre com “frascos de gel desinfetante, que estamos sempre a usar” e também lavam as mãos muitas vezes.

Foi nesta cidade da Renânia do Norte-Vestefália que quatro crianças foram infetadas pelo novo coronavírus, por uma educadora de infância, também ela contaminada pelo seu marido, que foi o primeiro caso detetado na região. Como noticiou ontem o Contacto, o homem, de 46 anos, encontra-se no hospital de Dusseldorf, em estado grave.

AFP

 “Não há nenhum português até agora”

 As autoridades calculam que presença do casal numa festa de carnaval a 15 de fevereiro provocou a propagação do novo coronavírus que desde então já infetou no distrito e não só “35 pessoas, até esta manhã”, sendo a zona com mais casos na Alemanha, vinca Amílcar Vaz Teixeira. No total, na Alemanha há 79 doentes infetados, e 16 pessoas já tratadas desta infeção, não se tendo registado nenhum caso mortal.


Covid-19. Quatro crianças infetadas num jardim de infância na Alemanha
Os meninos residentes em Heinsberg encontram-se, bem, para já. Foram contaminados pela sua educadora de infância que foi infetada pelo marido.

Segundo este imigrante “não há notícia de nenhum doente português, até ao momento”.

As autoridades investigaram os contactos do casal na festa de carnaval e posteriormente, bem como os das pessoas com quem eles contactaram e decidiram colocar essas pessoas de quarentena bem como quem esteve na festa.

Crianças continuam em quarentena

“Ao todo estiveram mil pessoas de quarentena, período que termina hoje as escolas estiveram encerradas. Amanhã [segunda-feira] essas pessoas podem regressar ao trabalho e as escolas vão reabrir”, estima este português que aos seis anos deixou Vila Real, em Trás-os-Montes para emigrar para este país.

Também não há nenhum imigrante português em quarentena, pelo que Amílcar Vaz Teixeira tenha conhecimento. No entanto, dois colegas seus na fábrica onde trabalha, estiveram isolados em casa. “Fui falando com eles e perguntei-lhes se tinham conhecimento de algum português na mesma situação que eles e responderam-me que não”.

AFP

Dos mil habitantes em quarentena, cerca de um terço deles terá de esperar até ao final da próxima semana, anunciou o porta-voz do distrito citado pelo Süddeutsche Zeitung. Trata-se principalmente de crianças que frequentam a creche onde a mulher do primeiro paciente é educadora de infância. Além das crianças também as suas famílias têm de manter a quarentena.

Também aqueles que apresentam sintomas da doença vão permanecer em casa, sendo vigiados, de modo a evitar alastramento do vírus.

“Prateleiras vazias nos mercados”

Na página de Facebook que gere é visível a preocupação dos imigrantes portugueses com a pandemia, sendo a maioria das publicações sobre informações e notícias relativas ao novo coronavírus.

“Pela cidade ainda não vi pessoas com máscara, mas nas lojas e supermercados há prateleiras vazias. As pessoas estão a comprar muitos produtos, como arroz, massas e outros que possam ter em casa, caso tenham de ficar de quarentena. E as ruas estão mais desertas”, conta Amílcar Vaz Teixeira.

Além de que “sinto que há pessoas que já não nos olham para não nos cumprimentarem”.

“Eu penso que não há razão para entrar em pânico. Temos é de seguir as medidas de precaução”. Até agora, os portugueses continuam a fazer a sua vida, e “as festas e encontros nas associações e centros portugueses, como as noites de fado continuam a ser realizadas e as pessoas continuam a ir”.

Mais um professor infetado

A vida deste distrito mudou depois do homem, de 47 anos, o primeiro habitante, a ser infetado ter estado com uma pessoa vinda da China. A presença dele e da mulher na festa de Carnaval "Kappensitzung", no dia 15 de fevereiro, no distrito de Langbroich-Harzelt, em Gangelt, Heinsberg, acelerou o contágio pelo novo coronavírus.

Enquanto isso, outros casos são diagnosticados na Alemanha, como em Baden-Württemberg, Bremen e Renânia do Norte-Vestfália. 

As autoridades anunciaram que foi pedido aos alunos e professores de uma escola primária de Mönchengladbach que permanecessem em quarentena em casa porque um professor acusou positivo nos testes de diagnóstico pelo Covid-19. 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Maioria de portugueses no Grão-Ducado nasceram em Portugal
Publicados no âmbito do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os dados do gabinete luxemburguês de estatísticas (Statec) revelam que sete em cada 10 portugueses residentes no Grão-Ducado nasceram em Portugal (69,4%).
A menina luxemburguesa que pediu para aprender português
Chama-se Maria e fala português desde menina, mas é luxemburguesa dos quatro costados. Maria Hoffmann aprendeu português em criança, em Larochette, nos anos 1970. A menina luxemburguesa pediu para frequentar um dos primeiros cursos de língua portuguesa organizados para imigrantes.
ITW Maria Hoffmann - Photo : Pierre Matgé