Clima. Folhas das árvores estão a cair cada vez mais cedo
Clima. Folhas das árvores estão a cair cada vez mais cedo
De acordo com um novo estudo, o aquecimento global parece estar a fazer com que as árvores deixem cair as suas folhas mais cedo, confundindo a ideia de que temperaturas mais quentes atrasam o início do outono.
O aumento das temperaturas também significa que a Primavera está a chegar mais cedo e, em geral, a época de crescimento das árvores nas zonas temperadas do planeta está a tornar-se cada vez mais longa.
A investigação, publicada na revista Science, utilizou mais de 430.000 observações de queda de folhas de árvores em 3.800 locais na Europa Central entre 1948 e 2015, bem como experiências e modelação.
A fotossíntese, realizada nas folhas, converte o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera em compostos de carbono que a árvore utiliza para viver e crescer. Se a árvore já não pode utilizar o carbono, deixa de manter as suas folhas e estas caem. Não se sabe que fator específico, ou combinação de fatores, desencadeia esta paragem no crescimento, mas pode ser a disponibilidade de azoto.
Cerca de 94% das árvores caducas não podem fornecer o seu próprio azoto, pelo que os investigadores pensam que as suas descobertas são suscetíveis de se aplicar à maioria das árvores nas zonas temperadas de todo o mundo.
Estimativas de quanto a queda precoce das folhas de outono irá reduzir o CO2 capturado pelas árvores, em comparação com os modelos anteriores, estão em curso. Mas, segundo os cientistas, com base em pesquisas anteriores, pode ser da ordem de 1 milhar de milhões de toneladas por ano.
No entanto, os outonos antecipados significam que pode ser armazenado significativamente menos carbono nas árvores do que se pensava anteriormente, proporcionando menos travão ao aquecimento global.
A nova investigação baseia-se num enorme conjunto de dados de observações de árvores europeias, experiências que variaram os níveis de luz e de CO2, e modelos matemáticos.
O estudo mostrou que, além da temperatura e da duração do dia, a quantidade de carbono que uma árvore absorveu numa estação é um factor chave para determinar quando já não necessita das suas folhas e as deixa cair.
Os cientistas comparam o efeito a uma pessoa ficar cheia após uma refeição pesada e ser incapaz de comer mais comida. Outras investigações recentes mostraram que as árvores que crescem rapidamente têm uma esperança de vida mais curta e que a crise climática e o abate maciço de árvores tornou a sua esperança de vida significativamente mais curta.
"Durante décadas assumimos que as estações de crescimento estão a aumentar e que a folhagem de outono está a ficar mais tardia", disse Thomas Crowther, professor na ETH Zurique na Suíça, um dos membros da equipa de estudo. "No entanto, esta investigação sugere que à medida que a produtividade das árvores aumenta, as folhas caem mais cedo", cita o The Guardian.
Modelos anteriores que não incluíam a quantidade de carbono que uma árvore absorve durante uma estação indicavam que o outono poderia ser duas a três semanas mais tarde, no final do século, sobre as tendências atuais das emissões. Mas o novo modelo dos cientistas indica que o outono pode, na realidade, chegar até seis dias mais cedo.
Os cientistas apontaram que os aumentos na armazenamento de carbono não são tão grandes quando se esperava e que é crucial reduzir as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis e da desflorestação para enfrentar a emergência climática.
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