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Covid-19. Nórdicos, dos raros países onde se anda 'desmascarado'
Sociedade 3 min. 30.07.2020

Covid-19. Nórdicos, dos raros países onde se anda 'desmascarado'

Covid-19. Nórdicos, dos raros países onde se anda 'desmascarado'

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 30.07.2020

Covid-19. Nórdicos, dos raros países onde se anda 'desmascarado'

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Até Donald Trump foi visto recentemente com ela e, com a segunda vaga da pandemia a acontecer os países nórdicos são dos poucos que resistem ao uso da máscara. Porquê?

(AFP/Catarina Osório)

Até Donald Trump foi visto recentemente com ela, e com a segunda vaga da pandemia a acontecer os países nórdicos são dos poucos que resistem ao uso da máscara. Na Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Islândia, em conjunto mais de 25 milhões de habitantes, as autoridades optaram por não exigir o uso de máscara para conter o vírus.

Nas ruas de Estocolmo, Copenhaga, Oslo ou Helsínquia, ou mesmo em supermercados, escritórios e transportes públicos é difícil encontrar 'mascarados', ato reservado na maioria das vezes apenas aos turistas. 

De acordo com uma sondagem recente de opinião da plataforma Yugov, apenas 5-10% dos inquiridos nestes Estados afirmaram ter usado uma máscara contra a covid-19 em locais públicos, uma proporção que se tem mantido estável desde o início da pandemia em março. Em oposição, nos cerca de 20 outros países monitorizados pelo instituto de sondagens - desde a Índia, EUA, ou França a proporção de utilizadores subiu para os 70 ou mesmo 80% em alguns casos. 

"Tenho a impressão de que se o governo não disser claramente 'aconselhamos a usar uma máscara', ninguém o fará", diz Camille Fornaroli, uma estudante francesa de 21 anos que diz-se chocada por ver tão poucas máscaras em Estocolmo, incluindo no metro.

"Sigo as recomendações"

"Seria bom que as autoridades suecas aconselhassem as pessoas a usar máscaras, pelo menos nos transportes. Mas não usarei se for a única a fezê-lo, estou à espera que as autoridades tomem uma decisão oficial", refere Birgitta Wedel, reformada de 63 anos. 

"Os suecos estão a ser responsáveis", diz Marten Sporrong, empresário de 50 anos, apesar de a epidemia continuar muito ativa na capital Estocolmo. "Mas estamos a seguir as recomendações do governo. Se nos disserem que não precisamos de máscaras, não as usaremos", acrescenta.. 

No momento em que países por todo o mundo começaram a confinar-se, em meados de março, a Suécia optou por uma estratégia menos rigorosa, o que deixou mesmo os vizinho nórdicos céticos devido aos elevados números: mais de 80.000 casos e 5.700 mortes. 

Mas todos estes países são unânimes ao recusarem recomendar o uso de máscaras, embora alguns comecem agora a duvidar da estratégia seguida pelas autoridades. "Fora da Suécia tem havido muito poucos casos nestes países. Portanto, não lhes atiro pedras, desde que mantenham a distância interpessoal razoável e que o rastreio dos casos seja feito corretamente. Mas seria uma boa coisa a fazer também", considera KK Cheng, epidemiologista do Instituto de Inspeção Sanitária Aplicada de Birmingham, à AFP. 

Questionado sobre o que o faria mudar de opinião, o epidemiologista sueco Anders Tegnell respondeu que continua à espera de "alguma prova de que são eficazes". Não há provas suficientes de eficácia? "É absolutamente errado, é irresponsável e teimoso", contrapõe por outro lado KK Cheng. "Os que pensam como ele estão errados, isso custa vidas. Mas se eu estiver errado, qual é o mal de usar a máscara?", defende o epidemiologista. 

" Neste momento, a máscara não faz sentido"

Na Dinamarca, a autoridade sanitária recomendou timidamente a máscara no início de julho, após um parecer da OMS. Mas em situações pontuais, por exemplo quando se vai ao hospital para testes ou nas deslocações de e para uma área de risco. "Neste momento, a máscara não faz sentido", afirma o diretor do instituto de investigação Sundhedsstyrelsen Soren Brostrom. "Mas a longo prazo, pode ser útil no transporte ou não? Claro que temos de o avaliar", admitiu na televisão dinamarquesa na terça-feira. 

A mesma linha de pensamento mantém-se na Noruega e Finlândia: "não há oposição em princípio", disse ele. "Neste momento estamos numa situação muito feliz (...) Mas poderá ser algo que teremos de considerar num futuro próximo se as contaminações aumentarem", afirmou Stuwitz Berg, médico da autoridade sanitária norueguesa FHI, à AFP. "A questão pode surgir quando as pessoas voltarem das férias", explicou, por sua vez, Mika Salminen, funcionário da autoridade finlandesa THL.



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