Escolha as suas informações

Covid-19. Crianças podem começar a ser vacinadas este ano
Sociedade 3 7 min. 18.02.2021

Covid-19. Crianças podem começar a ser vacinadas este ano

Covid-19. Crianças podem começar a ser vacinadas este ano

Sociedade 3 7 min. 18.02.2021

Covid-19. Crianças podem começar a ser vacinadas este ano

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Moderna e Pfizer estão a realizar ensaios clínicos e os EUA esperam começar a vacinar os mais novos ainda este verão. É importante vacinar as crianças? Especialistas dão a resposta ao Contacto.

As empresas farmacêuticas da Pfizer e da Moderna estão já a realizar ensaios clínicos das suas vacinas anti-covid em mais de cinco mil crianças e adolescentes, com mais de 12 anos, desde os finais de 2020, nos Estados Unidos. A AstraZeneca/Oxford vai também iniciar, ainda este mês, os testes da sua vacina em 300 crianças, com idades entre os seis e os 17 anos, no Reino Unido. Este é o primeiro estudo com uma vacina contra a pandemia a ser realizado abaixo dos 12 anos de idade.

As três farmacêuticas acreditam que até ao final do ano as suas vacinas para os mais novos estarão licenciadas.

Atualmente, as vacinas anti-covid só estão autorizadas para pessoas com mais de 18 anos, à exceção da Pfizer, indicada a partir dos 16 anos.

Para os especialistas, a vacinação da população mais nova é importante para se conseguir chegar à imunidade de grupo e assim travar esta pandemia.


Deixaria o seu filho ser cobaia da vacina anti-covid para crianças? Dois pais explicam porque deixaram
Abhinav, de 12 anos, e Katelyn, de 16 anos, são voluntários nos ensaios clínicos da vacina da Pfizer para os mais novos num hospital dos EUA. Eles e os pais contam porque tomaram esta decisão.

“Esperamos que no final da primavera ou início do verão as crianças possam começar a ser vacinadas de acordo com as normas da FDA [a agência norte-americana do medicamento]”, declarou Anthony Fauci, o principal conselheiro médico do presidente Joe Biden numa conferência na Casa Branca, a 27 janeiro. O desejo de Fauci, é que as crianças possam estar já a ser vacinadas “quando começar o próximo ano letivo, em setembro”.

A Pfizer, que começou os testes em outubro, espera “no verão ter resultados” dos ensaios clínicos com as 2.259 crianças, entre os 12 e os 15 anos. Nos “últimos meses deste ano” a farmacêutica prevê iniciar os estudos a segurança e imunidade da vacina na faixa etária dos 5 anos aos 11 anos, anunciou Keanna Ghazvini, porta-voz da Pfizer, em declarações ao New York Times. “Abaixo dos 12 anos de idade o estudo sobre a vacina deverá ter uma formulação ou esquema de dosagem diferente”, acrescentou esta responsável da norte-americana Pfizer que desenvolveu a vacina com a empresa alemã BioNTech.

Também a Moderna que está a testar a sua vacina em três mil voluntários, entre os 12 anos e os 17 anos perspetiva ter “resultados a meio deste ano”, disse também ao New York Times, Colleen Hussey, porta-voz desta farmacêutica norte-americana. Seguir-se-á depois um outro estudo, “ainda este ano”, com crianças a partir de um ano de idade e até aos 11 anos, como já tinha anunciou Stéphane Bancel, CEO da Moderna. Nestas idades mais novas os ensaios “são mais demorados” pelo que “só deverá haver resultados no início de 2022”, assumiu. Contudo, o CEO da Moderna prevê que, em setembro, “quando arrancar o novo ano letivo, os adolescentes já possam estar a ser vacinados”. Todos os menores que participam nestes estudos são voluntários pelo que os pais têm de dar autorização.

Vacinar já os mais novos?

É importante vacinar as populações mais jovens contra a covid-19? Poderá ser para se conseguir a imunidade de grupo, mas não é urgente, para já, consideram os dois especialistas questionados pelo Contacto, o pediatra Patrick Theisen, presidente da Sociedade Luxemburguesa de Pediatria (SLP) e o médico e investigador Luís Graça, coordenador do Laboratório de investigação em imunologia celular no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), em Lisboa.

Ambos referem que a vacinação das crianças só deverá começar após os principais grupos de risco estarem vacinados.

“Neste momento, a prioridade é fazer chegar a vacina a pessoas mais idosas e aquelas que possuem doenças graves, incluindo aqui as pessoas mais jovens, pois são as mais vulneráveis à doença e as que que estão em maior risco. As pessoas saudáveis com menos de 18 anos não apresentam esse risco de desenvolver formas graves da infeção, pelo que não é urgente a sua vacinação”, realça o imunologista Luís Graça.

“Como se tem provado, as crianças saudáveis têm um risco muito baixo que não justifica de momento a vacinação. Além de que é uma população que não foi estudada. Há que comprovar a segurança da vacina nestas idades e para ver se é útil vacinar as crianças”, adianta este investigador.

Patrick Theisen é da mesma opinião realçando que “as crianças têm sido poupadas a esta doença, pelo que a vacinação nestas idades deve começar numa fase posterior” à dos prioritários. Até lá há que ter resultados dos ensaios clínicos e depois ponderar os ‘prós e os contras’ da vacinação em crianças”.

“Nós sabemos que as crianças, embora não tenham formas graves de doença contribuem para a transmissão, por essa razão, o objetivo imediato é resolver a pressão nos cuidados de saúde e as mortes. Numa fase mais tardia, vamos tentar chegar à imunidade de grupo, e nessa fase pode ser importante a vacinação das crianças”, avança o imunologista Luís Graça. Só com a imunidade de grupo à covid-19, com a população vacinada, se conseguirá travar a pandemia.

O presidente da SLP realça outro aspeto importante da vacinação pediátrica. “As crianças podem originar sempre focos de infeção e se viajarem para outro país podem desenvolver um cluster e contagiar o que pode vir a ser um problema. Se estiverem vacinadas tal não deverá acontecer”.

De qualquer modo, também a vacina infantil anti-covid “deverá ser voluntária, pelo que as crianças e os seus pais têm de autorizar a vacinação”, diz Patrick Theisen.

Como se adapta uma vacina para adultos às populações mais jovens? Reformulando sobretudo a dosagem das inoculações, explica Luís Graça. Nas idades logo abaixo dos 18 anos, as doses atuais poderão funcionar, mas tal terá de ser demonstrado nos ensaios clínicos, segundo este especialista.

Nas crianças, a dosagem da vacina deverá ser inferior à dos adultos e os testes devem começar por reduzir as doses. “Mais do que uma nova vacina provavelmente será decidir qual é a dose adequada para uma criança ficar imunizada contra a covid-19”, diz o investigador português. Se os ensaios clínicos correrem como previsto, até ao final do ano, as crianças com mais de 12 anos poderão começar a ser vacinadas, pelo menos nos EUA, onde os testes estão mais avançados e os especialistas e a presidência de Joe Biden defendem esta vacinação como uma prioridade a curto prazo. De realçar que os Estados Unidos são o país do mundo com mais infeções e mortes.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas