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Cientistas procuram respostas para centenas de baleias encalhadas
Sociedade 10 3 min. 22.09.2022
Ambiente

Cientistas procuram respostas para centenas de baleias encalhadas

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Cientistas procuram respostas para centenas de baleias encalhadas

Foto: PR IMAGE
Sociedade 10 3 min. 22.09.2022
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Cientistas procuram respostas para centenas de baleias encalhadas

Redação
Redação
Esta semana mais de 200 baleias-piloto encalharam na Tasmânia e quase todas morreram. O fenómeno não é novo, mas as causas que o provocam ainda não são conclusivas.

Cerca de 200 baleias-piloto (também conhecidas como golfinhos-piloto), morreram encalhadas esta semana numa baía remota na ilha da Tasmânia, na Austrália.

Os encalhes de cetáceos são um fenómeno comum mas muitas vezes inexplicável. Karen Stockin, investigadora da Universidade Massey na Nova Zelândia, explica, citada pela AFP, que as baleias-piloto encalham regularmente, especialmente no hemisfério sul. 

Mas o que causa este fenómeno? Os cientistas ainda estão a tentar encontrar a resposta a esta pergunta. Pode haver muitas causas. Podem ser naturais, baseadas na batimetria - a ciência da medição das profundidades e do relevo do oceano - ou específicas das espécies em questão.  

Em alguns casos, um cetáceo doente que se dirige para a costa pode ser seguido por todo um grupo. 

Características geográficas

Existem alguns "pontos quentes" onde os cetáceos mais encalham. No hemisfério sul,  na ilha australiana da Tasmânia, e na Golden Bay, na Nova Zelândia, e no hemisfério norte, em Cape Cod, uma vasta península em forma de gancho no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. 


Centenas de baleias-piloto encalhadas na Austrália
"Um grupo de cerca de 230" cetáceos "encalhou perto do porto de Macquarie", sendo que só cerca de metade estarão vivas, segundo as autoridades da Tasmânia.

Estas áreas têm semelhanças a nível da topografia da praia e das condições ambientais. Tanto Cape Cod como a Golden Bay têm linhas costeiras estreitas e águas pouco profundas, assim como grandes variações de maré. Algumas pessoas chamam a estas áreas "armadilhas para mamíferos marinhos" devido à velocidade a que a maré pode baixar. 

Mas essas não são as únicas causas possíveis. O fenómeno pode ter acelerado mais recentemente.   

Alterações climáticas e poluição

Os encalhes de cetáceos são documentados desde a época de Aristóteles. No entanto, o estado dos oceanos tem vindo a deteriorar-se nas últimas décadas. Por isso, podem tornar-se mais frequentes à medida que o uso humano dos mares, a navegação e a poluição química aumentam. 

O encalhe do grupo de cerca de 230 cetáceos na Tasmânia, esta semana, e que levou à morte de cerca de 200, aconteceu quase dois anos depois de, na mesma zona, 500 baleias-piloto terem ficado presas em terra, das quais apenas cerca de 100 sobreviveram.  

As epizootias - surtos de doenças em animais - também podem levar a mais encalhes. 

A investigação sobre como as alterações climáticas afetam os mamíferos marinhos está ainda a dar os seus primeiros passos, mas peritos consideram que elas podem alterar a distribuição das presas e dos predadores. Para algumas espécies, isto pode significar uma aproximação à costa. 


Morreram 380 baleias que estavam encalhadas na Tasmânia
É o maior incidente do género registado na costa australiana.

Por exemplo, investigações recentes baseadas em modelos atuais de previsão climática sugerem que até 2050, a distribuição de cachalotes e de baleias azuis na Nova Zelândia poderá mudar significativamente. 

No dia anterior às 230 baleias terem encalhado na Tasmânia, 14 cachalotes foram encontrados encalhados na ilha King, ao largo da costa sudeste daquela.

Segundo a Lusa, o cientista marinho da Griffith University Olaf Meynecke explicou à agência de notícias Associated Press ser invulgar encontrar cachalotes presos na praia, mas explicou que o aquecimento global pode estar a mudar as correntes oceânicas e alterar as rotas da comida tradicional das baleias.

Nestes casos, os animais “deslocam-se para outras zonas e procuraram outras fontes de alimentos”, disse Meynecke, ressalvando, contudo, que “quando fazem isso, já não estão na melhor condição física porque podem estar a morrer de fome, o que pode levá-los a correr mais riscos e talvez a aproximar-se demais da costa”, 

 Os encalhes podem ser evitados? 

Independentemente das causas, é difícil evitar os encalhes de largos grupos de baleias.

Não existe uma solução única. Mas com uma melhor compreensão de como as mudanças induzidas pelo homem influenciam esse fenómeno, os cientistas esperam que possam ser criadas soluções para evitar esta mortandade. 

(Com agências)


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