Escolha as suas informações

Como começaram as epidemias mais graves
Sociedade 4 min. 04.12.2020

Como começaram as epidemias mais graves

Como começaram as epidemias mais graves

Foto: DR
Sociedade 4 min. 04.12.2020

Como começaram as epidemias mais graves

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Nos últimos 30 anos, tem crescido o número de surtos de vírus, proliferando assim as doenças que assolam todo o mundo. Entretanto, relatos históricos de pandemias vão além do século XX e já preocupam a humanidade há dois mil anos.

Um dos primeiros casos de pandemia registrados é a Peste de Justiniano, acontecida por volta de 541 D.C. e que se iniciou no Egito até chegar à capital do Império Bizantino. Provocada pela peste bubónica, transmitida através de pulgas em ratos contaminados, a enfermidade matou entre 500 mil a 1 milhão de pessoas apenas em Constantinopla, espalhando-se pela atuais Síria, Turquia, Irão e parte da Europa. Estima-se que a pandemia tenha durado mais de 200 anos.

Em 1343, a peste bubónica foi mais uma vez a causa de outra pandemia que assolou os continentes asiático e europeu: a Peste Negra. Essa pandemia teve o seu auge no ano de 1353, e ainda apareceu de forma intermitente até o começo do século XIX e calcula-se que matou entre 75 a 200 milhões de pessoas.

Em 1918, a Gripe Espanhola causou a morte de 20 a 50 milhões de pessoas, afetando não só idosos e pacientes com sistema imunológico debilitado como também jovens e adultos.

Como começaram as epidemias recentes mais graves

As cinco das doenças emergentes mais perigosas propagaram-se através do comércio e consumo de animais selvagens, como alerta o relatório do IPBES. Mas também há pandemias que resultam da transmissão de vírus entre humanos e animais.

Doença do vírus Ébola

Descoberta em 1976, várias epidemias do vírus Ébola têm sido relatadas na Central e África Ocidental, a maior das quais aconteceu na Guiné entre 2014 e 2016. Gorilas, chimpazés ou morcegos da fruta terão sido os animais selvagens hospedeiros do vírus que o passaram aos humanos, sobretudo através do consumo alimentar, ou colhido já morto pela doença. Por ser um vírus muito mortífero e matar rapidamente as pessoas infetadas, o Ébola tem menos poder de propagação.

Pandemia do HIV/SIDA

Identificados em 1983 pensa-se que os vírus HIV-1 e HIV-2 terão passado de chimpazés ou gorilas para os humanos, através da caça e do abate de um destes animais, na África Central ou Ocidental. A sua propagação a nível mundial está ligada ao facto alguns destes países estarem a desenvolver-se, intensificando o uso agrícola e ampliando a construção de estradas, o que facilitou a transmissão a nível regional e depois, com o aumento das viagens aéreas e marítimas, a disseminação pelo mundo.

Epidemia da SARS

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) é causada por um antecessor do vírus da covid-19, o SARS CoV-1. O seu verdadeiro hospedeiro será uma espécie de morcego que a transmitiu à civeta de palmeiras mascaradas, animal largamente vendido para consumo alimentar nos mercados de animais selvagens vivos na China. Em 2002, quando foi descoberta a civeta era uma refeição muito popular entre os chineses. A sua alta capacidade de propagação, como a covid-19 e o facto de ter surgido na província de Guangdong, densamente populosa e com grande mobilidade global, proporcionou a este vírus um caminho livre para a transmissão pelo mundo. Por outro lado, também os morcegos reservatórios do vírus eram vendidos para consumo alimentar no sul da china. Em 2003 e 2004 com 8.000 casos de infeção e 800 mortes no mundo a epidemia foi travada com a proibição de comércio de animais selvagens, o encerramento dos mercados destes animais no sul da china e o abate de animais dos mercados.


A investigadora Isabel Sousa Pinto integra a Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES) da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU).
“As pandemias serão mais frequentes e poderão matar mais pessoas do que a covid-19”
O mundo atravessa uma “era de pandemias” e a culpa é do ser humano, alerta um novo relatório da ONU. A investigadora Isabel Sousa Pinto, do comité científico deste documento do IPBES, explica ao Contacto como vão surgir mais doenças perigosas e o que é preciso fazer para as prevenir.

Pandemia da Covid-19

O vírus SARS-CoV -2 foi descoberto num mercado de animais selvagens vivos em Wuhan, na província de Hubei, em novembro de 2019. Ainda não se sabe ao certo qual o animal hospedeiro, nem o momento de passagem para os humanos, mas tudo aponta para uma espécie de morcego vendido nestes mercados. Ou uma pessoa infetada noutro local que tenha estado neste mercado. Altamente contagioso a propagação deste novo coronavírus terá sido facilitada pelas viagens do Ano Novo Chinês, e ainda pelas viagens aéreas pelo mundo. De Hubei para o sudeste asiático, depois Médio Oriente, Europa, EUA e outros destinos. A covid-19 já infetou mais de 60 milhões de pessoas no mundo e causou a morte a quase 1,5 milhões.

Pandemia da Gripe A

A pandemia global do vírus da gripe H1N1, em 2009, teve uma origem diferente. O hospedeiro não foi um animal selvagem que depois transmitiu o vírus aos humanos. Nesta gripe, cujo vírus é uma variante do vírus da Gripe Espanhola, a origem esteve numa estirpe derivada de uma recombinação entre estirpes humanas, suína e aviária, indicando movimentos regulares de estirpes de gripe entre as pessoas e estes grupos de animais. Durante esta pandemia também chamada de gripe suína,

houve propagação de vírus de humanos para porcos de criação, perus e martas, para animais de estimação cães, gatos e furões, e a espécies animais selvagens, tanto em cativeiro como em vida livre, incluindo a chita, o texugo americano, o panda gigante e o gambá listado.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Dois cães, um gato e um tigre infetados com novo coronavírus
A identificação de vários animais infetados com o novo coronavírus mostra que outras espécies podem ser contaminadas pelo ser humano. Organização Mundial de Saúde Animal diz que não há "justificação para medidas em relação aos animais de estimação" mas recomenda que pessoas doentes evitem contaminar animais de estimação.
Da peste negra ao coronavírus, passando pela gripe espanhola
O governo chinês introduziu o uso de uma aplicação para telemóvel que indica a ficha de quarentena: verde para quem pode sair às ruas, amarelo para quem deve ficar isolado por uma semana e, vermelho, para as pessoas que têm de ficar duas semanas isoladas.
a