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Covid-19. As razões porque quem é pobre tem maior risco de ser infetado
Sociedade 2 min. 23.03.2021 Do nosso arquivo online

Covid-19. As razões porque quem é pobre tem maior risco de ser infetado

Covid-19. As razões porque quem é pobre tem maior risco de ser infetado

Lex Kleren
Sociedade 2 min. 23.03.2021 Do nosso arquivo online

Covid-19. As razões porque quem é pobre tem maior risco de ser infetado

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
No Luxemburgo, as famílias com rendimentos inferiores a 30 mil euros por ano têm maior probabilidade de ficar doentes, indica um estudo. Um infeciologista explica as razões ao Contacto.

No Luxemburgo, os residentes com mais dificuldades financeiras possuem risco elevado de ser contaminados pelo vírus da pandemia. Isso mesmo concluiu um estudo recente realizado no país e que o Contacto publicou. 

"Quem tem um rendimento familiar disponível inferior a 30 mil euros anuais tem maiores probabilidades de testar positivo à infeção pelo vírus da covid-19 quando comparados com pessoas que possuem rendimentos entre os 30 mil e os 60 mil euros por ano", revela o trabalho conjunto dos cientistas da Universidade do Luxemburgo e do Instituto Luxemburguês de Saúde (LIH, na sigla inglesa).

O estudo "Risco de transmissão da SARS-CoV-2 a partir de portadores assintomáticos: Resultados de um programa de rastreio em massa no Luxemburgo", que foi publicado na prestigiada revista científica The Lancet, conclui também que os trabalhadores da construção civil são dos correm mais riscos de contrair a infeção.

Não só no Luxemburgo como pelo mundo, as pessoas mais pobres têm não só maiores possibilidades de ser contagiadas, como a infeção tem tendência a ser mais grave, explica ao Contacto Fernando Maltez, diretor do Serviço de Infeciologia do Hospital Curry Cabral em Lisboa. Qual a razão?

Subnutrição e ambiente

"Há estudos que mostram que existe maior gravidade clínica nas pessoas com maior grau de pobreza, e isto está ligado a uma maior subnutrição que afeta as capacidades imunitárias", explica Fernando Maltez. Por outro lado, "o ambiente onde vivem possui geralmente más condições higiénicas e sanitárias, aumentando também o risco de gravidade" da doença, frisa o infeciologista.

Um dos fatores da "resultante clínica de qualquer infeção" é também o ambiente onde o indivíduo vive. "Se a pessoa viver numa situação de maior pobreza, e no tal ambiente pouco salubre, mais uma vez o risco de gravidade aumenta", destaca Fernando Maltez.

Casas com más condições

Já em estudos realizados na China a relação dos baixos rendimentos económicos com o risco da infeção pelo SARS-CoV-2 foi demonstrada. Também nos Estados Unidos vários estudos apontam para o mesmo resultado, nomeadamente um intitulado "Associação de más condições habitacionais com a incidência e mortalidade COVID-19 em todos os condados dos EUA".


Pessoas com rendimento inferior a 30.000 euros por ano com risco elevado de contrair covid-19
O rendimento disponível das famílias afeta o risco de infeção pela covid-19, revela um estudo luxemburguês publicado na revista The Lancet.

Neste trabalho, as más condições de habitação foram definidas como "superlotação, alto custo da habitação, cozinha ou canalizações incompletas". Os autores utilizaram os dados transversais dos centros de controlo e também do Centro de Recursos Covid do John Hopkins para 3.135 condados dos EUA. Neste país, a média de casas com más condições de habitabilidade em todos os condados é de 14,2%. Num condado que tenha um aumento de 5% nesta percentagem passa logo a existir "50% de maior risco de incidência de covid-19 e um aumento de 42% de mortalidade", segundo a investigação publicada em novembro de 2020.

"Estas conclusões sugerem que devem ser consideradas políticas de saúde específicas para apoiar os indivíduos que vivem em condições de habitação precárias de modo a mitigar os resultados adversos associados à covid-19", escrevem os autores coordenados pela Columbia University.

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