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Covid-19. A ciência tenta perceber quanto dura a imunidade e se a doença pode voltar
Sociedade 3 min. 16.04.2020

Covid-19. A ciência tenta perceber quanto dura a imunidade e se a doença pode voltar

Covid-19. A ciência tenta perceber quanto dura a imunidade e se a doença pode voltar

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 16.04.2020

Covid-19. A ciência tenta perceber quanto dura a imunidade e se a doença pode voltar

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
A imunidade é, neste momento, um dos maiores enigmas com que se depara a ciência sobre o novo coronavírus. Os investigadores tentam saber quanto tempo dura a proteção contra o vírus após a infeção e se este pode ser reativado.

É uma das mais importantes questões do nosso tempo, um desafio que intriga cientistas em todo o mundo. Esta semana, um dos países que melhor tem conseguido conter a pandemia de coronavírus forneceu uma informação perturbadora. O Centro de Controlo de Doenças da Coreia do Sul deu a conhecer que 116 doentes considerados curados tinham voltado a apresentar resultados positivos. O país está a analisar estes casos e não forneceu ainda quaisquer outros dados.

Algo parecido está a acontecer nos hospitais espanhóis, onde um bom número de doentes deu negativo no principal teste de diagnóstico, embora ainda apresentem sinais de doença, segundo dados da Sociedade Espanhola de Imunologia recolhidos em vários hospitais. Esta informação põe dúvidas sobre a reação do sistema imunitário ao novo coronavírus e lança duas perguntas essenciais: uma pessoa pode ser infetada duas vezes e durante quanto tempo ficará imune ao vírus depois de ter superado a infeção?

Os coronavírus humanos mais semelhantes ao SRA-CoV-2 - covid-19 - são o SRA que surgiu em 2002 e o MERS em 2012. De acordo com o El País, em 2006, um estudo mostrou que as pessoas que tinham SRA e estavam curadas tinham anticorpos contra o vírus no sangue até dois anos mais tarde. No caso do MERS, até três anos. Neste momento, não se sabe quanto tempo pode durar a imunidade de uma pessoa à covid-19. A principal razão prende-se com o facto de a doença ainda só existir há três meses, quando a China lançou o primeiro alerta sobre a epidemia, e ainda não passou tempo suficiente.

Porque é que alguns doentes têm lesões pulmonares e sintomas que dão negativo e outros já curados que dão positivo? Há muito mais explicações possíveis do que a reinfeção, explica África González, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia ao El País. "Há estudos recentes na China que indicam que a sensibilidade do exame por PRC é de cerca de 67%", afirma. Esta sensibilidade, de acordo com este estudo que analisou 173 pacientes, cai para 54% a partir do oitavo dia depois do início dos sintomas e até 45,5% do 15º ao 39º dia.

"As cargas virais nas amostras do trato respiratório superior são muito inferiores às das amostras inferiores, a libertação de cargas virais dos doentes em diferentes fases da infeção varia numa vasta gama, a colheita de amostras de zaragatoa de alta qualidade requer pessoal qualificado, os reagentes PCR de diferentes fontes têm uma elevada variabilidade", detalha. "Os casos de reinfeção podem ser possíveis, mas são certamente esporádicos. Muito provavelmente, trata-se apenas da persistência do vírus em alguns doentes, que pode ser superior a 25 dias", acrescenta. A forma de evitar estes falsos positivos seria realizar um teste de anticorpos complementar, que permite aumentar a sensibilidade do teste para 100% após 15 dias de doença.

A chave da imunidade pode estar noutro tipo de células imunitárias: os linfócitos T, outro componente da resposta imunitária adaptativa. Um linfócito pode identificar uma célula infetada e destruí-la, reconhecer o vírus e matá-la, lembrar uma ou mais das suas proteínas para que após meses, anos, por vezes até uma vida inteira, possam identificá-la e matá-la novamente. Atualmente, a informação sobre linfócitos T na covid-19 é praticamente inexistente.

As observações preliminares indicam que o vírus pode atacar os linfócitos T e desativá-los. Um dos marcadores que pode indicar que um doente irá desenvolver covid-19 grave é a queda dos valores linfócitos. "Esta doença é um desafio porque vemos que o vírus é capaz de inibir a resposta imunitária adaptativa", reconhece May Villar, chefe de imunologia do Hospital Ramón y Cajal, em Madrid. "É por isso que é importante utilizar com muito cuidado alguns tratamentos imunossupressores que podem piorar as coisas, como já vimos com o Interferón", salienta.

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