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Consumo de drogas duras está a descer e procura de tratamentos a subir
Sociedade 4 min. 30.04.2021

Consumo de drogas duras está a descer e procura de tratamentos a subir

Consumo de drogas duras está a descer e procura de tratamentos a subir

Foto: DR
Sociedade 4 min. 30.04.2021

Consumo de drogas duras está a descer e procura de tratamentos a subir

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O RELIS, publicado esta sexta-feira, pelo Ministério da Saúde luxemburguês, revela também uma descida generalizada das infeções HIV entre os toxicodependentes e da mortalidade por overdose.

O consumo de drogas duras está a descer e a procura de serviços de tratamento e de redução de danos está a aumentar, assinala o relatório sobre toxicodependência (RELIS) de 2020, divulgado esta sexta-feira, pelo Ministério da Saúde.


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De acordo com o documento, no que diz respeito ao consumo de alto risco de drogas ilícitas, observa-se uma tendência decrescente no Grão-Ducado. 

Com base nos dados atualizados desde o relatório anual anterior, o consumo deste tipo de drogas é atualmente "de cerca de 2.100, o que equivale a uma taxa de prevalência de 5,02 utilizadores por 1.000 habitantes com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. Em 2000, esta mesma taxa era equivalente a 9 utilizadores por 1.000 habitantes e estava então entre as mais altas da União Europeia", sinaliza o RELIS.

Paralelamente, o número de toxicodependentes em tratamento reflete "uma tendência geral ascendente", assim como o número de contactos de pedidos de ajuda nacional e de internamento para reabilitação.

Segundo as contas do RELIS, em 2019, foram mais de 164.000 as situações de contacto registadas (face a 150.937 em 2016). Além disso, houve também um aumento global do número de seringas esterilizadas, distribuídas no âmbito do programa nacional de troca de seringas entre 2013 e 2019 (2013: 190.257; 2019: 425.906 seringas estéreis distribuídas).

A idade média dos consumidores de droga, em tratamento, também aumentou face aos últimos 20 anos, passando a ser de 34,6 anos em 2019, comparando com  28 anos em 1997. 

Em termos de género, o sexo masculino é que mais procura esse tipo de apoio (76,9%). 

O relatório nota ainda que o número de consumidores de opiáceos que procuraram tratamento diminuiu de forma descontínua nos últimos 11 anos (46,2% em 2019 e 82% em 2008), enquanto o número de pessoas em tratamento por consumo de cannabis e por consumo de cocaína mostrou uma tendência descontínua de aumento durante o mesmo período. 


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O relatório salienta que os opiáceos, sobretudo a heroína, continuam a ser as drogas mais prevalecentes entre a população de consumidores das chamadas drogas duras. Contudo, ressalva o documento, o uso de opiáceos como primeira escolha está a diminuir, ao passo que as misturas/cocktails contendo cocaína e o consumo de cocaína simples estão a aumentar. 

Entre a população em geral, a cannabis continua a ser a droga controlada mais consumida a nível nacional, seguida pelas substâncias estimulantes. 

Números que se refletem nas apreensões, com as de cannabis a representaram 70% do número total de apreensões no Luxemburgo, em 2019 - o que corresponde a um aumento - e as de cocaína a registarem também um crescimento.

"Em comparação com 2014, a prevalência, nos últimos 12 meses e 30 dias, da cannabis e dos estimulantes controlados mostra ligeiros aumentos, que não são significativos", resume o RELIS.

Ainda assim, e como indicador comparativo, "o consumo recente de cannabis e estimulantes entre os jovens  e os jovens adultos (15-34 anos) está abaixo da respetiva taxa média da UE, sublinha o RELIS".

De acordo com o relatório verifica-se apenas um aumento moderado do consumo de cannabis em março deste ano, entre os jovens com idades entre os 15 e os 18 anos, face aos valores registados entre 2006 e 2018. Um aumento que é apenas estatisticamente significativo entre as raparigas, mas que não altera os dados sobre adolescentes no Luxemburgo, que não diferem da média dos outros países. 

Infeções HIV com a mais baixa incidência desde 2011

A redução do consumo de drogas duras não é o único dado em tendência decrescente destacado no relatório. Os dados dos últimos três anos mostram um declínio acentuado de novas infeções por HIV entre os toxicodenpendentes que consomem estupefacientes via injeção. "Em 2019, houve três novas infeções por HIV entre os UDI (utilizadores de drogas injetáveis), a mais baixa incidência desde 2011."

Entre os utilizadores de salas de uso supervisionado de drogas a nível nacional, o uso de inalação continua a ultrapassar o uso de injecção. Como resultado dos esforços de redução de danos nas articulações, 53% dos utilizadores de salas de consumo supervisionado de drogas utilizam agora a inalação, que é um modo de consumo mais seguro, contribuindo em particular para uma redução do risco de overdoses e da transmissão de certas doenças infecciosas.

Por outro lado, embora as infecções de hepatite C, entre este grupo tenha diminuído ligeiramente nos últimos tempos, as taxas de prevalência (69,6%, face a 71,1%) continuam a ser muito elevadas.

O relatório assinala ainda que os toxicodependentes procuram cada vez mais métodos de consumo seguros. Nas salas de chuto, a nível nacional, o uso de inalação continua a ultrapassar o uso de injeção, sendo atualmente usado por 53% daqueles que recorrem a essas salas supervisionadas. Esse método "contribuiu, em particular, para uma redução do risco de overdoses e da transmissão de certas doenças infecciosas".

Desde a implementação de planos de ação nacionais sobre drogas e dependências relacionadas, tem-se verificado igualmente uma tendência geral para a diminuição das mortes devido a overdose a nível nacional. 

Em duas décadas os óbitos por overdose passaram de 26 (no ano 2000) para seis (2020).

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