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Conselho das Comunidades Portuguesas: Rogério Oliveira e Custódio Portásio eleitos para o CCP
Sociedade 4 min. 06.09.2015 Do nosso arquivo online

Conselho das Comunidades Portuguesas: Rogério Oliveira e Custódio Portásio eleitos para o CCP

Conselho das Comunidades Portuguesas: Rogério Oliveira e Custódio Portásio eleitos para o CCP

Sociedade 4 min. 06.09.2015 Do nosso arquivo online

Conselho das Comunidades Portuguesas: Rogério Oliveira e Custódio Portásio eleitos para o CCP

O presidente da Associação da Bairrada, Rogério Oliveira, e o presidente da comissão política do PSD no Luxemburgo, Custódio Portásio, foram este domingo eleitos pelos imigrantes lusos no Grão-Ducado para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), num acto eleitoral marcado pela forte abstenção.

O presidente da Associação Humanitária da Bairrada no Luxemburgo, Rogério Oliveira, e o presidente da comissão política do PSD no Luxemburgo,  Custódio Portásio, foram este domingo eleitos pelos imigrantes lusos no Grão-Ducado para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), num acto eleitoral marcado pela forte abstenção. 

 Os dois dirigentes vão substituir Eduardo Dias, que, nos últimos 12 anos, exerceu o cargo de representante do Luxemburgo no CCP, durante dois mandatos. A partir de agora, o Luxemburgo passa a ter dois membros naquele órgão consultivo do Governo composto por 80 elementos.

Nuno Torres (à direita) foi um dos 34  portugueses que votaram no Luxemburgo para o Conselho das Comunidades Portuguesas
Nuno Torres (à direita) foi um dos 34 portugueses que votaram no Luxemburgo para o Conselho das Comunidades Portuguesas

Foi sem surpresa que a lista “Todos pela Comunidade”, da qual fazem ainda parte dois suplentes, o advogado João Verdades e o ex-conselheiro Acácio Pinheiro, foi aprovada com 24 votos a favor, oito brancos e dois nulos.

A vitória era certa: bastava um voto. A lista encabeçada por Rogério Oliveira foi, na realidade, a única candidatura apresentada no Grão-Ducado ao CCP, estrutura que atende às políticas relativas às comunidades portuguesas no estrangeiro. 

“À terceira foi de vez, assim o ditaram as circunstâncias. Lamento que só tenha aparecido uma lista. Acho mesmo que é uma tristeza e péssimo ter ido uma lista única a votação quando, no Luxemburgo, temos uma comunidade portuguesa tão representativa”, afirmou Rogério Oliveira, de 69 anos, após serem conhecidos os resultados da votação no Consulado Geral de Portugal no Luxemburgo. 

Custódio Portásio, João Verdades e Rogério de Oliveira
Custódio Portásio, João Verdades e Rogério de Oliveira

O dirigente associativo que concorreu ao cargo pela terceira vez, após as candidaturas de 2003 e 2008, deixa um aviso ao Governo português: “Durante este mandato (com validade de quatro anos), este Conselho não vai ser o braço armado nem deste e nem de nenhum outro Governo”, atirou o dirigente, que foi condecorado pelo Presidente da República no último 10 de Junho.

Esta afirmação surge em jeito de resposta ao conselheiro cessante Eduardo Dias que recentemente disse, ao CONTACTO, que “depois de mim, virá gente que fará aquilo que o Governo quiser, e em vez de estarem lá para criticar os problemas no Consulado ou no ensino, estarão lá para decorar”.

Defensor do diálogo, Rogério Oliveira promete uma “mudança de estilo” face ao seu antecessor no Conselho das Comunidades Portuguesas. 

“Não vamos ser contra tudo e mais alguma coisa. Vamos tentar dialogar, alertar para os problemas de forma rigorosa. Não me vou virar para manifestações e greves”, afirmou o dirigente, em declarações ao CONTACTO, numa alusão à postura assumida pelo antigo conselheiro Eduardo Dias. 

Contudo, o novo conselheiro garante que vai estar “bem atento” aos problemas específicos da emigração portuguesa no Luxemburgo, desde questões laborais aos assuntos consulares, entre outros assuntos.

Abstenção vence por… KO 

Os novos conselheiros foram escolhidos pelos imigrantes e luso-descendentes através de voto presencial no consulado. Contudo, e nas onze horas em que as urnas estiveram abertas no Consulado Geral de Portugal no Luxemburgo, apenas 34 pessoas (menos de 2%) exerceram o direito de voto. 

No Grão-Ducado só 1.896 imigrantes portugueses estavam inscritos para votar nas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas. A abstenção superou os 98 por cento. 

O curto prazo em que foram marcadas as eleições, dificultando a apresentação de listas e o recenseamento dos eleitores, terá afastado muitos eleitores não recenseados, num país onde, segundo o STATEC, vivem mais de 92 mil portugueses. Contudo, e de acordo com fonte consular, há mais de 120 mil portugueses inscritos no Consulado de Portugal no Luxemburgo. 

Este domingo, as urnas abriram às 08h00 e encerraram às 19h. Até ao meio-dia somente 19 pessoas (cerca de 1% dos eleitores inscritos) tinham votado no acto eleitoral. 

Composição da mesa de voto: (da esq para dir) Joaquim Prazeres, Liliana Bento​, Milton Amaral e João Mateus
Composição da mesa de voto: (da esq para dir) Joaquim Prazeres, Liliana Bento​, Milton Amaral e João Mateus

Nuno Torres, de 32 anos, foi um dos poucos votantes. “Estou a exercer um direito e convinha que mais portugueses o fizessem neste ou em outro qualquer acto eleitoral. Só dessa forma poderemos ter mais força para reivindicar”, sublinhou. 

“Se todos votassem, teríamos mais força junto das autoridades de ambos os países. Espero que o meu voto seja útil”, desabafou o jovem, imigrante no Grão-Ducado há dois anos. 

Emília Borges, 50 anos de idade (trinta dos quais no Luxemburgo) não tem dúvidas: “É um acto eleitoral e se temos o direito de votar também temos de o exercer. É pena que as pessoas não se interessem mas se olharmos para o passado não era difícil antever a pouca adesão”, lamentou esta portuguesa. 

Acácio Pinheiro, suplente da lista candidata, a votar
Acácio Pinheiro, suplente da lista candidata, a votar

O novo conselheiro, Rogério Oliveira pronunciou-se igualmente sobre a elevada taxa de abstenção, que considerou não interferir com a “legitimidade” do seu mandato.

“Durante a ditadura fui um dos que combateu pelo direito de voto. Não é não votando que se resolvem as situações de uma comunidade, de um país. Em democracia tudo passa pela política e, por isso, votar é uma forma de se manifestar e participar na democracia”, rematou Rogério Oliveira.

Paulo Dâmaso


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