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Alemanha relaxa medidas e considera multas para quem não comparece à vacinação
Sociedade 6 min. 05.07.2021
Covid-19

Alemanha relaxa medidas e considera multas para quem não comparece à vacinação

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Alemanha relaxa medidas e considera multas para quem não comparece à vacinação

Foto: Christophe Gateau/dpa
Sociedade 6 min. 05.07.2021
Covid-19

Alemanha relaxa medidas e considera multas para quem não comparece à vacinação

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Após meses de escassez de doses de vacina, a oferta agora supera a procura, disse recentemente o governo.

O número de pessoas que não comparece à vacinação para a covid-19 na Alemanha está a aumentar, o que está a motivar a discussão entre os líderes governamentais sobre a possibilidade da criação de multas para as pessoas que marcam a consulta mas não aparecem. 

Aluguns políticos dos partidos SPD (sociais-democratas) e CDU/CSU (União Democrata-Cristã) pediram mesmo multas para as pessoas que não comparecem às consultas para a vacinação. "Seria correto que houvesse uma sanção para aqueles que nem sequer cancelam a sua marcação", disse ao Bild am Sonntag o perito em saúde do SPD, Karl Lauterbach. O não comparecimento nos centros de vacinação significa "que vacinamos mais lentamente do que podíamos e que temos de deitar fora as doses", afirmou ainda. 

Lauterbach é médico de formação e diz conhecer o problema em primeira mão a partir do seu trabalho no centro de vacinação de Leverkusen. O vice-presidente do grupo parlamentar da CDU/CSU, Thorsten Frei, também concorda. Frei afirma que não comparecer a uma consulta é irrefletido e uma bofetada na cara de todos aqueles que ainda estavam à espera. 


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A Alemanha apenas permite que viajem de Portugal cidadãos alemães ou quem resida naquele país, que ainda assim têm de ser submetidos a uma quarentena de 14 dias após a chegada.

"Qualquer pessoa que seja demasiado egoísta para pegar no telefone ou cancelar um compromisso com apenas alguns cliques deverá ter de pagar os custos de cancelamento incorridos", declarou.

O chefe da Cruz Vermelha de Berlim (DRK), Mario Czaja, iniciou o debate e propôs multas de 25 a 30 euros, afirmando que são cinco a dez por cento das marcações que não estão a ser realizadas nos centros de vacinação de Berlim. 

Quanto ao motivo da não comparência, são várias as suspeitas de fatores em causa. Segundo o The Local, da possibilidade de estarem em férias, ao já não considerarem o risco de infecção tão elevado, há ainda a possibilidade de terem conseguido uma consulta com um médico do trabalho ou num consultório privado de um médico de clínica geral. 

No entanto, os políticos da oposição e alguns representantes dos médicos defendem que os incentivos em vez de punições são a melhor opção. A porta-voz da saúde do FDP liberal, Christine Aschenberg-Dugnus, afirmou que as multas poderiam dissuadir as pessoas de tomar a vacina contra a doença. "Melhor seria que houvesse mais equipas de vacinação móveis, que educassem e vacinassem as pessoas perto das suas casas", citou o mesmo jornal. Os incentivos à vacinação também poderiam ajudar", disse Christine Aschenberg-Dugnus.

Após meses de escassez de doses de vacina, a oferta agora supera a procura, disse recentemente o governo. Por conseguinte, a Alemanha acredita que poderá vacinar todos os que desejem uma vacina até ao final de julho. Até agora, 37,9% cento da população na Alemanha foi totalmente vacinada e cerca de 55,6% recebeu pelo menos uma dose de um dos antídotos contra a covid-19.

Os virologistas alemães advertiram recentemente que 85% da população teria de ser totalmente vacinada para que a chamada imunidade de grupo se instalasse para a variante Delta.

Berlim relaxa restrições 

Na capital alemã a incidência de infecções durante sete dias continua com tendência decrescente, pelo que a cidade tomou novas medidas a partir de sábado passado, 3 de julho.

Desde sábado, as reuniões privadas ao ar livre tornaram-se ilimitadas em termos de número de participantes  e número de agregados familiares envolvidos. Mas a restrição a um máximo de dez pessoas (de cinco lares diferentes) reunidas dentro de casa continua a aplicar-se. 

Os eventos oficiais podem agora ter lugar com até 2.000 convidados ao ar livre. Em áreas interiores até 500 pessoas estão agora autorizadas a entrar.  Os eventos privados (casamentos, funerais, etc.) estão limitados a 100 pessoas ao ar livre.

Os testes são agora obrigatórios apenas para eventos oficiais onde estão presentes mais de 500 pessoas, e os visitantes de museus e galerias, bibliotecas ou centros comerciais já não têm de fornecer os dados de contacto. 

No que respeita ao uso de máscara, quem frequenta ginásios ou outros centros de desporto ou de dança de interior só precisa agora de usar uma máscara médica em vez de uma máscara FFP2 durante o exercício.

A máscara médica também passa a ser permitida em centros de aprendizagem para adultos, escolas de música, de condução e de jardinagem. As aulas presenciais nas universidades também passaram a ser permitidas.

Os regulamentos sobre o controlo das infecções no local de trabalho na Alemanha mudaram devido às baixas taxas de incidência e à queda acentuada dos casos de covid-19 no mês passado. Como resultado, a 1 de julho as empresas deixaram de ser obrigadas a recorrer ao teletrabalho, sendo que os funcionários também deixaram de estar obrigados a aceitar esta possibilidade. No entanto, ainda é possível trabalhar a partir de casa, se ambas as partes assim o quiserem.

Mantém-se a obrigatoriedade dos patrões oferecerem testes à covid-19 regulares aos colaboradores que frequentam os seus locais de trabalho. Além disso, as regras de distanciamento social, o uso de máscara e a ventilação dos escritórios são para continuar.

Novas restrições no outono? 

Segundo um inquérito realizado pelo instituto de pesquisa de opinião YouGov a pedido da agência DPA, 76% dos residentes na Alemanha esperam que o número de infeções volte a aumentar no outono e 74% contam que as medidas restritivas contra a pandemia sejam reforçadas a partir desta altura. 

Apenas 16% acredita que não haverá novas restrições e 10% afirma não saber. O governo alemão prometeu na semana passada que as pessoas totalmente vacinadas não seriam sujeitas a outro confinamento no futuro.

 Aumento de casos 

Pela primeira vez em semanas, a taxa de incidência de sete dias de novas infeções por SARS-CoV-2 na Alemanha aumentou em relação ao dia anterior. A taxa de incidência a sete dias foi de 4,9 infeções por 100.000 habitantes, tendo aumentado 0,1 nas últimas 24 horas para 5,0.

Segundo o Instituto Robert Koch, os serviços de saúde locais da Alemanha comunicaram 559 novas infeções nas últimas 24 horas, o que representa um ligeiro aumento em relação à semana passada.

Os especialistas garantem que a variante Delta é mais contagiosa que as conhecidas anteriormente e que se está a tornar-se rapidamente a estirpe dominante do vírus na Alemanha. No domingo as autoridades reportaram sete mortes relacionadas com a covid-19. Desde o início da pandemia, cerca de 3,7 milhões de pessoas na Alemanha tiveram agora um teste positivo à infeção provocada pelo novo coronavírus.

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