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Distância de dois metros é arbitrária, o vírus pode ultrapassar essa distância
Sociedade 3 min. 23.11.2021
Estudo

Distância de dois metros é arbitrária, o vírus pode ultrapassar essa distância

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Distância de dois metros é arbitrária, o vírus pode ultrapassar essa distância

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 23.11.2021
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Distância de dois metros é arbitrária, o vírus pode ultrapassar essa distância

Lusa
Lusa
Perante os resultados do estudo, publicado na revista científica Physics of Fluids, a equipa sublinha a importância da vacinação, da ventilação dos espaços e do uso de máscara.

O distanciamento de dois metros para prevenir o contágio pelo SARS-CoV-2 é uma medida arbitrária, sugere um estudo divulgado esta terça-feira, que indica que a transmissão aérea do vírus é muito variável e pode ultrapassar essa distância.

A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Physics of Fluids que aponta a ineficácia do distanciamento social por si só para mitigar a propagação do coronavírus responsável pela covid-19.

Através de um método de modelagem por computador para quantificar como as gotículas se espalham quando tossimos, a equipa de engenheiros da Universidade de Cambridge concluiu que, sem máscara, uma pessoa com covid-19 pode infectar outra a uma distância de dois metros, mesmo ao ar livre.

Distância de segurança pode estar entre um e três ou mais metros  

Por outro lado, a tosse também varia e, por isso, os investigadores sugerem que a distância de segurança poderia ser qualquer uma num intervalo entre um e três ou mais metros, dependendo da tolerância ao risco da autoridade de saúde que definisse a regra.

“Parte da forma como esta doença se propaga é virologia: a quantidade de vírus que temos no nosso corpo, de partículas virais que expelimos quando falamos ou tossimos. Outra parte é mecânica de fluidos”, explica Shrey Trivedi, do Departamento de Engenharia de Cambridge, citado em comunicado.


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É através da mecânica de fluidos que os investigadores olham para o SARS-CoV-2 neste estudo, para perceber o que acontece às gotículas depois de serem expelidas.

“Enquanto especialistas em mecânica de fluidos, somos a ponte entre a virologia do emissor e a virologia do receptor e podemos ajudar na avaliação de risco”, acrescenta.

Foi precisamente essa ponte que os investigadores procuraram medir através de várias simulações em que quantificaram as gotículas que atingiriam outra pessoa, comparativamente à totalidade de gotículas emitidas, e qual seria o seu tamanho em função do tempo e do espaço.

Nestes exercícios, concluíram que não há uma quebra abrupta a partir dos dois metros: se a pessoa que tossir não estiver a usar máscara, as gotículas maiores caem em superfícies que estejam próximas, mas as mais pequenas espalham-se facilmente, dependendo a rapidez e a distância da qualidade de ventilação do espaço.


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Por isso, a equipa de engenheiros conclui que o distanciamento social por si só não é uma medida de mitigação eficaz e sublinha a importância da vacinação, da ventilação dos espaços e do uso de máscara.

Ainda assim, há também um elevado grau de aleatoriedade, refere Shrey Trivedi, explicando que “cada vez que tossimos, podemos emitir uma quantidade diferente de fluidos e, por isso, se uma pessoa estiver infectada pode emitir muitas ou poucas partículas virais.

“Mesmo que seja expelido o mesmo número de gotículas sempre que se tussa, haverá flutuações porque o fluxo é turbulento”, acrescenta um outro investigador, Epaminondas Mastorakos, que liderou o estudo, explicando que flutuações, em velocidade, temperatura e humidade, implicam que a quantidade de gotículas projectadas a dois metros difere sempre.

Medida tem de ser complementada çpor outras

Face a esses resultados, os investigadores alertam que, apesar de ser uma mensagem eficaz para o público, o distanciamento de dois metros não pode ser visto como uma marca de segurança e enquanto medida de mitigação deve ser complementada por outras.

“Todos estamos desesperados para ver o fim desta pandemia, mas recomendamos fortemente que as pessoas continuem a usar máscaras em espaços fechados, como escritórios, salas de aula e lojas”, afirmou Epaminondas Mastorakos.

A mesma equipa vai agora continuar a desenvolver este trabalho com simulações semelhantes para outros tipos de espaços, como salas de aula, para avaliar o risco conforme as pessoas passem mais tempo no interior.

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