Escolha as suas informações

Covid-19. Estudo sugere que antimaláricos podem aumentar risco de morte
Sociedade 3 min. 23.05.2020

Covid-19. Estudo sugere que antimaláricos podem aumentar risco de morte

Covid-19. Estudo sugere que antimaláricos podem aumentar risco de morte

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 23.05.2020

Covid-19. Estudo sugere que antimaláricos podem aumentar risco de morte

Lusa
Lusa
O medicamento que Donald Trump recomenda e está a tomar como prevenção revelou-se muito perigoso no tratamento do novo coronavírus.

Um estudo ontem divulgado sugere que os antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina podem aumentar o risco de morte e arritmias em doentes hospitalizados com covid-19, defendendo que o seu uso como antivirais deve ser devidamente testado antes de tratar pacientes.

De salientar que a hidroxicloroquina é o medicamento que o presidente dos EUA Donald Trump está a tomar como medida de prevenção contra o novo coronavírus. Trump já tinha feito muita publicidade positiva sobre este fármaco para a malária no tratamento da covid-19 embora a comunidade científica alertasse para os perigos do medicamento.  


Covid-19. Donald Trump diz estar a tomar hidroxicloroquina como prevenção
No início de maio, um cientista do Governo dos EUA disse que foi demitido depois de criticar a pressão exercida pelo Presidente Donald Trump para o uso de um medicamento contra a malária no tratamento da covid-19.

O estudo, divulgado pela revista médica britânica The Lancet, baseou-se na observação de dados de 14.888 doentes hospitalizados com covid-19 (infeção respiratória viral) que foram tratados com um ou ambos os medicamentos para a malária, combinados ou não com a administração dos antibióticos azitromicina e claritromicina, utilizados no tratamento de infeções pulmonares bacterianas.

Os dados foram comparados com os de 81.144 doentes com covid-19 que foram igualmente hospitalizados, mas sem receber tratamento com estes medicamentos.

Medicamento  autorizados em Portugal

Em Portugal, o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, medicamentos aprovados para a malária, está autorizado para o tratamento de doentes com covid-19 internados nos hospitais que manifestem, por exemplo, insuficiência respiratória e pneumonia.

Os doentes que foram alvo do estudo publicado em The Lancet – ao todo 96.032 - estiveram internados em 671 hospitais entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020.


Covid-19. Medicamentos contra a malária podem causar efeitos colaterais
O aviso é da Agência Europeia do Medicamento que alerta para eventuais convulsões e problemas cardíacos, associados à cloroquina e a hidroxicloroquina.

Todos estavam infetados pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 e, à data de 21 de abril, tiveram alta hospitalar ou morreram.

Resultados do estudo

No grupo de controlo, o dos 81.144 doentes que não receberam tratamento com antimaláricos, um em cada 11 morreu no hospital.

Em contrapartida, em média, quase um em cada seis doentes medicados com um dos antimaláricos morreu.

Segundo o estudo, mais de um em cada cinco doentes tratados com cloroquina e um antibiótico (azitromicina ou claritromicina) morreu e quase um em cada quatro doentes morreu quando medicado com hidroxicloroquina em combinação com um dos antibióticos.

Apesar dos dados, os autores do estudo ressalvam que poderá haver outros fatores, não avaliados, na origem da possível ligação entre o tratamento de doentes com covid-19 com medicamentos para a malária e uma diminuição da sua sobrevivência.


Covid-19. Cientista dos EUA diz que foi demitido por alertar sobre medicamento
O cientista alega que sempre se opôs ao amplo uso da hidroxicloroquina.

Neste contexto, pedem para que sejam realizados com urgência ensaios clínicos aleatórios para aferir a eficácia e segurança do uso destes fármacos como antivirais antes de serem administrados a doentes com covid-19.

"Ensaios clínicos aleatórios são essenciais para confirmar danos ou benefícios associados a estes agentes. Até lá, propomos que estes medicamentos não sejam usados como tratamentos para a covid-19 fora dos ensaios clínicos", afirmou, citado em comunicado pela publicação The Lancet, o primeiro autor do estudo, Mandeep R. Mehra, médico e diretor-executivo do Centro para a Doença Avançada do Coração no Hospital Brigham, nos Estados Unidos.

8% desenvolveram arritmia

O estudo concluiu, ainda, que 8% dos doentes medicados com hidroxicloroquina e um antibiótico (azitromicina ou claritromicina) desenvolveram arritmia (alteração no ritmo cardíaco), por comparação com 0,3% dos doentes do grupo de controlo (sem qualquer medicação antimalárica).


Bolsonaro diz que "pavor" em torno da pandemia mata mais do que a doença
O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse na noite de quinta-feira que o "pavor" em torno da pandemia da covid-19 mata mais pessoas do que o próprio coronavírus.

Contudo, os autores advertem que não é possível inferir uma relação de causa e efeito entre o tratamento de doentes com covid-19 com medicamentos para a malária e o aparecimento de arritmias, uma vez que não foram avaliados outros fatores, e insistem para que se façam ensaios clínicos robustos, apesar dos efeitos antivirais dos fármacos cloroquina e hidroxicloroquina demonstrados em testes laboratoriais anteriores.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Covid-19. Hidroxicloroquina entre a esperança e a fraude
Considerada por Bolsonaro e Trump como remédio milagroso, usado no tratamento da malária, a hidroxicloroquina foi recentemente estrela de dois estudos controversos em França e neste momento é um dos cinco possíveis tratamentos da covid-19 testados num estudo europeu em que participa o Luxemburgo.