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Cientistas querem investigar relação entre a covid-19 e a menopausa
Sociedade 4 min. 07.12.2020

Cientistas querem investigar relação entre a covid-19 e a menopausa

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Cientistas querem investigar relação entre a covid-19 e a menopausa

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Foto: dpa Picture-Alliance/AFP
Sociedade 4 min. 07.12.2020

Cientistas querem investigar relação entre a covid-19 e a menopausa

Diferentes estudos analisam fator protetor do estrogénio face à covid e o impacto que a redução desta hormona nas mulheres que entram na menopausa pode ter no desenvolvimento das formas mais graves da doença.

Alguns investigadores britânicos e americanos defendem que uma possível ligação entre a menopausa e a covid-19 deve ser estudada e aprofundada. 

Segundo o jornal The Guardian, cientistas do King's College de Londres apontam evidências que sugerem que a queda dos níveis de estrogénio poderá deixar as mulheres mais velhas em maior risco de contrair a doença. 

Embora os homens corram maior risco de desenvolver formas mais graves da covid-19, e de morrer da doença, do que as mulheres, investigações recentes apontam para que, nas mulheres, as infeções e os sintomas de longa duração possam ser mais comuns entre aquelas que já passaram pela menopausa.

Num estudo baseado nos sintomas relatados, e ainda por rever, pelos pares, a investigadora do  King's College, Claire Steves, e a sua equipa descobriram que as mulheres na pós-menopausa corriam maior risco de ter covid do que as mulheres que ainda não estavam na menopausa, mas que tinham idade e índice de massa corporal semelhantes. 


Sintomas da menopausa interferem na vida profissional de quase 1/4 das mulheres
A menopausa afeta negativamente a vida da mulher do ponto de vista profissional, mas também pessoal, com 80% a apresentarem sintomatologia vasomotora (calores e afrontamentos), 66% a terem alterações do sono, 24% dor nas relações sexuais e 23% redução do desejo sexual, segundo Fernanda Geraldes, presidente da Secção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG).

De acordo com a análise, há também algumas pistas de que, em caso de infeção pelo novo coronavírus, as primeiras podem estar em maior risco de desenvolver sintomas mais graves.

Estas descobertas levantam a questão de saber se hormonas como o estrogénio - mais elevadas nas mulheres do que nos homens, mas que diminuem à medida que estas atravessam a menopausa -podem desempenhar um papel protetor.

"É uma boa questão saber se as hormonas poderiam desempenhar um papel, ou estabelecer diferenças com a idade e o sexo - tais como a resposta imunitária", afirma ao The Guardian Claire Steves.

A equipa também descobriu que as mulheres que tomavam pílula contracetiva - que contém estrogénio - tinham um risco menor de desenvolver covid do que as que não tomavam. 

Num outro estudo, a equipa apurou ainda que as mulheres se encontram em maior risco de ter o que designam de "covid longo" (com os sintomas a durarem mais tempo) do que os homens, e que as mulheres com idades, entre os 50 e os 60 anos, estavam em maior risco de desenvolverem sintomas persistentes da doença.

Paralelamente, um outro estudo recente da Sociedade Espanhola de Médicos de Clínica Geral e Médicos de Família (SEMG), que inquiriu 2000 infetados, no país, concluiu que as mulheres, com idades entre os 36 e os 50 anos e que testaram positivo para a covid-19, mas tiveram doença ligeira, continuam a sentir sintomas várias semanas depois de já não terem o vírus e de testarem novamente negativo.

Segundo a investigação da SEMG, o coronavírus terá desaparecido, mas as suas consequências permaneceram durante várias semanas e até meses, através de sintomas como fadiga, cansaço extremo, dores musculares ou dores de cabeça.  

Ao The Guardian, Betty Raman, da Universidade de Oxford, refere que tanto a idade como o sexo parecem ser importantes no que se refere ao impacto da covid.

Estando a acompanhar, com a sua equipa, um grupo de 58 pessoas que foram hospitalizadas durante, pelo menos, dois dias com coronavírus, a investigadora reconhece que ainda "há uma falta de provas sólidas de que o estrogénio é protetor contra a covid-19". Mas sublinha que é "evidente que ser masculino é um fator de risco para a gravidade da doença".

"Temos correlações e associações entre os níveis de hormonas e a gravidade da doença, e claro que o sexo do indivíduo e a gravidade da doença", explica Betty Raman, acrescentando que o estrogénio é conhecido por ser benéfico em  outras doenças, como a doença arterial coronária, mais comum nos homens e uma das doenças que agrava o risco de quem é infetado com covid-19.

James O'Keefe, cardiologista e professor de medicina dos EUA na Universidade do Missouri-Kansas City, igualmente citado pelo jornal, reitera a visão da investigadora de Oxford, concordando que o estrogénio pode ser protetor no caso da covid "porque sabemos por outros estudos que ajuda a melhorar alguns aspetos da imunidade. O estrogénio também ajuda a apoiar o funcionamento ótimo dos pulmões e do sistema cardiovascular", enquanto a testosterona é, em geral, um imunossupressor. 

O médico americano mostra-se contudo cauteloso, referindo a necessidade de mais estudos para apurar se há uma relação entre a severidade da doença e a hormona mais predominante no sexo feminino, assim como dos efeitos a longo prazo nas mulheres, na fase pós-menopausa.






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