Escolha as suas informações

Covid-19. Ainda é possível salvar o Natal?
Sociedade 4 min. 24.11.2021
Pandemia

Covid-19. Ainda é possível salvar o Natal?

Funchal, Madeira, 2020
Pandemia

Covid-19. Ainda é possível salvar o Natal?

Funchal, Madeira, 2020
Foto: LUSA
Sociedade 4 min. 24.11.2021
Pandemia

Covid-19. Ainda é possível salvar o Natal?

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Agência Europeia do Medicamento recomenda vacina de reforço e medidas urgentes para travar quinta vaga.

Depois da terceira dose da vacina, “a imunidade é três vezes mais alta do que em relação à primeira toma”, disse esta quarta-feira um responsável da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa). O que significa que “vai cobrir toda a época fria e vai proteger-nos”, adiantou Marco Cavaleri, responsável pelo departamento de vacinas da EMA, em conferência de imprensa. 

Na apresentação do relatório sobre os riscos da covid-19 para os próximos meses na União Europeia, Andrea Ammon, a diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), adiantou que a campanha da terceira dose de vacina - que muitos países já iniciaram - é uma das melhores soluções para reverter a explosão de infeções deste outono.

“Nas duas últimas semanas recebemos evidências do terreno da eficácia da terceira dose nos países que as aplicaram”, disse Ammon. Em setembro, salientou, a evidência, mesmo vinda de países pioneiros como Israel, não era tão forte como a agora recolhida. E não se sabia se a imunidade dos vacinados desaparecia com o tempo e se uma terceira dose seria útil. Ammon apresentou agora a conclusão que, com os novos dados, vacinar os já vacinados “é a coisa certa a fazer”.

Terceira dose para maiores de 18

Por isso, o ECDC recomenda que os países considerem “urgentemente” uma dose de reforço para todos os indivíduos com mais de 40 anos. Mas também, assim que esta faixa da população esteja protegida, a administrem aos maiores de 18 anos, pelo menos seis meses depois de completada a primeira série de vacinação.

A nível geral, segundo um porta-voz da Comissão Europeia, todos os países já estão a montar de novo as estruturas que tinham posto de pé na primeira campanha de vacinação. E quanto às doses necessárias, elas estão asseguradas, cabendo aos países tomar a iniciativa de encomendá-las, disse.

Marco Cavaleri entende que a Europa vive agora “o momento da dose de reforço”, mesmo se ainda é preciso acabar com as grandes franjas de não vacinados na população. As disparidades entre os 27 países vão dos mais de 90% de vacinados em Portugal e Itália até aos 29% de adultos vacinados na Bulgária.


Eslováquia decreta confinamento geral de duas semanas
Tem início esta quarta-feira à meia-noite. Para garantir as regras sanitárias e assegurar o processo de vacinação, o Governo destacou um contingente de até 1.000 soldados.

Com a quinta vaga em curso, embora menos mortal devido à proteção dada pelas vacinas, Cavaleri lembrou ainda que a EMA já aprovou dois tratamentos para a covid-19 que poderão virar o jogo entre a vida e a morte para os que vão contrair a doença. O que está em risco, neste momento, é muito, uma vez que a Organização Mundial de Saúde estimou que até março na Europa possam morrer mais 700 mil pessoas de covid-19, se se mantiverem as atuais tendências. E tanto o ECDC como a EMA recomendam usar todas as ferramentas conhecidas no momento.

Regresso ao passado: mais máscaras e ficar em casa

Para reverter a curva ascendente de novos casos, além de acelerar os programas de  vacinação , o ECDC recomenda aos Estados-membros que comecem a implementar o mais depressa possível as chamadas medidas não farmacológicas (uso de máscaras, teletrabalho, distanciamento social e, em último caso, o confinamento). 

No relatório divulgado esta quarta-feira, considera-se que a urgência de voltar às medidas mais duras se deve ao facto de que “as pessoas vacinadas podem ficar infetadas e transmitir, especialmente dado a predominância da variante Delta”. O ECDC recomenda que mesmo em países com uma alta taxa de vacinação – como é o caso de Portugal -  é importante manter e reintroduzir as medidas não farmacológicas.


Variante Delta reduz para 40% eficácia das vacinas contra transmissão
A Europa é de novo o epicentro da pandemia, que, segundo a OMS, poderá causar no continente 700 mil mortos adicionais até à primavera.

Andrea Ammon chama a estas medidas “travões de emergência” quando se quer baixar muito depressa as taxas de transmissão. A medida máxima é o “lockdown”, mas é possível aplicar outras menos intrusivas, como as máscaras em todos os espaços públicos, limitar ajuntamentos, e generalizar o teletrabalho.

Amon adiantou que até ao período das festas ainda é possível acelerar a vacinação e tomar medidas de emergência, mas “ainda é cedo para se saber se estas medidas não irão apanhar o Natal também”.

A comunicação em vez da força

Outra das medidas recomendadas pelo ECDC é a de melhorar a comunicação, numa altura em que crescem os protestos das populações sobretudo na Europa central contra os novos confinamentos e os movimentos anti-vacinas continuam a resistir aos apelos científicos.

Andrea Ammon não recomenda, no entanto, a imposição de vacinas como solução mágica: “Pode ser eficaz a aumentar a taxa de vacinação, mas pode também polarizar os que não estão vacinados. Muita gente quer que isto seja uma decisão sua e não ser imposta. E a obrigatoriedade pode levar as pessoas a rejeitar ainda mais as vacinas”.

Como abordagem mais eficaz, a diretora do ECDC, recomenda uma estratégia suave com a população, através até da utilização de figuras influentes ou celebridades que tenham impacto na vida pública. “Tem que haver um diálogo com a população e não comunicação de um único sentido”, defende.

 

 

 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

A União Europeia está "preparada" para a eventualidade de administrar à população uma terceira injeção da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNtech, que os fabricantes propuseram, afirmou hoje a comissária europeia da Saúde e Segurança Alimentar, Stella Kyriakides.