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Covid-19. País de Gales em confinamento de duas semanas a partir de sexta-feira
Sociedade 3 min. 19.10.2020

Covid-19. País de Gales em confinamento de duas semanas a partir de sexta-feira

Covid-19. País de Gales em confinamento de duas semanas a partir de sexta-feira

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 19.10.2020

Covid-19. País de Gales em confinamento de duas semanas a partir de sexta-feira

Lusa
Lusa
O País de Gales vai entrar num confinamento temporário de cerca de duas semanas, de 23 de outubro até 09 de novembro, para tentar "retomar o controlo" da pandemia covid-19, anunciou esta segunda-feira o chefe do governo autónomo, Mark Drakeford.

Durante este período, vai ser pedido às pessoas para permanecerem em casa, podendo sair para fazer exercício, e o comércio não essencial, incluindo o setor da restauração ou cabeleireiros, vai ser encerrado. 

Após a primeira semana de confinamento, a qual coincide com férias intercalares, as escolas primárias e universidades vão reabrir, mas escolas secundárias só vão funcionar parcialmente. 

Drakeford disse que "o vírus está a espalhar-se rapidamente por todo o País de Gales" e que, se não forem tomadas medidas imediatamente, "existe um risco muito real de o NHS [serviço de saúde púbico] ficar sobrecarregado". 

Os dados mais recentes, divulgados no domingo, davam conta de 950 novas infeções e três mortes no espaço de 24 horas, tendo morrido até agora 1.711 na região britânica de cerca de 3,2 milhões de habitantes. 

O País de Gales junta-se assim à Irlanda do Norte, que entrou em confinamento de duas semanas na sexta-feira, ditando o encerramento de escolas, enquanto os bares e restaurantes só poderão servir para fora.  

Na Escócia, bares e restaurantes das áreas de Glasgow e Edimburgo estão fechados até 25 de outubro, mas o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tem resistido a impor um confinamento em toda a Inglaterra, preferindo uma abordagem de restrições em áreas geográficas, dependendo do número de infeções.

Nos últimos dias, o Governo tem estado em negociações com os autarcas da área metropolitana de Manchester, liderados pelo presidente da Câmara Municipal, Andy Burnham, sobre a entrada para o nível máximo de restrições destinadas a conter o número elevado de infeções com covid-19. 

O ministro da Habitação e Comunidades, Robert Jenrick, disse esta manhã à BBC que "os contornos de um acordo" estão delineados, após reuniões durante o fim de semana descritas como "construtivas". Com cerca de 2,8 milhões de habitantes, Manchester é a terceira maior cidade britânica, a seguir a Londres e Birmingham, e tem atualmente uma taxa que ronda os 440 casos por 100,000 habitantes. 

As negociações estão a ser lideradas por Eddie Lister, um dos principais assessores de Boris Johnson, que terá oferecido, segundo o jornal Daily Telegraph, 100 milhões de libras (110 milhões de euros) em apoio a empresas forçadas a encerrar e trabalhadores diretamente afetados. 

Burnham quer que o Governo pague 80% dos salários de trabalhadores em layoff, em vez dos 67% atualmente previstos, e ofereça mais financiamento às empresas. Na sexta-feira, o chefe do executivo disse estar disponível para intervir, dando a entender que as restrições poderão ser impostas sem a aprovação dos líderes locais, muitos dos quais do Partido Trabalhista, a principal força da oposição, mas com o apoio de deputados do Partido Conservador de Boris Johnson. 

Um médico local e membro da Ordem dos Médicos, Indy Kapila, disse hoje à BBC que as camas em unidades de cuidados intensivos poderão esgotar-se "muito em breve" e que a situação na região "é muito preocupante". 

O Reino Unido é o país europeu e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México, com o maior número de mortes de covid-19, tendo contabilizado 43.646 confirmadas por teste e 57.690 quando incluídos os casos suspeitos cujas certidões de óbito fazem referência ao novo coronavírus. A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 40 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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