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Covid-19 nos matadouros. Afinal, qual é a relação?
Sociedade 3 min. 19.05.2020

Covid-19 nos matadouros. Afinal, qual é a relação?

Covid-19 nos matadouros. Afinal, qual é a relação?

AFP
Sociedade 3 min. 19.05.2020

Covid-19 nos matadouros. Afinal, qual é a relação?

Redação
Redação
Um pouco por todo o mundo, os matadouros tornaram-se fonte de preocupação na propagação do novo coronavírus.

Casos de covid-19 nos matadouros nos Estados Unidos, Austrália ou por toda a Europa têm sido alvo de questionamento. Ainda está por determinar porque o vírus acaba se espalha tanto nestes locais onde a higiene deveria, em princípio, ser irrepreensível.

Na Alemanha, mais de 90 funcionários de um matadouro no noroeste do país deram positivo para coronavírus, o mais recente exemplo num sector que Berlim se prepara para regular de forma mais rigorosa.   

No início de maio, 183 pessoas já haviam testado positivo para o novo coronavírus em Coesfeld, na Renânia do Norte-Vestfália, na região oeste do país. Em Abril, 300 funcionários, incluindo 200 cidadãos romenos, num matadouro na região ocidental da Renânia-Palatinado, foram infectados.   

Em França, foram detectados 63 casos positivos num matadouro na região de Côtes-d'Armor, 34 casos num matadouro perto de Orleães, e cerca de 20 casos num matadouro de aves na região de Vendée.

Nos Estados Unidos, houve um aumento no número de encerramentos de matadouros nas últimas semanas, após numerosos casos de contaminação. Na semana passada, um quarto controlador responsável pela aplicação das regras sanitárias nos matadouros americanos morreu depois de contrair a doença. 

Para garantir que os supermercados continuem a oferecer carne e que os agricultores possam ter seus animais mortos, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva no final de abril forçando os matadouros a permanecerem abertos mesmo quando os casos de covid-19 se multiplicam entre os trabalhadores. 

O sindicato que representa os trabalhadores das fábricas de transformação de carne estimou que 30 deles haviam morrido após infeção do novo coronavírus, e que mais de 10 mil haviam sido infectados ou expostos à doença. 

O que se passa nos matadouros? 

Várias explicações possíveis podem ser apresentadas. A começar pela promiscuidade entre os funcionários. Nos matadouros, trabalham lado a lado nas linhas de produção e muitas vezes fazem as suas pausas e refeições em locais que não lhes permitem manter a distância recomendada. 

Na Alemanha, são destacadas as más condições de trabalho nestes estabelecimentos, bem como o recurso maciço a empresas subcontratadas estrangeiras para a contratação de empregados, o que, segundo o sindicato alemão NGG, ajuda a "desresponsabilizar" o sector. 

Estes matadouros empregam muitos trabalhadores da Europa de Leste, vivendo e trabalhando em condições de higiene duvidosas. O Ministro do Trabalho, Hubertus Heil, deverá apresentar ao Conselho de Ministros medidas que visam uma melhor regulamentação das condições de trabalho no sector. 

Não houve também uma paragem na atividade e estes estabelecimentos, ao contrário de outras empresas, não tiveram tempo para repensar a forma como operam. 

Há perigo em comer carne?  

AFP

Diante do colapso dos pontos de venda (restaurantes, cantinas, mercados para novos produtos, eventos festivos) e das dificuldades logísticas causadas pela crise sanitária, uma crise de confiança dos consumidores é a última coisa que os produtores de carne precisam. 

"A carne não transmite o coronavírus, podemos continuar a consumi-lo sem medo", lembra o Dr. Yves Buisson, epidemiologista e membro da Academia de Medicina, no palco do LCI. 

O mesmo vale para Laurent Habert, diretor geral da Agência Regional de Saúde Centro-Val de Loire, que assinala que "não há alerta sobre contaminação por produtos cárneos". Estamos certos da contaminação directa entre humanos". Não há, portanto, perigo para os consumidores.

Artigo original AFP. Tradução e edição de Ana Patrícia Cardoso.  

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