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Como a covid-19 avançou nos lares de idosos
Sociedade 2 min. 11.02.2021

Como a covid-19 avançou nos lares de idosos

Como a covid-19 avançou nos lares de idosos

Foto: Lusa
Sociedade 2 min. 11.02.2021

Como a covid-19 avançou nos lares de idosos

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A pandemia tem deixado um rasto de destruição nos lares de idosos um pouco por toda a Europa, assolados por surtos, com consequências muitas vezes mortais na população residente.

Afetando de forma mais grave e mortal as faixas etárias mais velhas da população, a pandemia tem deixado um rasto de destruição nos lares de idosos um pouco por toda a Europa, assolados por surtos, com consequências muitas vezes mortais na população residente. Para esse cenário conjugam vários fatores, desde logo o tipo de estruturas residenciais, o aumento da idade média dos que aí vivem, e as próprias opções estratégicas que os Governos tomaram num cenário de desconhecimento ou escassez de recursos. 

No caso português, Maria João Quintela, médica e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, lembra que "as estruturas residenciais para idosos, têm vindo a ter uma população cada vez mais idosa e mais dependente", albergando pessoas com doenças crónicas e com uma "funcionalidade muito baixa". Numa carta escrita em maio de 2020 e publicada no site da SPGG, com o título, "Lares de idosos: O calcanhar de Aquiles da pandemia", o presidente da entidade, Manuel Oliveira Carrageta aponta que os problemas que foram surgindo com a covid-19 "não foram previstos", dando como exemplo a insuficiente testagem, falta de equipamento e treino adequado e de "contratação de pessoal extra", ao contrário do que aconteceu nos hospitais.

A SPGG contesta que as residências para idosos não tenham sido incluídas nas prioridade estabelecidas no início da pandemia e num documento com propostas, de agosto, o organismo refere que está por analisar quantos casos, muitos deles mortais, teriam sido evitados nos lares se os utentes "tivessem tido inicialmente o mesmo acesso a equipamentos de proteção individual que outros" e "se os profissionais também tivessem sido considerados e respeitados como prestadores de cuidados 'na linha da frente', tendo igualmente acesso prioritário a equipamentos de proteção individual".


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A tudo isso acresce o próprio desenho dos edifícios que lança desafios para o futuro. Com uma arquitetura antiga propícia ao contágios e infeções, os lares são "incubadoras de infeções". "Todos eles têm grande número de pessoas, vivendo em espaços relativamente pequenos, com a agravante que os residentes são muito mais frágeis e a maioria são doentes", diz a carta do presidente da associação, que a termina assinalando a necessidade de repensar a arquitetura das estruturas, dotando-as de quartos individuais e casa de banho privativa, à semelhança do que já acontece noutros países. 



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