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Como cão e gato
Opinião Sociedade 4 min. 20.10.2021
Dicas/Educação

Como cão e gato

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Como cão e gato

Opinião Sociedade 4 min. 20.10.2021
Dicas/Educação

Como cão e gato

Ana Cristina LOPES BARBOSA
Ana Cristina LOPES BARBOSA
Vamos escrever esta semana sobre a relação entre irmãos. Mas será que estas relações de cão e gato na infância deveriam ser algo a evitar? As dicas de Alexandra Brito e Ana Barbosa.

Alexandra Brito (professora) e Ana Barbosa (psicóloga)

Vamos escrever esta semana sobre a relação entre irmãos, como se perceberá bem pelo título. Porém, ao organizar ideias sobre o que queríamos dizer, deparamo-nos com algo que é importante confessar - pertencemos ambas ao distinto clube dos irmãos mais velhos. Naturalmente, aqui vamos focar-nos no ponto de vista parental, mas não deixamos de ser influenciadas pela nossa própria vivência como primogénitas: as que desbravaram e prepararam o caminho para os que se seguiram!

Feita a nota devida, para nos enquadrar, passemos a refletir sobre o que pretenderão pais e mães ao educar uma fratria de dois ou mais. À partida, pensamos não estar muito enganadas ao afirmar que o maior objetivo será criar irmãos que sejam amigos, que se respeitem e entreajudem, companheiros para a vida. Claro que sabemos todos que tanto pode correr desta forma como dar profundamente para o torto, assim nos lembra a história desde os tempos bíblicos.

Enquanto crianças, os irmãos e irmãs estarão numa situação em que terão de partilhar pessoas, espaços, recursos e tempo, o que faz com que a relação nunca seja fácil e dificilmente seja isenta de conflitos, como se calhar gostaríamos que fosse no dia-a-dia. Mas será que estas relações de cão e gato na infância deveriam ser algo a evitar? Será que querem dizer que serão inimigos no futuro? Na verdade não. A relação entre irmãos tem todo o potencial para ser uma ótima escola de diplomacia - aprende-se vivendo, fazendo, errando, reparando, negociando, etc.! Os conflitos existem em todas as relações humanas, mas aqui, a rivalidade, o ciúme e as diferenças existem num contexto que é simultaneamente de intimidade, de cumplicidade e de vivências partilhadas que ajudam a construir vínculos afetivos importantes.


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Posto isto, o que se poderá ter em atenção para promover uma boa relação no futuro, sem que alguém se sinta injustiçado, e evitando guerras épicas? A primeira grande reflexão será nunca fazer comparações, valorizando a alto e bom som as idiossincrasias de cada um - "vocês são muito diferentes e ainda bem, porque ter dois clones seria um tédio!". Reconhecendo que há diferenças, sejam físicas, etárias, de personalidade, de características e/ou capacidades, torna-se fundamental adequar as ações, estratégias, recursos e responsabilidades atribuídas, à medida de cada um e às necessidades de cada qual - "Tu deitas-te às 9h, quando tiveres a idade do teu irmão também poderás ir às 10h". Ensina-se o princípio da justiça através da equidade e não da igualdade, e isto deve ser assumido e celebrado até.

Outro aspeto importante será o saber lidar com os conflitos que vão naturalmente surgir, tentando sempre não tomar partidos nem ter apriorismos - sermos mediadores, mais que juízes, ajudando cada qual a exprimir os seus pontos de vista, aprendendo a gerir e transmitir emoções de forma adequada, saber ouvir o outro, e reparar os danos voluntários e involuntários que vão fazendo. Há aqui uma dica essencial que será ensinar a diferença entre fazer queixinhas dos irmãos e pedir ajuda para si ou para eles. 


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Muitas vezes os pais valem-se dos pequenos delatores para controlar o comportamento de uns e de outros, não percebendo que estão a cravar pregos na relação entre ambos - irmãos querem-se saudavelmente cúmplices contra a oligarquia dos adultos! Se alguém estiver a precisar de auxílio deve ser pedida ajuda ao adulto, mas se for só para dizer o que o outro está a fazer de mal, isso sim são queixinhas, o que é um pecado capital entre irmãos.

Passando agora a um ponto que nos diz algo em particular: irmão mais velho vs mais novos. Irmãos devem ser apenas irmãos, não deverão ter o peso de ser autoridade, responsável, educador ou exemplo. Esses são papéis exclusivos dos pais, dos adultos! Podem e devem cuidar, mimar, brincar, ser cúmplices, aos seus tempos, de acordo com os seus interesses, sem se forçar ou impor nada.

Para rematar, um beijo repenicado e um carolo aos nossos irmãos, que serão sempre, e há que o notar, os mais novos, faltando-lhes comer muita sopinha para chegar à nossa bela idade e posto.

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