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Claude Turmes deixa recado: "Governos, parem de se combater"
Sociedade 3 min. 30.09.2022
Luta por energia mais barata

Claude Turmes deixa recado: "Governos, parem de se combater"

Claude Turmes
Luta por energia mais barata

Claude Turmes deixa recado: "Governos, parem de se combater"

Claude Turmes
AFP
Sociedade 3 min. 30.09.2022
Luta por energia mais barata

Claude Turmes deixa recado: "Governos, parem de se combater"

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
À entrada da reunião extraordinária dos ministros da Energia, o ministro luxemburguês defendeu a posição da Comissão nas soluções para baixar os preços da eletricidade e disse acreditar que von der Leyen vai conseguir acabar com as lutas atuais entre os países. E apresentou ideias. É preciso pedir a Biden e à Noruega que apoiem a Europa num momento vital.

O Luxemburgo foi um dos países que não subscreveu a carta de 15 Estados-membros enviada à comissária europeia da Energia para impor um limite máximo de preço na compra de todo o gás que chega à Europa. 

A posição da Comissão é que esta é uma ideia perigosa porque pode levar os “fornecedores de confiança”, a vender o seu gás – uma matéria-prima neste momento muito escassa – a outros mercados asiáticos que pagariam melhor. 


Objetivo é “levar a que a Rússia não possa manipular os preços, como tem feito até aqui”, explicou um alto responsável da Comissão.
Comissão nega pedido de 15 países. Teto do preço só para gás russo
A Comissão entende que um limite de preços indiscriminado poderia levar a quebras de abastecimento. E é mesmo isso que vai propor no conselho extraordinário de Energia marcado para sexta-feira.

Ontem, quinta-feira, dia 29, a Comissão apresentou o documento técnico que leva ao conselho de Energia desta sexta-feira onde o pedido desses 15 países (entre os quais Portugal) não está contemplado. Em vez disso, só o gás russo seria objeto de um preço limite.

Esta sexta-feira, à entrada da reunião extraordinária dos ministros da Energia, em Bruxelas, Claude Turmes, o ministro luxemburguês da Energia e Planeamento, explicou que impor limites a todos os fornecedores de energia não é a solução. 

E salientou que “neste momento muito especial” que a Europa atravessa “estamos numa grande corrida, especialmente da indústria e dos consumidores, que se queixam que há outros governos europeus a concorrer contra eles, e que por isso pedem aos seus próprios governos a competir com eles. 

O preço da eletricidade e do gás na Europa é muito díspar, neste momento. “Temos que parar esta corrida”, pediu Turmes. E disse ter “plena confiança que Ursula von der Leyen irá pôr fim a esta corrida insana de vários governos de estarem a lutar entre si neste momento tão difícil na Europa”. E sublinhou: “Isto é a nova fronteira: conseguir mais solidariedade e acabar com estas lutas internas entre nós”. 

Neste cenário, Claude Turmes defendeu a criação de um novo mecanismo de crise criado pela Comissão Europeia, para enfrentar o momento de guerra.

Quais são as propostas do Luxemburgo?

Na reunião em que se vai discutir taxar os lucros extraordinários das empresas de energia, para os devolver em subsídios aos consumidores e indústria, Turmes defende que a poupança de gás em vigor (15% até à primavera em relação a media de três anos anteriores) e a poupança de eletricidade é muito importante “especialmente porque temos uma fraqueza nos reatores nucleares franceses”, várias centrais nucleares francesas estão em manutenção ou com problemas de operacionalidade.

Além disso, disse que há uma coisa mais importante a fazer. “Nós temos que nos sentar com a Noruega, que está neste momento a fornecer 60% do nosso gás. E explicar-lhes: ‘Muito bem o gás era 20€ o MWhm e agora - há dias em que chega aos 250€. Temos que chegar a um meio termo. Porque se eles recebessem 100 ou 120 €, mesmo assim isso seria muito melhor do que alguma vez lucraram”.

Claude Turmes defendeu ainda que a Comissão se “sentasse” com o presidente norte-americano e lhe pedisse solidariedade. “Muda o jogo se falarmos com Biden, sobretudo depois da sabotagem desta semana [aos gasodutos Nord Stream 1 e 2]. Isto é agora uma questão de segurança para a Europa e os EUA têm que ter solidariedade connosco”. 

Neste tempo de guerra na Europa, disse, “A maior solidariedade, além da sua ajuda militar na Ucrânia, é enviar-nos gás natural liquefeito (LNG) massivamente a um preço que não nos leve a entrar em recessão económica”. O segundo passo nesta estratégia de negociação defendida pelo ministro do Luxemburgo seria “sentarmo-nos com o Japão e Coreia, para eles não competirem connosco pelo LNG”.

Outra responsabilidade que Turmes endereça aos países, sobretudo aos grandes é de apoiar a Comissão a colocar em pleno funcionamento uma plataforma de compra de gás conjunta, “pô-la a preparar o armazenamento de gás para o próximo ano. Aí teríamos volumes claramente assegurados, todos os países beneficiariam”. E, alertou : “Isto não é um trabalho que a Comissão possa fazer sozinha. A Comissão precisa do apoio dos países. A Alemanha, França, Áustria, Países Baixos e talvez a Espanha e Itália, equivalem a 60 ou 70% de todo o gás comprado para a Europa. Eles têm que se junta e fazer com que esta plataforma de compra de gás funcione”.

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