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Coronavírus. “Se voltar a Portugal é porque a situação se agravou a um nível insuportável”
Sociedade 3 min. 05.02.2020 Do nosso arquivo online

Coronavírus. “Se voltar a Portugal é porque a situação se agravou a um nível insuportável”

Coronavírus. “Se voltar a Portugal é porque a situação se agravou a um nível insuportável”

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 05.02.2020 Do nosso arquivo online

Coronavírus. “Se voltar a Portugal é porque a situação se agravou a um nível insuportável”

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Há milhares de vítimas colaterais do surto mundial que já matou cerca de 500 infetados em todo o mundo. O Contacto falou com um professor de inglês que não consegue regressar à China. O português está retido no Laos. Para já resta-lhe viajar “contrariado”.

“Foi tudo repentino”. João Delgado Nunes ouviu três “nãos” num dia. Não há autocarros nem comboios. O centro de línguas onde dá aulas de inglês a crianças com 5 a 10 anos não voltou a abrir as portas nem se sabe quando pode fazê-lo. Não, não precisou sequer de pedir mais dias de férias. “Fica aí porque isto está mesmo muito grave”, ouviu do lado de lá do telefone.

Retido no Laos há uma semana, o português de 35 anos que trocou Portugal pelo país vermelho há seis meses, não consegue voltar a casa. “Antes de sair da China sabia do vírus mas o surto estava limitado a uma zona específica, por isso nunca pensei que chegasse a este ponto. No caminho até aqui, fui-me cruzando com cada vez mais máscaras, mas só me apercebi da gravidade da situação quando tentei comprar um bilhete de volta para a China que me foi recusado”. Se entrar no Laos foi “simples”, voltar a casa “é quase missão impossível”.

Exílio “forçado”

Para já, conta, “a solução é continuar a viajar”, desta vez “contrariado”. O português está entre as milhares de vítimas colaterais do vírus que obrigou a Organização Mundial de Saúde a declarar emergência de saúde pública global, dado o elevado risco de contágio e transmissão do Coronavírus entre seres humanos. Embora não haja, para já, qualquer caso de infeção diagnosticado no Laos, as máscaras de proteção começam a escassear. “Muitas foram enviadas de emergência para China, outras desaparecem nesta correria. Na vila onde estou, mesmo na fronteira entre os dois países, já esgotaram”, relata o professor. “Não é que haja muita informação a circular, mas grande parte dos turistas e dos locais já as usam”, acrescenta num cenário em que só equaciona regressar a Portugal “se a situação se agravar a um nível insuportável”.


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“Chinawood”

A maior prioridade do português é chegar à cidade de Nanjing, onde mora e , de resto, há centenas de casos confirmados. “Deixei tudo em stand by. Não é pensar voltar, é querer mesmo voltar. Vivo lá, tenho lá tudo e, pelo menos até ao próximo verão, é lá que quero estar”, assegura sem cair em alarmismos e com “total confiança” nas autoridades da China que, na sua opinião, “estão a prevenir o surto de uma maneira irrepreensível”. Numa das últimas vezes que percorreu as estradas chinesas viu verdadeiras operações de controlo de trânsito em forma de hospital improvisado montadas nas bermas. Em vez dos testes de despistagem de álcool ou drogas no sangue, os polícias estavam acompanhados por especialistas de saúde. “Há médicos e enfermeiros a entrar pelos carros para medir a febre, inspecionar a garganta e fazer as mais variadas perguntas. Acho que todas as medidas de contigência estão a ser tomadas de uma forma brilhante e quase cinematográfica. Sem querer cair em clichés, só mesmo vendo para crer como é que um país deste tamanho se pode mobilizar tão rapidamente”, descreve.


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Vírus não chegou ao Luxemburgo

Foi falso alarme. O único caso suspeito de infeção pelo vírus que provoca pneumorias mortais acabou despistado, este sábado, no Centro Hospitalar do Luxemburgo. O cidadão europeu foi internado com falta de ar, febre e tosse, dez dias depois de ter regressado da China. A viagem ao “berço da infeção” e os sintomas semelhantes aos do vírus lançaram o alarme que só foi afastado pelos exames médicos do Laboratório Nacional de Saúde.

Logo nas primeiras recomendações, o Ministério da Saúde luxemburguês alertou para o “enorme” risco de contágio nas salas das urgências hospitalares e pediu prudência máxima. Disponíveis 24 horas, as linhas de emergência (112) e da Inspeção de Saúde (+352 247- 85650) estão prontas para encaminhar os doentes para a especialidade mais adequada. Em caso de pânico o hospital pode não ser a melhor solução.


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