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Consternação na última homenagem ao pequeno Calvin atropelado em Wiltz
Sociedade 4 4 min. 16.01.2019

Consternação na última homenagem ao pequeno Calvin atropelado em Wiltz

Passaram pelo local da homenagem perto de uma centena de pessoas.

Consternação na última homenagem ao pequeno Calvin atropelado em Wiltz

Passaram pelo local da homenagem perto de uma centena de pessoas.
Foto: Roland Arendt
Sociedade 4 4 min. 16.01.2019

Consternação na última homenagem ao pequeno Calvin atropelado em Wiltz

O pequeno Calvin, filho do agressor, foi a única vítima mortal do atropelamento de 2 de janeiro. Outras quatro pessoas ficaram feridas.

A homenagem no passado sábado estava marcada para o mesmo local e hora do fatídico acidente de 2 de janeiro: 15h, na rue Grande-Duchesse Charlotte, perto do hospital de Wiltz, no norte do país. Mas as pessoas foram chegando antes da hora, em silêncio, posicionando-se à volta de uma cruz de madeira com a inscrição “Calvin 02.01.2019”. Ao pé da cruz, peluches, velas, flores e, no fim da homenagem, balões coloridos.

No ar, alguma tensão e perplexidade sobre o que terá levado um homem a atropelar cinco pessoas, tendo matado o próprio filho de dois anos. No chão, as lágrimas perdiam-se por entre gotas da tarde chuvosa. Uma homenagem emotiva, tendo perto de uma centena de pessoas, com o minuto de silêncio a arrastar-se por quase meia hora, apenas intercalada pelas palavras de consolo do padre local, Martin Molitor, e da organizadora da homenagem.

“Foi um momento muito difícil, mas estou contente porque o desejo da mãe foi realizado e as coisas correram bem”, disse ao Contacto a organizadora, Jasmine Colbach, já depois da homenagem. “Foi difícil ler o meu texto porque sou mãe e já perdi também um filho. Imagino como esta mãe está a sentir-se”, acrescentou Jasmine Colbach, que diz não conhecer a família envolvida no acidente. “Foi espontâneo, tive esta ideia da homenagem, pedi autorização e obtive-a”.

Foto: Roland Arendt

Depois do atropelamento, pai fica com o filho ao colo

O atropelamento intencional aconteceu às 15h do dia 2 de janeiro. Um homem de 47 anos abalroou um grupo de cinco pessoas, no qual se encontrava a sua ex-companheira e o filho de ambos, de dois anos, que acabaria por morrer. A mãe teve de ser internada, dois adultos e um bebé de dez meses também ficaram feridos.

“Estávamos sentados na sala quando, repentinamente, ouvimos um barulho. Pensámos logo que seria um veículo de limpeza da cidade”, contou ao jornal Wort um habitante do bairro onde teve lugar o incidente. Quando ele, a mulher e o filho abriram a porta de casa não acreditavam no que viam: cinco pessoas gravemente feridas estavam estendidas no passeio da frente, aparentemente abalroadas por um carro azul que estava parado perto das vítimas.

Segundo uma testemunha ocular, o condutor da viatura saiu imediatamente do automóvel após o atropelamento e ficou com o filho, Calvin, ao colo. Um outro residente, refere ainda o Wort, descrevia que o agressor manteve-se encostado ao carro e deixou-se algemar, sem qualquer resistência, pela polícia.

Foto: Roland Arendt

“Só se vê disto na televisão e agora tornou-se realidade”

Em Wiltz, fala-se pouco do caso, mas sabe-se que a população está chocada. “É a primeira vez que acontece algo deste género. As pessoas estão chocadas”, confirma Jasmine Colbach ao Contacto.

“Só se vê disto na televisão e de um momento para o outro tornou-se realidade”, acrescenta Tania Muller, residente de Wiltz que esteve também na homenagem, acompanhada pela filha. “É difícil de gerir quando se é mãe. Estou chocada”, desabafa Tania Muller. Marc L. também ficou comovido com a morte do pequeno Calvin e marcou presença para mostrar “apoio” à família. “Só posso dizer isso, por respeito à família”, afirmou.

Num comunicado divulgado na tarde do dia 3 de janeiro, o Ministério Público informava que as quatro vítimas feridas se encontravam estáveis e ainda a receber cuidados médicos. A ex-mulher do agressor, um homem de 42 anos e uma mulher de 24 anos continuavam hospitalizados, enquanto uma bebé de dez meses tinha entretanto saído da clínica em que estava internada.

Condutor arrisca prisão perpétua

O autor do atropelamento, que não conduzia sob o efeito do álcool e não era conhecido das autoridades por comportamentos violentos ou ameaças, aguarda julgamento em prisão preventiva, confirmou esta segunda-feira ao Contacto o porta-voz do Ministério Público, Henri Eippers. Foi essa a medida de coação decretada no dia 3 de janeiro pelo juiz de instrução do tribunal da comarca de Diekirch, informou o Ministério Público. O condutor é acusado de homicídio voluntário com premeditação e assassínio, ambos nas formas consumadas e tentadas por ter atropelado deliberada e brutalmente um grupo de cinco pessoas, provocando a morte de próprio filho. O homem arrisca prisão perpétua, podendo engrossar o pequeno número de casos de prisão perpétua no Luxemburgo (ver artigo ao lado). Até este desfecho ou outro, “é preciso terminar a fase de instrução, haver inquéritos e relatórios”, refere Henri Eippers, acrescentando que, até à fase de julgamento, “é uma questão de meses”.

Numa nota divulgada à imprensa, a polícia lançou um apelo a testemunhas, no dia 7, referindo que está à procura de uma mulher que passou atrás da viatura do autor do atropelamento, um Citroën C4 azul. Até ao momento, Henri Eippers diz que o Ministério Público “desconhece se a mulher procurada já se manifestou” às autoridades. Qualquer informação sobre o acidente deve ser comunicada às autoridades através dos números de telefone 113 ou 4997 6111.

Henrique de Burgo com Suzy Martins e Diana Alves


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