Code Siegfried

Aluno português ajuda a resolver enigmas matemáticos em web-série

O português Xavier Silva, à direita, e a belga Rosalie Mottard são os protagonistas desta web-série.
O português Xavier Silva, à direita, e a belga Rosalie Mottard são os protagonistas desta web-série.
Foto: Ralph Hermes

Xavier Silva, aluno português do liceu francês Vauban, na capital, foi escolhido para um dos papéis principais da nova web-série sobre enigmas matemáticos, Code Siegfried. O mentor do projeto cinematográfico é um professor francês de matemática que trocou a cidade do Porto pelo Luxemburgo.

A ideia deste projeto cinematográfico tem as suas bases na cidade do Porto. Entre 2000 e 2012, François Colin foi professor de matemática no liceu francês da cidade Invicta. Foi aí que começou a ensinar a sua disciplina de maneira diferente. “Fazia jogos como ’caça ao tesouro’, com enigmas e visitas a locais históricos do Porto. Fizemos também um jogo enigmático sobre um assassinato nas caves Croft”, lembra o professor natural de Nancy, a 85 quilómetros da fronteira luxemburguesa.

Também há colegas franceses, belgas e turcos a trabalhar à frente e atrás das câmaras.
Também há colegas franceses, belgas e turcos a trabalhar à frente e atrás das câmaras.
Foto: Ralph Hermes

Em 2014, François troca o Porto pela cidade do Luxemburgo e juntamente com dois professores de Físico-Química do liceu francês Vauban, em Limpertsberg, dão corpo a um projeto pedagógico para aproximar a matemática dos alunos e do público em geral. Ao longo de sete episódios, de dez minutos cada, dois alunos levam a cabo uma misteriosa investigação que acaba por envolvê-los numa escura trama política, entre códigos secretos e a história do Luxemburgo. A chave de cada episódio está na resolução de enigmas matemáticos.

“O fio condutor é a história vivida pelos atores, mas em cada episódio há uma mensagem que é preciso decifrar para dar continuidade ao episódio seguinte. Portanto, há aqui um objetivo pedagógico, que é promover a matemática de uma maneira diferente, incentivando os mais jovens, e não só, a descobrir ou a redescobrir o prazer de fazer matemática de maneira lúdica”, diz o professor ao Contacto.

Além dos códigos secretos, a web-série pretende também “decifrar a história do Luxemburgo”, promovendo a cada episódio diferentes patrimónios culturais e históricos.

Xavier Silva sempre gostou de “representar e tocar em palco". Mas esta é a primeira experiência cinematográfica
Xavier Silva sempre gostou de “representar e tocar em palco". Mas esta é a primeira experiência cinematográfica
Foto: Ralph Hermes

Aluno português é um dos protagonistas

Xavier Silva, 15 anos, é um dos poucos alunos portugueses do liceu Vauban. Quando soube que a produtora In Kino Veritas, dos professores François Colin, Zilber Karevski (escritor) e Jean-François Rouanet (videógrafo), procurava dois protagonistas para a série, decidiu candidatar-se porque diz gostar de “representar e tocar em palco desde pequeno”.

Mas na área do cinema, esta é a “primeira experiência”, que está a passar-se bem junto dos colegas de escola. “Está a ser divertido filmar com pessoas que eu conheço muito bem e que até são da minha turma, tanto alunos como professores”.

Mas o “estrelato” tem um preço a pagar. Com os exames à porta, Xavier diz que “não é fácil” coordenar o tempo do estudo com as filmagens. “Este projeto demora muito tempo a ser realizado e ocupa uma parte do meu tempo livre aos sábados, domingos e até nas férias”, conta o jovem.

Xavier dá-se bem com a matemática desde pequeno, tem “um bom raciocínio matemático”. Mas com esta forma de ensinar a disciplina diz que “fica mais fácil perceber algumas matérias, porque é muito diferente de estar numa sala de aula a ouvir o professor explicar”. “No filme está tudo sincronizado e torna-se mais divertido aprender”, conclui.

Há alunos de várias turmas do liceu Vauban que participam neste projeto.
Há alunos de várias turmas do liceu Vauban que participam neste projeto.
Foto: Ralph Hermes

Segunda temporada pode vir a ser gravada no Porto

Na altura dos exames e durante as férias de verão vai haver uma pausa nas filmagens. Em setembro, professores e alunos vão retomar o projeto. A ideia é acabar as rodagens no final de setembro ou início de outubro e apresentar a série em dezembro.

Depois dessa fase, poderá haver uma segunda temporada, talvez gravada no Porto, revela François Colin.

“Gostaria de voltar a trabalhar com o liceu francês do Porto, adaptando a primeira temporada ou gravando uma segunda temporada, que seria sobre a criptografia, mais ligada à informática. A cidade do Porto, além de ser bonita, tem uma história muito interessante. Há muita matéria para explorar. O diretor do liceu e o presidente do conselho de administração daquele liceu viram o projeto e estão interessados num intercâmbio entre os dois liceus”, adianta François.

Para isso ser possível, o desafio é conseguir mais financiamento. “O liceu põe-nos à disposição câmaras de filmar e outras coisas, e nós comprámos alguns materiais. Mas falta-nos ainda mais material para filmarmos os 70 minutos com boa qualidade. Quem quiser apoiar-nos pode contactar-nos a partir do site www.codesiegfried.com”, apela o professor.

Espera-se uma segunda temporada desta web-série, que pode vir a ser rodada no Porto
Espera-se uma segunda temporada desta web-série, que pode vir a ser rodada no Porto
Foto: Ralph Hermes

O primeiro episódio já está “em caixa” e foi mostrado a alguns alunos de François, do 6° e 7° anos. “Eles perceberam facilmente”, regozija-se François. Se o projeto conseguir arrecadar o financiamento necessário, a ideia passa ainda por fazer legendas em português, para chegar a mais jovens. François vê ainda mais longe e fala na possibilidade de fazer um livro, também traduzido em português e em inglês, sobre esta série.

Henrique de Burgo

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