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Covid-19. França autoriza primeiro tratamento com anticorpos sintéticos
Sociedade 4 min. 01.03.2021

Covid-19. França autoriza primeiro tratamento com anticorpos sintéticos

Covid-19. França autoriza primeiro tratamento com anticorpos sintéticos

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 01.03.2021

Covid-19. França autoriza primeiro tratamento com anticorpos sintéticos

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Tratamento é semelhante ao que Trump usou no final de 2020 contra a infeção. Na sexta-feira, a UE aprovou a terapêutica monoclonal desenvolvida pela biotecnológica Regeneron. França deverá usar o da farmacêutica Eli Lilly, ainda em avaliação pelo regulador europeu.

A França vai autorizar o primeiro tratamento com anticorpos monoclonais para doentes com covid-19. 

As autoridades do país aprovaram temporariamente o tratamento com anticorpos sintéticos para doentes em risco de desenvolver formas graves da doença associada ao SARS-Cov-2. 


Imagem de arquivo
Covid-19. Regeneron autorizada a usar tratamento com anticorpos monoclonais nos EUA
O medicamento contém dois anticorpos potentes que, em estudos preliminares, mostraram resultados promissores na contenção da infeção, especialmente se administrado durante as fases iniciais da doença.

A terapêutica, que recorre a proteínas feitas em laboratório para reproduzir as defesas do sistema imunitário, é a primeira do género a ser autorizada em França.

No final da semana passada, em conferência de imprensa, o Ministro da Saúde Olivier Véran adiantou que o país já recebeu milhares de doses do tratamento monoclonal, desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly. "Estes novos tratamentos dão-nos esperança, e reforçam as nossas armas contra a covid-19", afirmou o ministro.

Tratamento faseado e com cautelas

As doses que a França recebeu para avançar com o novo tratamento serão administradas com precaução, uma vez que só na sexta-feira a agência de medicamentos da União Europeia, a EMA, aprovou o tratamento monoclonal, mas o que foi desenvolvido por outra empresa de biotecnologia americana, neste caso a Regeneron.

"Cerca de 83 centros hospitalares estão prontos para iniciar o tratamento, com cautela, inicialmente para doentes com 80 anos ou mais, e para aqueles com problemas imunitários", disse Olivier Véran.


Covid-19. Farmacêutica Eli Lilly suspende ensaio clínico por segurança
O tratamento em causa é similar ao que Donald TRump recebeu pouco depois de ter manifestado sintomas da covid-19.

Entretanto a Direção-Geral da Saúde adiantou que o tratamento estará também disponível para pacientes submetidos a transplantes de órgãos, pessoas com insuficiência renal ou doentes que estejam em processo de quimioterapia. 

A França espera ter, no próximo mês, dezenas de milhares de doses para tratamentos com anticorpos monoclonais disponíveis.

O Bamlanivimab, que não é indicado para doentes já hospitalizados ou que necessitem de suporte de oxigénio, fornece um cocktail de proteínas sintéticas que imitam a capacidade do sistema imunitário para combater antigénios como os vírus. É, segundo a informação da FDA - o regulador americano para os medicamentos - especificamente dirigido a combater os picos da proteína do SARS-Cov-2 , bloqueando dessa forma a ligação do vírus às células humanas

O fármaco é produzido nas instalações de Fegersheim da Eli Lilly, perto de Estrasburgo.   

 O tratamento que Trump usou    

 A EMA está ainda a analisar o tratamento desta farmacêutica, bem como outro de Celltrion, mas na sexta-feira a agência europeia aprovou o da Regeneron, outra empresa de biotecnologia americana.

O cocktail de anticorpos deste laboratório foi autorizado para utilização de emergência nos Estados Unidos da América, em novembro, depois de ser administrado, como terapia experimental, ao antigo Presidente Donald Trump, que em outubro ficou infetado com o SARS-Cov-2.


Trump submetido a tratamento experimental de anticorpos sintéticos
De acordo com o médico da Casa Branca, Sean Conley, Donald Trump recebeu um ‘cocktail’ experimental de anticorpos.

Foi atribuído ao medicamento a responsabilidade pela rápida recuperação do político de 74 anos. 

De acordo com a informação da FDA divulgada à data da aprovação do fármaco, ficou demonstrado em ensaios clínicos que, num prazo de 28 dias após a sua toma, o Bamlanivimab permitiu reduzir a hospitalização relacionada com a covid-19 e o recurso às urgências de doentes com maior risco de verem progredir a doença para um patamar mais grave.

O Bamlanivimab atua de forma preventiva antes da doença se agravar, não estando autorizado "para pacientes que estão hospitalizados devido à covid-19 ou que necessitam de oxigenoterapia devido à covid-19". Também não foram encontrados benefícios em pacientes hospitalizados devido à covid-19 que tenham sido submetidos a este tipo de tratamento e os resultados clínicos quando administrados a doentes hospitalizados com covid-19 que requerem oxigénio de alto fluxo ou ventilação mecânica não se revelaram promissores, refere a FDA.  

Alemanha também adquiriu o medicamento

Além da França, também a Alemanha adquiriu já centenas de milhares de doses deste tratamento e terá começado a usá-lo ainda em fevereiro.

No final de janeiro, o Governo alemão anunciou um investimento de 400 milhões de euros para comprar 200 mil doses do tratamento. “A administração destes anticorpos pode ajudar pacientes de alto risco na fase inicial a prevenir um agravamento da doença”, justificou o ministro da Saúde alemão Jens Spahn numa entrevista concedida na altura ao jornal Bild am Sonntag.  

Este tipo de tratamento, desenvolvido através de células de tecido fetal, começa a ser visto, por alguns países, como uma estratégia complementar de combate à covid-19, sobretudo para reduzir a pressão nos internamentos hospitalares, numa altura em que o processo de vacinação tem sofrido atrasos um pouco por toda a Europa.

Com a aprovação recente da EMA para o tratamento monoclonal desenvolvido pela Regeneron, passa a haver uma orientação para os países da UE, ao mesmo tempo que a agência assegura a contínua monitorização da terapia em tempo real, antes de decidir a sua recomendação para a autorização de comercialização. 

com agências

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