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Covid-19. Macron pondera tornar a vacina obrigatória para profissionais de saúde
Sociedade 6 4 min. 07.03.2021

Covid-19. Macron pondera tornar a vacina obrigatória para profissionais de saúde

Covid-19. Macron pondera tornar a vacina obrigatória para profissionais de saúde

Lex Kleren
Sociedade 6 4 min. 07.03.2021

Covid-19. Macron pondera tornar a vacina obrigatória para profissionais de saúde

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Apenas um terço dos médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde aceitaram receber a vacina anti-covid. Os apelos do Governo não têm resultado, sobretudo para as equipas dos lares de idosos.

A polémica está cada vez mais acesa em França. Os profissionais de saúde, sobretudo os auxiliares de saúde hospitalares e de outras estruturas de apoio como lares de idosos estão reticentes em tomar a vacina anti-covid. Só um terço dos médicos, enfermeiros e outros profissionais dos hospitais já está vacinado.

Nos lares de idosos (Ehpad) e unidades de cuidados prolongados (USLD), até agora cerca de 30% dos prestadores de cuidados foram vacinados em França, segundo as estimativas do Ministério da Saúde.

A resistência é liderada pelos profissionais de saúde dos lares de idosos e as razões são várias entre elas a desconfiança com a vacina da AstraZeneca. Governo, entidades médicas e associações de doentes criticam esta rejeição.

Macron levou ideia a debate

No Conselho de Defesa de quarta-feira passada, Emmanuel Macron levou a debate a ideia de tornar a vacinação obrigatória para médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde em França, perante a resistência, sobretudo destes últimos profissionais em se vacinar contra a covid-19.

O ministro da Saúde por seu turno, enviou uma carta aberta aos prestadores de cuidados de saúde divulgada nas redes sociais na semana passada pedindo-lhes que se “vacinem o mais rápido possível” para combater a doença que continua a ser causa de muitas mortes e infeções em França.


Covid-19: Ministro francês pede aos profissionais de saúde que se vacinem
Olivier Véran publicou uma carta nas redes sociais incentivando os médicos, enfermeiros e auxiliares a aceitarem receber a vacina anti-covid.

Também Olivier Véran declarou publicamente que se o apelo não for suficiente e se os prestadores na área da saúde não se mostrarem mais favoráveis à vacinação que irá levar o caso a consulta no Conselho Nacional de Ética sobre a obrigatoriedade de vacinação destes profissionais. O primeiro-ministro Jean Castex lançou igualmente apelos públicos à vacinação dos auxiliares de saúde.

Efeitos da AstraZeneca

"Não vejo a utilidade em ser vacinada", disse uma enfermeira na casa dos quarenta anos que não quis ser identificada à France Bleu Loire Océan. “Eu não sou uma pessoa prioritária, não tenho comorbidades. Para proteger os outros, no meu trabalho, uso uma máscara e lavo as mãos". “Há muita informação que não é clara neste momento”, diz esta enfermeira justificando assim a reticência em receber a vacina.

Outra das razões apontadas por alguns profissionais de saúde para não aceitarem a vacina são os efeitos secundários da vacina AstraZeneca, explica a France Bleu.

Segundo a Agência Nacional para a Segurança dos Medicamentos (ANSM), a 11 de fevereiro,149 trabalhadores do sector da saúde tinham desenvolvido "síndromes de gripe de alta intensidade" (febre alta, dores de cabeça) após terem recebido uma dose da vacina AstraZeneca, no dia anterior. Ou seja, 1,49% das pessoas que tinham recebido a primeira injeção no dia 10 de fevereiro. A grande maioria das pessoas com sintoma são jovens prestadores de cuidados de saúde.

Em alguns hospitais, como em Saint-Lô (Manche), a vacinação foi mesmo temporariamente suspensa, pois cerca de dez pessoas desenvolveram "sintomas tais como febre e náuseas", avançava a France Bleu. Vários funcionários do mesmo departamento tinham sido vacinados no mesmo dia, e como estavam doentes a organização do serviço ficou difícil de gerir.


Entrevista com equipa medica proveniente de Franca que veio para Portugal para o Hospital Garcia da Orta, em Almada, ajudar no combate a pandemia COVID-19
@Rodrigo Cabrita
O coração português da missão médica francesa em Portugal
Sandra Fleury, enfermeira bombeira lusodescendente regressa "orgulhosa" a França, após as duas semanas de trabalho no Hospital Garcia da Orta em Almada. Equipa francesa falou com o Contacto no último dia de trabalho em Portugal.

“O problema não é a vacinação, mas a vacina. Os prestadores de cuidados de saúde suspeitam da AstraZeneca”, declarou Thierry Amouroux, porta-voz do Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNPI) à FranceInfo. “A vacina desta marca é correta para a população em geral mas para uma população tão exposta como os cuidadores é a menos eficaz entre as três vacinas disponíveis”, frisou.

Em defesa da vacinação obrigatória

Mas há enfermeiros e médicos que defendem a vacinação obrigatória para as suas classes. Daniel Guillerm, Presidente da Federação Nacional de Enfermeiros considerou à FranceInfo “não ser anormal a inscrição [da vacina anti-covid] na lista das vacinas obrigatórias durante a duração da pandemia”.

Também o infeciologista no Hospital Tenon, em Paris, é favorável à vacinação obrigatória dos profissionais de saúde, segundo declarou à FranceInfo. Como recorda esta não é a primeira vacina que seria obrigatória para os profissionais dos Ehpad (lares de idosos) que já são obrigados a ser imunizados contra a difteria, tétano, poliomielite e hepatite B.


França prevê fim da terceira vaga a partir de meados de abril
Até lá estão a ser estudadas medidas que incluem alargar o confinamento ao fim de semana a mais regiões e que deverão ser apresentadas já esta quinta-feira pelo primeiro-ministro, Jean Castex.

Para este médico, a imposição da vacina no setor da saúde permitiria “ultrapassar a desconfiança que existe entre parte da sociedade” quanto a esta imunização, sobretudo entre “o pessoal não médico do setor da saúde que é também o mais jovem”. No Hospital de Tenon, 40% dos médicos foram vacinados em comparação com 20% dos paramédicos, referiu.  

É neste debate que a França se encontra, mas como o Governo já ameaçou caso não aumente o número de profissionais de saúde a receber a vacina anti-covid esta imunização pode passar a ser obrigatória neste setor.

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