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Coronavírus. Alerta na Europa sobe para 'elevado'
Sociedade 4 min. 02.03.2020

Coronavírus. Alerta na Europa sobe para 'elevado'

Coronavírus. Alerta na Europa sobe para 'elevado'

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 02.03.2020

Coronavírus. Alerta na Europa sobe para 'elevado'

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
No dia em que o risco de contágio na Europa sobe para 'elevado', a Comissão Europeia anuncia a criação de uma equipa ao mais alto nível de resposta à crise e um site informativo e de referência para os cidadãos europeus.

A decisão de subir o nível de alerta para 'elevado' foi tomada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (CEPCD), sublinhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Todas as medidas excecionais que forem tomadas vão ter em conta "a avaliação científica sobre o que está acontecer", disse a presidente  da CE aos jornalistas em conferência de imprensa esta segunda-feira. 

À medida que o Covid-19 se alastra pela Europa, com mais de 2100 casos registados - incluindo Portugal e o Luxemburgo - e 38 mortos em 18 países - a CE anunciou também a criação de uma página da internet sobre a temática. A "Coronavirus response" inclui estatísticas, estudos, recomendações e links para sites nacionais. "Este é um caso para preocupação, mas não para pânico, nem para espalhar medos nem desinformação", salientou a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides. "Temos todos que nos manter calmos e focados", pediu.

Enquanto na semana passada a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides e o comissário de Gestão de Crises, Janez Lenarčič eram os rostos da CE contra o progresso do coronavírus na Europa, hoje a resposta mudou de figura. Ao mesmo tempo que houve um reconhecimento de que o surto já não é só uma emergência de saúde pública, mas algo de muito mais complexo e transversal. 

Integrados na equipa criada no âmbito da CE para criar e fornecer uma resposta comum estão também o comissário da Economia, Paolo Gentiloni, a comissária para os Assuntos Internos, Ylva Johansson, e a comissária europeia para os Transportes, Adina Vălean. O grupo deverá cordenar ações de avaliação e de reduzir o impacto que o coronavírus já está a ter no dia-a-dia e nos mercados europeus. "Mas não estamos em posição de impor nada", referiu Lenarčič. "Em última análise, são os vários países que vão tomar decisões, nós temos a missão de cordenar a resposta".


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"O que aprendemos até ao momento é que todos os países têm que se preparar, com medidas de contenção e contingência. Ao mesmo tempo que não podemos entrar em pânico, temos também que nos preparar. Está na altura de o fazer e a rapidez é essencial", sublinhou o comissário para a Gestão de Crises. "É essencial que os países trabalhem juntos em todos os níveis e desde as comunidades locais".

Até ao momento, não foi considerado o fecho de fronteiras, acrescentou. "Continua a não haver nenhum pedido nesse sentido", sustentou Janez Lenarčič. "Além do mais é importante saber se uma medida destas é eficaz e proporcional em relação aos riscos reais", garantiu.

A equipa de comissários irá atuar em três principais pilares. O médico, em cordenação com o CEPCD e as várias agências médicas europeias; o da mobilidade, que inclui as questões relacionadas com transportes, cancelamentos de viagens e sobre fronteiras ao abrigo do Tratado de Schengen; e o pilar da economia.

De acordo com o comissário Paolo Gentiloni, o setor do turismo e dos transportes já está a sofrer um forte impacto com a crise. A comissária dos transportes sublinhou que "na União Europeia existem regras muito robustas de proteção dos direitos dos viajantes" e que "é essencial manter a circulação das pessoas tanto quanto possível". Neste momento, continua em curso com os operadores a avaliação sobre perdas e os cenários que se avizinham.

No aspeto macroeconómico, Paolo Gentiloni sustentou que ainda é cedo para avaliar impactos para a economia europeia, mas que "há em relação à China a preocupação de que a queda acentuada não seja seguida de uma subida rápida". Em relação à zona euro, acrescentou, muito ficará a dever-se à duração do surto e ao nível de contaminação.


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Esta terça-feira, a vice-presidente da Comissão Europeia Vera Jourová irá reunir-se com representantes das plataformas online para discutir os riscos de desinformação e de rumores a propósito do surto de Covid-19.

Na conferência, que teve lugar no Centro Europeu de Cordenação e Resposta a Emergências, houve um momento que provocou algum pânico e riso quando um jornalista italiano referiu, de passagem, que tinha regressado de Veneto, levando Ursula von der Leyen a fazer uma expressão incrédula. "Mas não se preocupem, estive fora das zonas afetadas", disse o repórter. 

Atualmente, as instituições europeias estão a pedir aos funcionários que tenham vindo de zonas afetadas, e nomeadamente das regiões italianas marcadas a vermelho, para permanecerem em casa, em regime de teletrabalho. As escolas europeias - incluindo as do Luxemburgo - (que servem os filhos dos funcionários das instituições) iniciaram também um bloqueio aos alunos que nestas férias de Carnaval tenham ido a Itália ou países onde o coronavírus já circula.

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